Google testa dois formatos publicitários inéditos dentro do AI Mode da busca; Conversational Discovery Ads usa Gemini para gerar criativos contextuais e Highlighted Answers insere ads em respostas.
Google iniciou testes de dois novos formatos publicitários dentro do AI Mode, modalidade de busca conversacional baseada em inteligência artificial. Os formatos, Conversational Discovery Ads e Highlighted Answers, foram apresentados nesta semana e prometem inserir anúncios diretamente no fluxo de respostas geradas por IA.
A movimentação amplia o escopo de monetização do AI Mode, que vinha recebendo atualizações progressivas desde o início de 2026. Ambos os formatos são alimentados pelo Gemini, o modelo de IA da empresa, e adaptam criativos publicitários ao contexto da consulta do usuário em tempo real.
O Google manteve sinalização de que anúncios continuam “clearly labeled as sponsored” — claramente identificados como patrocinados — dentro das respostas. Os formatos estão em fase de teste, sem data confirmada para disponibilidade global ou para mercados específicos como o Brasil.
Os dois novos formatos anunciados pelo Google
A empresa apresentou os dois formatos como parte de uma evolução do modelo publicitário da busca, agora adaptado a consultas conversacionais longas e exploratórias. A premissa central é que a estrutura tradicional de palavras-chave perde eficácia em consultas de linguagem natural, exigindo nova abordagem.
O Conversational Discovery Ads opera durante a conversa entre usuário e IA, gerando criativos contextuais com base na intenção identificada no diálogo. O formato substitui o modelo de leilão por palavra-chave por sistema de matching semântico mais amplo.
O Highlighted Answers atua de maneira distinta: posiciona anúncios diretamente dentro de listas de recomendações geradas pela IA, antes que o usuário finalize uma decisão de compra ou escolha. O criativo aparece integrado ao conteúdo da resposta, com sinalização visual de patrocínio.
Como funciona o Conversational Discovery Ads
O formato responde a consultas exploratórias longas, como “preciso de uma cafeteira para casa pequena com prensa francesa”. A IA identifica o contexto e os atributos relevantes, e o sistema publicitário gera criativo que destaca atributos específicos do produto correspondente.
O processo combina três etapas: análise da consulta com Gemini, identificação de produtos elegíveis no inventário do Google Shopping ou na base do anunciante, e geração dinâmica do criativo. O resultado é entregue como bloco contextual dentro da resposta, com link patrocinado.
A diferença em relação a anúncios de busca tradicionais é a substituição do gatilho por palavra-chave pelo gatilho por intenção. Anunciantes não precisam definir palavras-chave específicas; o sistema infere relevância a partir do diálogo e do contexto da sessão.
Como funciona o Highlighted Answers
O Highlighted Answers insere anúncios em listas que a IA gera como resposta a consultas comparativas ou de recomendação. Em uma pergunta como “quais as melhores cafeteiras de 2026”, o sistema pode incluir um ou mais anúncios marcados dentro da lista de sugestões.
Os anúncios são acompanhados de explicações geradas por IA (AI-generated explainers), textos curtos sobre por que o produto corresponde à consulta. Essas explicações usam dados do anunciante, descrição do produto e contexto da conversa para sintetizar o argumento de relevância.
O Google sinaliza que o AI Mode passa a ter monetização nativa via Highlighted Answers, sem dependência exclusiva de Shopping Ads ou anúncios tradicionais de busca.
Tecnologia Gemini por trás dos formatos
Ambos os formatos publicitários dependem do Gemini, modelo multimodal do Google, para três operações: compreensão da intenção do usuário, identificação de produtos relevantes no inventário e geração de criativo personalizado. A integração ocorre em tempo real, durante a sessão de busca.
A primeira expansão de anúncios no AI Mode incluiu Shopping, Travel e Direct Offers com checkout integrado, conforme documentado em abril. Os novos formatos completam o portfólio com opções voltadas a categorias não-transacionais e consultas exploratórias.
A camada de personalização também usa sinais comportamentais do usuário, como histórico recente de buscas e atributos demográficos. O Google não detalhou o nível de granularidade dos sinais utilizados nem o tratamento de privacidade aplicado a esses dados.
Status atual: testes sem data oficial
O Google não confirmou data oficial de lançamento global para nenhum dos dois formatos. A empresa indicou que os testes estão em andamento dentro do AI Mode, mas não detalhou tamanho da base de teste, mercados envolvidos ou critérios de elegibilidade para anunciantes participantes.
A medição também ainda está em definição. Em consultas conversacionais longas, mais difíceis de atribuir a uma única decisão de compra, o modelo tradicional de cliques pode perder eficácia. O Google indicou que trabalha em métricas adaptadas ao formato, sem divulgar detalhes técnicos.
A documentação oficial dos formatos para anunciantes não havia sido publicada no Google Ads Help nas plataformas consultadas. Anunciantes interessados em participar dos testes podem entrar em contato com gerentes de conta do Google.
Mudança no modelo de medição publicitária
Os anúncios em AI Mode introduzem novos desafios para medição de desempenho (performance). Consultas conversacionais não terminam em clique único, mas em sequência de interações com a IA, dificultando atribuição precisa de conversão.
O Google sinalizou que está trabalhando em métricas adaptadas, incluindo sinais de intenção, engajamento com a conversa e completude do funil dentro da sessão. As métricas tradicionais — CTR, CPC, CPM — permanecem disponíveis, mas perdem parte do significado isolado.
A diretiva do Google a anunciantes é reforçar três pilares para desempenho no novo modelo: qualidade do criativo, conteúdo das páginas de destino (landing pages) e sinais de conversão de dados próprios (first-party). Esses três elementos pesam mais quando a consulta é semântica e exploratória.
Contexto de mercado: pressão sobre confiança em IA
A introdução de anúncios em respostas de IA enfrenta resistência documentada do público. Pesquisa do Ipsos com americanos mostrou que 63% consideram que anúncios em busca por IA reduzem confiança nos resultados, publicada em fevereiro.
O Google argumenta que a marcação visual clara de patrocínio mantém a transparência. A empresa também aposta em formato menos intrusivo — anúncios integrados ao contexto, em vez de blocos separados como nos resultados orgânicos tradicionais.
Concorrentes como o ChatGPT também avançam em testes publicitários no mesmo período. A OpenAI iniciou em maio expansão do Ads Manager Beta com novos controles de orçamento e segmentação geográfica (geo-targeting), em movimento paralelo ao do Google quanto ao modelo de monetização de IA generativa.