Uma pesquisa realizada pela CHEQ, empresa israelense especializada em cibersegurança, mostrou que mais de 40% de todo o tráfego da internet é contestável. O estudo The State of Fake Traffic 2023 levou em conta mais de um bilhão de visitas em websites de 15 mil companhias.
A metodologia utilizada foi a seguinte: quando um usuário chega ao domínio, a ferramenta realiza mais de 2000 desafios de segurança cibernética em tempo real, o que permite determinar a validade da visita e bloquear o tráfego considerado malicioso ou inválido.
A empresa, que dedica esforços para interceptar esse tipo de ameaça, detectou que de 2021 para 2022 houve um aumento de 167% no volume de tráfego falso bloqueado.
Esse é um dado preocupante para profissionais de marketing de todas as áreas que utilizam ferramentas analíticas para recolhimento de informações, pois traz imprecisão aos relatórios e gera desperdício de gastos em mídia paga.
De acordo com o estudo, 35,7 bilhões de dólares (próximo a R$ 187 bilhões na cotação atual) em gastos com anúncios foram desperdiçados e 142,8 bilhões de dólares (cerca de R$ 748 bilhões na cotação atual) em receita foram perdidos.
O que é tráfego falso?
Tráfego falso (ou fake traffic) é aquele gerado a partir de fontes adulteradas. Ou seja, oriundo de práticas maliciosas como fraudes, fazendas de cliques, bots, ferramentas automáticas, contas falsas, spam, entre outras.
Esse é um perigo real para profissionais de marketing que despendem recursos ao atrair tráfego sem potencial de conversão em vendas.
Essas práticas prejudicam ações de marketing digital em diferentes níveis. Nas estratégias de mídia paga, representam um desperdício significativo em publicidade. Afinal, ao investir em anúncios online, espera-se que o investimento seja convertido em receita.
Para o tráfego orgânico, os dados recolhidos são poluídos e tornam-se inválidos. Isso danifica a mensuração de resultados em estratégias de inbound marketing, marketing de conteúdo e SEO, por exemplo.
Categorias de tráfego falso
Para a investigação, foram definidas três categorias de tráfego falso. Abaixo, veja quais são e o percentual relativo a cada uma quando comparado ao total de fake traffic.
- Atividade suspeita (44,3%): visitas que possuem características que implicam ameaça.
- Exemplos: data center, VPN, contas falsa e usuário escondido por proxy
- Atividade de bot (38,%): visitas via sistema automatizado que realiza tarefas pré-definidas e, muitas vezes, imita o comportamento humano.
- Exemplos: DDOS (Distributed Denial of Service) ou fraude de anúncio
- Atividade maliciosa (17,5%): visitas com intenções maliciosas.
- Exemplos: fraude de cartão de crédito ou roubo de contas.
Tipos de ameaça
As ameaças mais comuns detectadas no relatório da CHEQ foram as ferramentas automatizadas, com 20,1% de todo o tráfego falso bloqueado no mundo.
Na sequência aparece o “click hijacking”, prática que cresce 125% ao ano e representa 16,6% do total. Essa ação visa ludibriar o usuário para clicar em um link malicioso, levando-o a locais sem segurança e privacidade, permitindo invasões ou roubo de informações.
Outras atividades que configuram tráfego falso são a desabilitação de JavaScript, o uso de VPNs e Scrapers (ferramentas que vasculham visitam um site para coletar dados automaticamente).
Tráfego direto é a maior fonte de tráfego falso
A pesquisa da CHEQ mostra que o tráfego direto é o que possui o maior percentual de tráfego falso detectado (22,1%), seguido por streaming pago (11,1%) e display (7,2%), referente a anúncios veiculados em páginas de sites. A busca orgânica aparece com 5,4% e a busca paga com 5,5%.
Indústrias mais impactadas
Entre as indústrias mais impactadas pelo tráfego falso, o ramo de jogos e apostas é o que mais se destaca, com 49,1% do tráfego identificado como ilegítimo. A seguir, aparecem tecnologia (20%), telecomunicações (17,3%) e educação (17,2%).
América Latina se destaca pelo uso de VPN
Existem alguns pólos de tráfego gerado por meio de fontes contestáveis.
Embora apresente uma área vasta, a taxa de tráfego falso na América Latina é de 8,7%, percentual inferior às demais regiões analisadas: América do Norte (17%), EMEA (Europa, Oriente Médio e África, 18,9%) e APAC (Ásia-Pacífico, 18,1%).
O detalhe mais interessante corresponde ao tipo de ameaça mais frequente na região LATAM, que é a VPN, com 32,4% do total de tráfego falso. Na sequência aparecem data centers (15,2%) e ferramentas automatizadas (13,3%).
Gostou desta notícia? Então, leia também sobre o lançamento do Bard, ferramenta de IA do Google para competir com o ChatGPT, do Bing.
Cadastre-se gratuitamente para ver o conteúdo
Preencha o formulário para acessar o conteúdo completo.
Grátis. Sem spam. Cancele a qualquer momento.

Escrito por Lucas Amaral