Google amplia interfaces generativas na busca

Gabriel CardozoGabriel Cardozo4 min
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AI Mode recebe ferramentas e simulações geradas para cada consulta, enquanto distribuição em AI Overviews começa globalmente em inglês

O Google ampliou o uso de interfaces generativas na busca. O AI Mode passou a oferecer globalmente, em inglês, ferramentas e simulações criadas para perguntas específicas, enquanto a implementação do recurso começou também nos AI Overviews.

A atualização foi apresentada no conjunto de ferramentas educacionais da empresa. Entre os exemplos estão representações interativas de conceitos científicos e questionários personalizados com explicações para cada resposta. O recurso não se limita a resumir páginas. O sistema pode selecionar componentes visuais, gerar código e montar uma interface ajustada à solicitação feita pelo usuário.

Interfaces generativas chegam ao AI Mode globalmente

O anúncio oficial informa que a capacidade foi lançada globalmente em inglês no AI Mode. A disponibilidade em outros idiomas não foi detalhada, e o Google não publicou um cronograma completo para essa expansão.

No exemplo apresentado, uma busca sobre escala de pH gera uma visualização interativa. Em seguida, o usuário pode pedir uma versão mais específica e alterar os elementos exibidos durante a conversa. Dessa forma, a resposta deixa de seguir um modelo estático. O formato é escolhido conforme a tarefa, podendo combinar texto, tabelas, controles, gráficos ou simulações.

AI Overviews começa a receber ferramentas interativas

Google também iniciou a distribuição em AI Overviews. A empresa descreve essa etapa como gradual, sem informar quais consultas, países ou contas recebem primeiro as novas interfaces. A implementação inclui ferramentas geradas para explicar conceitos. Além disso, questionários personalizados já estão disponíveis globalmente em inglês, gratuitamente, tanto no AI Mode quanto nos AI Overviews.

Os questionários podem usar conteúdo de empresas de educação parceiras. O Google citou The Princeton Review, Careers360, PhysicsWallah e Akira Enem entre as organizações que fornecem material especializado para exames.

Ferramentas são produzidas conforme a consulta

A tecnologia parte de uma pesquisa do Google sobre geração de interfaces. O modelo recebe a solicitação, consulta recursos disponíveis e produz uma página funcional para aquela interação. Avaliações publicadas pelos pesquisadores indicam preferência dos participantes pelas interfaces geradas em comparação com respostas convencionais de texto. Contudo, os testes desconsideraram o tempo de geração em parte das comparações.

A pesquisa também reconhece limitações. A criação pode demorar, erros ainda podem aparecer e a interface produzida para um pedido não equivale necessariamente a uma aplicação mantida e atualizada por uma equipe.

Mudança altera espaço ocupado por respostas na busca

Calculadoras, simuladores e testes costumavam exigir acesso a uma página externa. Agora, algumas dessas tarefas podem ser concluídas diretamente dentro da experiência do Google. Essa mudança afeta a leitura de métricas por páginas que oferecem ferramentas gratuitas. Uma impressão pode ocorrer sem visita quando a interface gerada resolve a necessidade dentro do resultado.

Por outro lado, o anúncio afirma que as respostas continuam apresentando links para conteúdos da internet. O Google não divulgou taxas de clique específicas para interfaces generativas nem frequência de acionamento do recurso.

Dados proprietários diferenciam ferramentas externas

Interfaces baseadas em fórmulas públicas são mais simples de reproduzir. Ferramentas que dependem de dados exclusivos, contas autenticadas, históricos ou integrações operacionais continuam exigindo acesso que uma resposta gerada não possui automaticamente.

Para estratégias de SEO, a distinção ajuda a classificar riscos. Uma calculadora genérica enfrenta cenário diferente de uma plataforma que usa informações próprias e executa ações em sistemas empresariais.

A disponibilidade global em inglês confirma a expansão do formato, mas não demonstra substituição integral de páginas externas. Alcance, idiomas e comportamento de clique ainda dependem de dados que o Google não publicou.

Google mantém recursos como experiências de IA

A empresa alerta que recursos generativos são experimentais e podem apresentar erros. Usuários devem conferir informações importantes e consultar as referências apresentadas na resposta. O lançamento educacional inclui ainda integração de notebooks ao AI Mode, criação de arquivos e experiências de aprendizagem pelo Lens. Esses itens têm cronogramas e coberturas próprios, separados das interfaces generativas.

A expansão marca uma mudança no formato da busca: além de localizar e resumir informações, o sistema passa a produzir componentes funcionais para cada pergunta. A extensão dessa mudança dependerá do ritmo de distribuição e do uso efetivo das novas interfaces.

Pesquisa compara interfaces geradas com páginas especializadas

O estudo associado ao produto criou um conjunto de páginas elaboradas por profissionais contratados para servir como referência. Os pesquisadores também liberaram o conjunto PAGEN, permitindo que outros grupos repitam parte das avaliações.

Nas comparações, as interfaces geradas foram preferidas às respostas convencionais de texto. Quando confrontadas com páginas produzidas pelos profissionais, alcançaram resultado comparável em pelo menos metade dos casos, desde que o tempo de geração fosse desconsiderado.

Entretanto, as páginas de referência foram criadas em poucas horas e não representam aplicações maduras. O próprio estudo reconhece essa limitação, o que impede interpretar os resultados como equivalência geral entre uma interface gerada e qualquer ferramenta disponível na internet.

Search Console não separa o novo formato

Os relatórios de desempenho podem registrar páginas citadas em AI Overviews e AI Mode, mas não identificam se a exposição ocorreu dentro de uma interface generativa. Consequentemente, o formato ainda não possui uma dimensão própria para análise.

Essa ausência dificulta associar variações de clique diretamente às ferramentas geradas. Uma mudança pode decorrer de diferentes tipos de resposta, de alteração de demanda ou de outras modificações na página de resultados.

A medição exige, portanto, combinar consultas relacionadas a ferramentas, impressões, cliques e observação manual dos resultados. Mesmo assim, essa combinação produz uma estimativa, pois o Google não informa a frequência de acionamento das interfaces.

Gabriel Cardozo

Escrito por Gabriel Cardozo

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