Estudo Trope-se realizado com 1.100 respondentes mostra que 75% da Gen Z brasileira acompanha a Copa, com 30% focados em jogos da seleção e apenas 3% fora do torneio.
Geração Z brasileira chega à Copa do Mundo de 2026 com nível de engajamento próximo ao das gerações anteriores. Estudo da Trope-se, conduzido por meio do InstitutoZ, ouviu 1.100 respondentes de diferentes regiões do país e mostrou que 75% dos jovens declaram alto envolvimento com o torneio.
Por trás disso, o consumo é majoritariamente concentrado na seleção brasileira. Trinta por cento da amostra acompanha apenas os jogos do Brasil, enquanto outros 12% afirmam acompanhar qualquer partida transmitida. Apenas 3% relatam não seguir a Copa — sinal de que o evento mantém peso cultural relevante.
Em paralelo, a percepção da identidade futebolística do país segue estável. Sessenta e nove por cento dos respondentes consideram o Brasil ainda o “país do futebol”, indicador útil para marcas que constroem narrativa em torno de seleção e identidade nacional na campanha do mundial.
O que o estudo mostra
A pesquisa do InstitutoZ recortou comportamento de consumo de mídia esportiva entre jovens brasileiros. A amostra de 1.100 pessoas, distribuída em diferentes regiões do país, foi montada para captar variação geográfica e socioeconômica relevante para análises de mídia.
Em primeiro lugar, o número de 75% de alto engajamento ancora a leitura. O patamar coloca a Copa em posição superior à da maioria dos eventos esportivos pesquisados anteriormente entre Gen Z, segundo o time da Trope-se.
Por sua vez, a comparação interna entre os perfis traz nuances. Quem segue só seleção (30%) tende a buscar conteúdo mais factual e patriótico; quem acompanha qualquer jogo (12%) procura programação contínua; e os 75% gerais englobam padrões intermediários, com fluxo guiado por destaques e recortes em redes sociais.
A força dos jogos da seleção
Trinta por cento dos jovens concentram o consumo nos jogos do Brasil. O recorte indica que campanhas atreladas à seleção têm chance de ativar audiência massiva em janelas concentradas, especialmente na fase de grupos e no mata-mata.
Em complemento, o número fortalece formatos de patrocínio direto à seleção e ações pontuais durante jogos. Marcas que operam em regime contínuo durante o torneio podem priorizar momentos do Brasil, com peso adicional para comunicação em tempo real e formatos de mídia interativa.
Concretamente, os 12% que acompanham qualquer jogo abrem segunda janela. Esse perfil, mais presente em conteúdo de fantasy, perfis especializados e plataformas de streaming, recompensa marcas com narrativas táticas, dados e cobertura de jogos fora do eixo brasileiro.
Identidade brasileira no futebol
A percepção do Brasil como “país do futebol” segue forte entre Gen Z. O índice de 69% sugere que o lastro cultural permanece, mesmo após resultados recentes em mundiais terem provocado reflexão pública sobre a identidade futebolística brasileira.
Em contraste, o número também indica que cerca de um terço dos jovens já lê o Brasil de forma diferente. Esse subgrupo abre espaço para campanhas que rompam o lugar-comum de ‘país do futebol’ e proponham repertórios alternativos — esporte feminino, novos territórios do esporte, futebol comunitário.
Como consequência, o desafio criativo se diversifica. Marcas precisam decidir se reforçam o repertório clássico, se contestam parte dele ou se equilibram os dois, dependendo do segmento e do momento da campanha.
O que muda para marcas patrocinadoras
Para marcas patrocinadoras, o estudo confirma a base de audiência. A Gen Z entra na Copa em peso, em um cenário em que a publicidade digital no Brasil cresceu 12,7% em 2025 e abriu mais inventário para ativações em torno do mundial.
Em termos práticos, a combinação aponta para mídia digital integrada ao calendário da Copa. Streaming, plataformas sociais, criadores de conteúdo e segundo telão dominam a jornada do jovem durante o torneio, segundo padrões já registrados em mundiais anteriores.
Estrategicamente, o desafio das marcas é alinhar a presença em mídia tradicional com a parte digital. Spots em transmissão de TV continuam sendo gatilho de relevância, mas o engajamento sustentado depende de cobertura paralela em redes, criadores e formatos de fundo de funil.
Perfis dentro da Geração Z
O recorte da pesquisa permite traçar perfis. O torcedor “Brasil-only” reúne 30% e busca produto associado à seleção; o torcedor “qualquer jogo” responde por 12% e tende a consumir conteúdo internacional; o intermediário gravita entre os dois e responde a recortes específicos.
Em paralelo, o perfil “fora do torneio” representa apenas 3%. O dado, extremamente baixo para padrões de consumo geral, ajuda marcas a calibrar produção criativa: praticamente toda a Gen Z brasileira está dentro da conversa, com graus distintos de imersão.
Por outro lado, o número também recomenda cautela com mensagens muito segmentadas. A maior parte da Gen Z transita entre os perfis durante o torneio, e campanhas excessivamente travadas em uma única chave podem perder janela com quem alterna comportamentos ao longo das semanas.