93% dos brasileiros usam IA, mas só 54% entendem o que é, diz pesquisa

Pesquisa do Observatório Fundação Itaú com Datafolha ouviu 2.798 pessoas e revela adoção massiva de inteligência artificial no Brasil com lacuna significativa de compreensão

Pesquisa do Observatório Fundação Itaú em parceria com o Datafolha revelou que 93% dos brasileiros utilizam alguma ferramenta que aplica inteligência artificial. No entanto, apenas 54% dos entrevistados compreendem o significado do termo. O levantamento ouviu 2.798 pessoas com 16 anos ou mais em todas as regiões do país.

Os dados, coletados entre 7 e 15 de julho de 2025, mostram que 82% dos brasileiros já ouviram falar de IA, mas quase metade (46%) não entende o conceito apesar de usar a tecnologia diariamente. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

Para 75% dos entrevistados, a IA já faz parte do cotidiano — 32% consideram sua presença “muita” e 43% “alguma”. O uso mais frequente ocorre entre jovens de 16 a 24 anos e pessoas com ensino superior, enquanto a faixa acima de 60 anos e pessoas com escolaridade básica apresentam menor exposição.

Ferramentas de IA mais utilizadas

O uso de IA no Brasil ocorre predominantemente por meio de plataformas que os brasileiros já utilizam no dia a dia. As redes sociais com algoritmos de IA (Instagram, WhatsApp e Facebook) lideram com 89% de uso, seguidas por sistemas de recomendação como Netflix, YouTube e Spotify, com 78%.

Ferramentas de navegação como Waze e Google Maps, que utilizam IA para roteirização, são usadas por 63% dos entrevistados. Assistentes de voz como Alexa e Siri alcançam 54%. Já ferramentas de geração de texto como ChatGPT, Gemini e DeepSeek são usadas por 43% dos brasileiros, enquanto geradores de imagem e vídeo como Midjourney e DALL-E atingem 31%.

A distribuição revela que a maioria dos brasileiros interage com IA de forma indireta — através de algoritmos de redes sociais e recomendações automatizadas — sem necessariamente identificar essas interações como uso de inteligência artificial. Apenas as ferramentas generativas (texto e imagem) são percebidas como “IA” pela maioria dos usuários.

Lacuna entre uso e compreensão

A disparidade entre 93% de uso e 54% de compreensão varia conforme escolaridade e classe econômica. Entre pessoas com ensino superior, 97% já ouviram falar de IA, contra 61% entre aqueles com apenas ensino fundamental. A diferença se repete nas classes econômicas: 94% nas classes A/B contra 66% nas classes D/E.

A presença percebida de IA no cotidiano também segue esse padrão. Entre universitários, 47% classificam a presença como “muita”, enquanto entre pessoas com ensino fundamental esse percentual cai para 21%. A faixa etária de 25 a 34 anos registra a maior percepção de presença diária (41%).

A pesquisa indica que a lacuna de compreensão não impede o uso, mas pode limitar o aproveitamento estratégico da tecnologia. Profissionais com ensino superior utilizam IA para trabalho (74%) e estudo (73%) em proporções significativamente maiores que pessoas com ensino fundamental — 33% para trabalho e 25% para estudo.

Trabalho, estudo e preocupações

Entre os que utilizam ferramentas de IA, 70% as empregam para apoio no trabalho, lazer e estudo em proporções equivalentes. Os usos mais frequentes incluem pesquisa de temas (58%), resumo de documentos e respostas a perguntas (56%), recomendações (51%) e aprendizado ou busca de cursos (50%).

As preocupações com a tecnologia são expressivas: 56% acreditam que a IA pode substituir trabalhadores e profissões, e 49% veem a tecnologia como ameaça ao emprego. Entre os riscos mais citados, 42% temem a coleta descontrolada de dados pessoais, 36% se preocupam com uso malicioso e vigilância, e 34% citam desemprego em massa.

No lado positivo, 41% identificam avanço científico e inovação como principal benefício, seguidos por melhoria na qualidade da educação (41%) e avanços em diagnósticos médicos (39%). A inclusão social e acessibilidade para pessoas com deficiência são citadas por 35% dos entrevistados.

Uso de IA para saúde mental

Um dado que se destaca na pesquisa é o uso de IA para apoio emocional: 45% dos entrevistados já recorreram a ferramentas de IA para questões de saúde mental. Entre esses usuários, 58% avaliaram a experiência como útil, enquanto 42% não perceberam benefício.

Os usos mais comuns incluem alívio de ansiedade e estresse (27%), busca de conselhos pessoais (26%), conversas sobre sentimentos (21%) e meditação guiada (15%). O uso para apoio emocional é mais frequente na faixa de 25 a 34 anos (56%) e entre pessoas autodeclaradas pretas ou pardas (46%).

Esses dados indicam que ferramentas de IA como chatbots conversacionais já ocupam um papel que vai além da produtividade, funcionando como canal de apoio emocional para parcela significativa da população brasileira.

Regulação e confiança

A pesquisa revela demanda clara por regulamentação: 80% concordam que conteúdo gerado ou alterado por IA deveria ser legalmente identificado como tal. Além disso, 74% acreditam que deepfakes reduzem a confiança em mídias digitais.

As preocupações com desinformação são transversais: 77% temem o mau uso da IA sem regulamentação adequada e 76% se preocupam com a disseminação de informações falsas geradas pela tecnologia. A combinação de alta adoção com baixa compreensão amplifica os riscos percebidos pela população.

Acesso gratuito predomina

A pesquisa mostra que 69% dos brasileiros utilizam ferramentas de IA exclusivamente na versão gratuita, enquanto 11% pagam por acesso premium e 20% combinam ambas modalidades. O predomínio do acesso gratuito reforça a importância de modelos freemium para a democratização da tecnologia no Brasil.

Os dados regionais revelam diferenças na familiaridade com IA. O Sudeste lidera com 88% de pessoas que já ouviram falar do tema, seguido por Centro-Oeste (84%), Norte (83%), Sul (80%) e Nordeste (73%). Em áreas metropolitanas, 87% conhecem o termo, contra 79% no interior.

Os dados da pesquisa Fundação Itaú e Datafolha desenham um cenário em que a IA já está integrada ao cotidiano brasileiro de forma massiva, porém desigual. A lacuna de compreensão entre diferentes faixas de escolaridade e renda sugere que iniciativas de letramento digital em IA são necessárias para que a adoção se traduza em uso produtivo e consciente.

Foto de Escrito por Diego Ivo

Escrito por Diego Ivo

Diego é CEO da Conversion, agência Líder em SEO e especializada em Search. Possui mais de uma década de experiência no mercado digital e é um dos principais experts no Brasil em SEO.

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