OpenAI descontinua app de vídeo com IA após seis meses de operação citando custos computacionais elevados, enquanto Disney cancela investimento bilionário que incluía licenciamento de mais de 200 personagens
OpenAI anunciou o encerramento do Sora, aplicativo de geração de vídeo com inteligência artificial lançado há seis meses. A decisão implica o desligamento do app iOS, da API e do site Sora.com.
A consequência mais significativa da decisão é o cancelamento do acordo com a Disney, que previa investimento de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,2 bilhões, na cotação atual) na OpenAI. Nenhum valor chegou a ser transferido entre as empresas.
A empresa afirmou que a equipe de pesquisa do Sora será redirecionada para simulação de mundo aplicada à robótica, sinalizando um pivô estratégico de produtos experimentais de consumo para ferramentas de produtividade empresarial.
Acordo com Disney incluía 200 personagens de quatro franquias

O contrato entre OpenAI e Disney previa investimento de US$ 1 bilhão e licenciamento de mais de 200 personagens de quatro franquias: Disney, Marvel, Pixar e Star Wars. O acordo havia sido assinado no ano anterior como parte da expansão da OpenAI no mercado de entretenimento.
Com o encerramento do Sora, a Disney optou por cancelar integralmente o investimento. A empresa de entretenimento não transferiu nenhum valor à OpenAI antes da descontinuação do produto.
O colapso do acordo representa uma perda dupla para a OpenAI: além do capital de US$ 1 bilhão, a empresa perde acesso a um catálogo de propriedade intelectual que teria diferenciado o Sora de concorrentes no mercado de geração de vídeo.
Downloads despencaram 67% em três meses

O Sora foi lançado em setembro de 2025 e alcançou o topo da App Store da Apple imediatamente. Em menos de cinco dias, o aplicativo superou 1 milhão de downloads, indicando forte interesse inicial do mercado.
O pico de downloads ocorreu em novembro de 2025, quando o app registrou 3,3 milhões de downloads no mês. No entanto, o engajamento caiu rapidamente — em fevereiro de 2026, os downloads haviam recuado para 1,1 milhão, uma redução de 67% em relação ao pico.
A queda sustentada no engajamento sinalizou que o formato de rede social baseada exclusivamente em conteúdo gerado por IA não conseguiu reter usuários de forma consistente.
Custos computacionais inviabilizaram operação
A OpenAI citou custos computacionais elevados como fator determinante para o encerramento. A geração de vídeo com IA consome significativamente mais recursos de processamento do que texto ou imagens, tornando a operação economicamente insustentável sem receita proporcional.
A empresa enfrenta pressão crescente para otimizar alocação de recursos computacionais à medida que prepara uma oferta pública inicial (IPO). Produtos experimentais de consumo sem caminho claro para monetização estão sendo descontinuados.
Segundo a OpenAI: “À medida que a demanda por computação cresce, a equipe de pesquisa do Sora continuará focada em pesquisa de simulação de mundo para avançar a robótica que ajudará pessoas a resolver tarefas físicas do mundo real”.
Pivô estratégico para enterprise e ferramentas de produtividade
O encerramento do Sora faz parte de uma consolidação mais ampla do portfólio da OpenAI. A empresa está concentrando recursos em produtos empresariais, ferramentas de codificação e agentes autônomos — segmentos com maior potencial de monetização.
A decisão acompanha o movimento de consolidar o ChatGPT como plataforma central, integrando funcionalidades como o assistente de código Codex e o navegador Atlas em um único aplicativo desktop.
Modelo Sora 2 permanece como tecnologia de pesquisa
Embora o aplicativo voltado ao consumidor seja descontinuado, o modelo subjacente Sora 2 continuará sendo desenvolvido como tecnologia de pesquisa. A equipe técnica será redirecionada para simulação de mundo aplicada à robótica.
A transição indica que a OpenAI vê mais valor na tecnologia de geração de vídeo como infraestrutura para robótica do que como produto de consumo direto. O conhecimento acumulado no desenvolvimento de modelos de vídeo será aplicado ao treinamento de sistemas robóticos que precisam compreender e simular ambientes físicos.