Teoria para SERP de 7 resultados: mudará tudo na busca orgânica?

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Robô de BuscaUma das regras do livre mercado é suprir as demandas dos consumidores com produtos cujo preço o mercado tope pagar. Uma das demandas que mais cresce é pela personalização de serviços na Internet, como e-mail, resultados de busca e redes sociais. Para se ter ideia, cada timeline no Facebook é única e não só porque cada um tem amigos diferentes, mas porque tem interesses distintos. É isso o que faz o EdgeRank, o algoritmo do Facebook.

Após o texto das mudanças na SERP do Google, em que muitas delas são exibidos apenas 7 resultados, nós da Conversion ficamos nos indagando algumas coisas:

– Por que o Google está alterando várias vezes ao longo do dia os resultados?
– Por que, ao mesmo tempo, reduzir o número de resultados na SERP?
– Isso é apenas um teste ou veio para ficar?
– Qual benefício o Google gera para o consumidor?
– De que forma o Google aumenta seus lucros?

Parece-me que esses especificamente sejam os problemas que temos de responder para entender as mudanças. Entretanto, nenhuma resposta às perguntas respondia completamente ao problema colocado. Exceptuando-se uma, que pretendo compartilhar com você.

Por que exibir apenas 7 resultados

Lembro que há cerca de um ano, em 17 de agosto de 2011, o Google fez um teste em que trazia resultados infinitos na SERP, isto é, não havia páginas de navegação e à medida que se rolava a janela carregavam-se os próximos resultados. Não deu certo e o Google voltou atrás.

Agora, o movimento é contrário: o Google está reduzindo os resultados. Isso seria melhor para o usuário? Ele vai expandir esta SERP para todos os seus resultados?

O indicativo é de que veio para ficar, pois está funcionando no Google USA, no Google Brasil e salvo engano nos quatro cantos do mundo.

Posições mudando ao longo do dia

É paradoxal que as SERPs mudem cada vez mais, ao passo em que há cada vez menos resultados. Gosto sempre de lembrar de pessoas que buscam por keywords para acessar determinado site. Esses usuários que, imagino não sejam poucos, seriam prejudicados. Menos resultados nas SERP, menos opções nos resultados orgânicos para o usuário.

É difícil pensar de que modo o usuário poderia se beneficiar com essas mudanças, uma vez que ele está sendo prejudicado por páginas de resultados instáveis e ao mesmo tempo está encontrando menos opções.

Onde o Google lucra é fácil saber

Não é preciso ser nenhum gênio para identificar onde o Google passa a lucrar com essas mudanças nas SERP. É, afinal de contas, muito simples:

Com menos resultados orgânicos, há uma maior oferta de resultados patrocinados e portanto maior chance de cliques. Com isso, o Google passa a ter uma maior receita.

Entretanto, as pontas não fecham porque não identificamos onde o usuário se beneficia disso tudo, afinal ele está com menos opções e com um ranking confuso.

Amarrando os pontos sem nó

Fora do Brasil, há muito mais SERP personalizadas. Aqui, elas estão muito pouco personalizadas. O máximo que pegou foram as SERP locais.

Digamos, então, que essa instabilidade nas SERP sirva para dar uma maior gama de opções para quem está pesquisando no Google e assim o Google testar de uma vez por todas quais são os melhores resultados.

Um parêntesis: parece-me que as SERP de 7 resultados estão menos instáveis do que as outras. Talvez porque estas sejam as novas SERP, enquanto as de 10 resultados e com muita variação de posições sejam “SERP em transição”.

Esses “melhores resultados” deixam de ser os resultados da maioria, mas sim resultados individuais ou ainda de acordo com o perfil da pessoa, dados esses de que o Google já dispõe.

Deixando os resultados instáveis, o Google passaria a personalizar os resultados de acordo com a demanda do consumidor em ter resultados exclusivos. Esse é o benefício que o Google dá.

Mas assim como o Google dá, o Google tira. Em prol desses resultados personalizados, que são exatamente o que o usuário procura, o Google consegue aumentar o alcance de seus links patrocinados, tornando as SERP cada vez mais páginas amarelas e só.

Desta forma, o Google ganha e o usuário pensa que ganha.

Mudança radical na busca orgânica

Sendo assim, temos uma mudança radical no conceito de busca orgânica. Se os resultados são personalizados, o usuário deixa de encontrar algo novo para ver principalmente aquilo que ele (ou amigos e pessoas com o mesmo perfil) anteriormente já via; naturalmente isso não pode ser levado à risca, pois sempre se poderá fazer consultas diferentes, mas a tendência é que cada vez menos as pessoas tenham opções de conhecer um ponto de vista diferente. Os algoritmos de personalização, conforme este TED Talk de Eli Pariser, criam bolhas para cada uma das pessoas que ficam incapacitadas de sair de si e chegarem umas às outras. Assistam ao vídeo.

Entretanto, o que Eli Pariser não teria percebido é que há personalização principalmente dos resultados orgânicos, não dos resultados patrocinados. Uma vez que os resultados orgânicos são tudo aquilo que a pessoa já conhecia, a descoberta se dará exclusivamente pela publicidade.

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