Pichai prevê agentes de IA acessando páginas e protocolos

Gabriel CardozoGabriel Cardozo5 min
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Em entrevista ao Sources, CEO do Google descreve dois caminhos para agentes acessarem sites; documentação já distingue navegação sob pedido de rastreamento automático.

Sundar Pichai afirmou que agentes de inteligência artificial deverão acessar sites por dois caminhos: a navegação em páginas e a comunicação por protocolos. O CEO do Google apresentou a avaliação em entrevista ao podcast Sources, de Alex Heath, publicada na última semana.

Na conversa, o executivo defendeu a coexistência das duas abordagens. Em sua avaliação, protocolos oferecem uma forma mais escalável de integração, embora precisem de mais tempo para se desenvolver. A fala não estabelece um prazo para substituir interfaces ou universalizar integrações entre empresas.

O episódio também discutiu a continuidade de tarefas entre produtos do Google. Nesse contexto, as declarações apresentam a visão do executivo sobre o desenvolvimento dos agentes, enquanto a documentação técnica disponível descreve mecanismos específicos que já têm identificação e condições próprias de funcionamento.

Agentes de IA podem usar interfaces e conexões diretas

Uma interação por páginas utiliza os elementos de um site para obter informação ou realizar uma ação. Já uma conexão por protocolo depende de regras compartilhadas entre os sistemas participantes. Os dois caminhos podem alcançar uma mesma tarefa, com formas distintas de comunicação.

Essa diferença não exige presumir que toda interface será abandonada. Um agente pode depender de uma página em determinada etapa e de uma integração em outra. Da mesma forma, a existência de um padrão aberto não significa que todos os serviços já o tenham implementado.

Na transcrição da entrevista, Pichai resumiu sua expectativa: “Acho que existem os dois caminhos”, em tradução livre. O comentário se refere à evolução das formas de acesso, sem anunciar um novo requisito de indexação ou uma mudança específica nas posições dos sites.

Google separa robôs automáticos de acessos solicitados

A documentação de infraestrutura de rastreamento do Google organiza seus clientes em categorias. Os rastreadores comuns incluem programas usados para descobrir e examinar páginas automaticamente. Há também mecanismos voltados a situações especiais e outros acionados a partir de uma solicitação do usuário.

Essa divisão descreve a finalidade do acesso. Uma requisição feita para cumprir um pedido específico não é, por definição, a mesma atividade de um robô que percorre páginas para compor um índice. A classificação técnica ajuda a distinguir esses registros no servidor.

Além disso, os diferentes programas podem operar de forma distribuída. O endereço de rede observado em uma requisição não resume sozinho sua função, e o nome declarado pelo programa também exige verificação. O Google publica orientações próprias para identificar sua infraestrutura.

Google-Agent identifica navegação realizada a pedido do usuário

Na lista de mecanismos acionados por usuários, o Google descreve Google-Agent como identificador empregado por agentes hospedados em seus servidores. A finalidade documentada é acessar a internet e executar ações em resposta a pedidos, em vez de fazer apenas o rastreamento automático da Pesquisa.

A documentação informa que mecanismos dessa categoria geralmente não seguem as regras do robots.txt, pois a consulta é iniciada pelo usuário. Esse comportamento deve ser interpretado no contexto de cada mecanismo, sem estender automaticamente uma característica para todos os robôs e produtos da empresa.

Por outro lado, um identificador apresentado em uma requisição pode ser imitado. Assim, a presença do nome Google-Agent em um registro não comprova, isoladamente, sua origem. A identificação técnica considera também as informações e os procedimentos publicados pela própria empresa para essa finalidade.

UCP oferece um padrão de comunicação para comércio

O Universal Commerce Protocol, ou UCP, é apresentado como um padrão aberto para conectar plataformas, agentes e empresas em operações comerciais. A especificação define estruturas de comunicação, permitindo que sistemas descrevam capacidades e troquem informações relacionadas à realização de uma compra.

O padrão não equivale à reprodução visual de uma loja. Em uma integração por protocolo, a informação circula em formatos definidos para os sistemas participantes. O fluxo depende das capacidades implementadas, das permissões existentes e das condições operacionais de cada serviço conectado.

Na documentação do Google para lojistas, a adoção do UCP aparece associada a ações comerciais no AI Mode e no Gemini. A empresa informa que o lojista continua responsável pela venda e mantém a relação com o cliente, dentro das condições da integração.

Integrações têm capacidades e condições de acesso próprias

O guia de implementação do Google diferencia opções para a conclusão de compras, incluindo integração nativa e alternativas específicas para lojistas aprovados. Essas possibilidades não representam acesso automático a qualquer empresa. A documentação apresenta condições de participação e caminhos próprios de implementação.

Da mesma forma, a existência de uma especificação não garante que uma ação esteja disponível em todos os mercados e produtos. Um padrão descreve como sistemas podem se comunicar; a oferta comercial de determinada plataforma define onde e para quem essa integração é utilizada.

O portal oficial do UCP documenta o padrão, enquanto o guia do Google para lojistas apresenta sua aplicação nos produtos da empresa. Os dois materiais tratam de integração comercial, sem definir uma fórmula de posicionamento nos resultados orgânicos.

MCP conecta aplicações de IA a sistemas externos

Outro padrão mencionado na conversa, o Model Context Protocol, ou MCP, descreve conexões entre aplicações de IA e sistemas externos. Sua documentação inclui fontes de dados, ferramentas e fluxos de trabalho. Ele permite expor capacidades a uma aplicação, respeitando a arquitetura da integração.

Nesse caso, uma ferramenta conectada e uma página pública não desempenham necessariamente a mesma função. A aplicação pode consultar uma fonte, receber informações e solicitar uma operação por uma interface definida. As permissões condicionam essa operação.

As orientações oficiais do MCP explicam esse mecanismo. Já a lista de mecanismos do Google acionados por usuários descreve clientes específicos da empresa. Ambos ajudam a separar a comunicação estruturada da navegação automatizada em páginas.

Entrevista apresenta uma visão de evolução dos agentes

A página original do episódio confirma a publicação da entrevista. As declarações sobre páginas e protocolos foram conferidas na transcrição disponível, com a distinção entre expectativa do executivo e funcionamento documentado de produtos existentes.

O Universal Commerce Protocol faz parte desse contexto de integração, mas sua existência não confirma a participação de uma loja específica. A conversa também não fornece uma estimativa de quantos acessos de agentes substituirão visitas humanas ou de como isso alterará receitas dos sites.

As informações disponíveis mostram caminhos que coexistem: programas acessam páginas, mecanismos executam pedidos e protocolos conectam sistemas. A previsão de Pichai é que essas abordagens continuem se desenvolvendo, sem um calendário único de adoção ou a indicação de que todas as empresas seguirão o mesmo percurso.

Gabriel Cardozo

Escrito por Gabriel Cardozo

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