Estudo da Seer Interactive aponta queda de 61% no CTR após AI Overviews; Liz Reid, do Google, atribui perda a “bounce clicks” que não geravam engajamento real.
Um estudo da Seer Interactive mostra que a taxa de cliques (CTR) na busca do Google caiu 61% após a expansão dos AI Overviews. A análise cobriu 5,47 milhões de queries de 53 marcas entre setembro e novembro de 2025 e indica deterioração consistente do CTR mesmo com cliques absolutos pouco abaixo dos picos do período.
Em paralelo, Liz Reid, vice-presidente de Search do Google, apresentou em entrevista à Bloomberg uma defesa contra a leitura de queda no tráfego. A executiva descreveu como “bounce clicks” os cliques perdidos com AI Overviews, argumentando que se trata de visitas curtas em que o usuário retornava rapidamente para a busca.
As duas narrativas chegaram ao mercado em janela de poucos dias. Os números independentes da Seer convergem com dados da Pew Research e da Chartbeat, ampliando a discussão sobre o impacto real dos AI Overviews no tráfego orgânico de publishers e marcas.
O estudo da Seer Interactive: 5,47 milhões de queries
A pesquisa cruzou dados de 53 marcas que autorizaram o uso de suas métricas anonimizadas, totalizando 5,47 milhões de queries entre setembro e novembro. A escolha do período coincide com a expansão de AI Overviews para mais consultas e a inclusão de fontes adicionais nos resumos gerados.
Conforme o relatório, o CTR médio caiu de 1,76% em 2024 para 0,61% em 2025, queda equivalente a 61%. O recuo ocorre em diferentes verticais e tamanhos de marca, com variações pontuais, mas direção consistente.
CTR de 1,76% para 0,61%: o que mostram os números
Os volumes mensais ajudam a entender a curva. Em setembro, o estudo registrou 398.798 cliques. Em outubro, o número subiu ligeiramente para 400.271. Já em novembro, caiu para 301.783, queda de cerca de 25% em relação ao mês anterior.
As impressões, no entanto, seguem trajetória oposta. “Em outubro, as impressões dobraram para 33,1 milhões e os cliques subiram ligeiramente para 400.271, mas o CTR caiu para 1,21%, com o rápido crescimento de impressões superando o de cliques”, afirma o relatório da Seer Interactive. Em novembro, as impressões chegaram a 39,5 milhões, mas o CTR recuou para 0,76%.
A resposta do Google: ‘bounce clicks’ segundo Liz Reid
Em aparição na Bloomberg, Liz Reid descreveu o impacto dos AI Overviews como redução de “bounce clicks”, categoria de cliques curtos em que o usuário retornava rapidamente para a busca após visitar a página. Conforme a executiva, esses cliques não representavam engajamento real e estariam mascarando a qualidade do tráfego orgânico antes da era da IA generativa.
A argumentação retoma posições anteriores da própria Reid. Em post de agosto no blog do Google, a executiva já havia descrito o volume orgânico como “relativamente estável” e definido “quality clicks” como visitas em que os usuários não retornam rapidamente para a SERP. Em outubro, em entrevista ao Wall Street Journal, ela usou explicitamente o termo “bounced clicks”.
Volume absoluto: por que cliques estáveis ainda preocupam
Já a leitura do Google de que cliques absolutos estão “relativamente estáveis” não fecha com os dados de queda em verticais específicas. Na Chartbeat, por exemplo, o tráfego do Google para publishers globais caiu cerca de um terço, queda incompatível com estabilidade agregada.
A Pew Research, por sua vez, mediu taxa de clique de 8% nas SERPs com AI Overviews ante 15% nas SERPs sem o resumo gerado por IA. A discrepância tem implicações diretas para estratégias de SEO que historicamente otimizavam para cliques no resultado orgânico tradicional.
Marcas e publishers passam a precisar diferenciar dois efeitos distintos. De um lado, perda real de tráfego em queries informacionais simples, em que o AI Overview já entrega a resposta. De outro, ganho potencial em queries em que o usuário precisa mesmo aprofundar — onde o argumento dos “quality clicks” da Reid teria sustentação empírica.
O que dizem outras fontes independentes
Além da Seer, da Chartbeat e da Pew Research, dados de SEMrush, Similarweb e ferramentas internas de marcas começam a mapear o efeito por categoria. O padrão geral aponta queda mais aguda em queries informacionais e estabilidade ou alta em queries transacionais e de marca.
A divergência entre o que o Google publica e o que o mercado mede está, portanto, na metodologia. A companhia agrega o universo de cliques em todas as queries; estudos externos focam em queries específicas ou em verticais de publishers afetados pela mudança no layout da SERP.
O que monitorar nas próximas semanas
Diversos trackers passaram a apontar volatilidade elevada na SERP a partir do dia 23 de abril, mesmo após o Core Update de março ter sido oficialmente concluído. O timing coincide com a entrevista de Reid à Bloomberg e com a divulgação do estudo da Seer, intensificando a discussão sobre estabilidade do tráfego.
Para profissionais de marketing e SEO, a janela exige acompanhamento granular por tipo de query e por vertical. A migração de buscas para AI Overviews, ChatGPT, Perplexity e redes sociais como buscadores pressiona a definição de KPIs além do clique no resultado orgânico clássico.
Por fim, a própria Seer indica que vai atualizar o estudo trimestralmente. Mais dados nas próximas semanas devem clarear se a queda é estrutural ou se há acomodação após o ciclo de novidades em IA generativa do Google.