Ahrefs: schema markup quase não move citações de IA em estudo com 1.885 páginas

Estudo Ahrefs com 1.885 URLs e 4.000 páginas controle mostra que adicionar JSON-LD não eleva citações no ChatGPT e no AI Mode, e pode até reduzir aparições no AI Overviews.

A Ahrefs publicou esta semana o estudo “We Tracked 1,885 Pages Adding Schema. AI Citations Barely Moved.”, que testou se adicionar schema markup eleva citações em respostas geradas por IA. O resultado contraria uma hipótese popular no mercado SEO.

Os dados mostram queda de 4,6% em citações no AI Overviews após adição de JSON-LD, variação positiva mas estatisticamente nula no AI Mode (+2,4%) e no ChatGPT (+2,2%). A diferença em AI Overviews é a única com significância estatística, com odds de 1 em 2.500 de ocorrer por acaso.

Por sua vez, um experimento paralelo da searchVIU, citado no relatório, testou cinco sistemas de IA — ChatGPT, Claude, Perplexity, Gemini e AI Mode — e nenhum usou dados estruturados em retrieval direto. Todos extraíram apenas conteúdo HTML visível, ignorando JSON-LD, Microdata e RDFa.

Estudo Ahrefs analisa 1.885 páginas em janela de 30 dias

O experimento foi conduzido por Louise Linehan e Xibeijia Guan, com revisão de Ryan Law, todos da Ahrefs. O time identificou 1.885 URLs que adicionaram JSON-LD entre agosto de 2025 e março de 2026 e cruzou com 4.000 páginas controle de comportamento similar.

Em seguida, a metodologia comparou citações nas três plataformas (AI Overviews, AI Mode e ChatGPT) em duas janelas: 30 dias antes da adição do schema e 30 dias depois. Para cada URL tratada, o time selecionou três páginas controle com nível de citação pré-tratamento equivalente, totalizando uma das maiores amostras públicas sobre o tema.

A análise inicial varreu seis milhões de URLs para mapear a prevalência de schema markup, antes de filtrar para a amostra final do experimento. Conforme a Ahrefs, esse rigor metodológico busca isolar o efeito do schema das demais variáveis de SEO.

AI Overviews registra queda de 4,6% após adição de schema

No agregado, as páginas que ganharam JSON-LD viram citações no Google AI Overviews caírem 4,6% no período pós-tratamento, quando comparadas ao grupo de controle. A queda é pequena em magnitude, porém estatisticamente significativa: a chance de o resultado ocorrer ao acaso é de 1 em 2.500.

Já no Google AI Mode, a variação foi de +2,4%, considerada estatisticamente nula pela própria Ahrefs. O mesmo cenário aparece no ChatGPT, com +2,2% — número dentro da margem de erro da amostra.

Em outras palavras, a Ahrefs interpreta os números do AI Mode e do ChatGPT como ruído. Para o AI Overviews, a empresa observa que a queda exige explicação adicional, mas não aponta causa direta no estudo.

Experimento da searchVIU detecta que IAs ignoram dados estruturados

Em paralelo, a Ahrefs cita um experimento da searchVIU que testou cinco sistemas de IA em modo de retrieval direto: ChatGPT, Claude, Perplexity, Gemini e Google AI Mode. Todos extraíram exclusivamente conteúdo HTML visível das páginas analisadas.

O resultado revela que JSON-LD, Microdata oculto e RDFa oculto foram simplesmente ignorados pelos cinco sistemas. Nenhum dos crawlers usados pelas plataformas leu o markup estruturado durante o fetch em tempo real.

Em complemento, esse achado ajuda a explicar o resultado da Ahrefs: se as IAs não leem JSON-LD durante a busca, o markup não tem como alterar diretamente a probabilidade de citação. A pesquisa, contudo, não fecha o tema em definitivo.

Estudo cita limitações relevantes na amostra e na metodologia

A Ahrefs reconhece limitações importantes no desenho do experimento. Páginas que adicionam JSON-LD frequentemente alteram outros elementos ao mesmo tempo, como links internos, conteúdo, performance técnica e correções diversas — o que dificulta isolar o efeito do schema.

Além disso, o estudo agrupou tipos de schema (Article, FAQ, Product, HowTo, Organization) em uma única análise, sem medir efetividade por tipo. A janela de 30 dias pós-tratamento e a exclusão de schema injetado via JavaScript também aparecem na lista de limitações.

Outra restrição é que as páginas da amostra já recebiam citações de IA de forma consistente antes do tratamento — cada uma com 100+ citações no AI Overviews em fevereiro de 2025. O efeito sobre páginas zeradas em citações não é coberto pelo estudo.

Recomendação prática é A/B test com Brand Radar

Para profissionais de SEO interessados em medir o impacto do schema na própria operação, a Ahrefs recomenda rodar testes A/B internos. A ferramenta sugerida é o Brand Radar, da própria empresa, que permite comparar páginas tratadas contra controles ao longo de 30 dias ou mais.

Conforme a Ahrefs, o teste só confirma impacto do schema quando os dois grupos seguem trajetórias claramente distintas. Em outras palavras, a leitura de “schema sempre ajuda” precisa de evidência específica do contexto e do tipo de schema aplicado.

Logo, a recomendação inverte o padrão atual de adicionar JSON-LD por padrão e sem teste. A consultoria defende um modelo orientado a dados, no qual cada implementação passa por validação antes de ser adotada como prática.

Resultado abre debate sobre prioridade do schema em estratégias AEO

O estudo entra em circulação em um momento de debate sobre Answer Engine Optimization (AEO) e Generative Engine Optimization (GEO). Times de SEO ao redor do mundo discutem se práticas tradicionais — como dados estruturados ricos — seguem efetivas para citações em respostas geradas por IA.

Nesse cenário, a pesquisa da Ahrefs aponta que, para páginas já citadas, o JSON-LD não é alavanca relevante. Contudo, o trabalho não esgota o tema. O comportamento em páginas sem histórico de citação, o efeito por tipo de schema e janelas de observação maiores ficam abertos para investigação futura.

Em síntese, para a Ahrefs, o achado central é prático: o markup estruturado pode continuar tendo valor para resultados ricos no Google clássico, mas não funciona como atalho para conquistar citações em ChatGPT, Gemini ou AI Mode.

Foto de Escrito por Diego Ivo

Escrito por Diego Ivo

Diego é CEO da Conversion, agência Líder em SEO e especializada em Search. Possui mais de uma década de experiência no mercado digital e é um dos principais experts no Brasil em SEO.

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Diego é CEO da Conversion, agência Líder em SEO e especializada em Search. Possui mais de uma década de experiência no mercado digital e é um dos principais experts no Brasil em SEO.

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