CEO Brian Chesky confirmou durante earnings call do Q4 2025 que visitantes vindos de ChatGPT, Gemini e Claude apresentam taxa de conversão superior ao tráfego originado no Google
Airbnb divulgou durante o earnings call do quarto trimestre de 2025 que o tráfego originado em chatbots de inteligência artificial apresenta taxa de conversão superior ao tráfego vindo do Google. A declaração foi feita pelo CEO Brian Chesky em chamada com investidores realizada em 12 de fevereiro.
Chesky não revelou percentuais específicos de conversão nem o volume de tráfego proveniente de chatbots. Ainda assim, a afirmação marca a primeira vez que uma empresa de grande porte compara publicamente a qualidade do tráfego de IA com a do Google.
A declaração reforça uma tendência que altera a dinâmica de aquisição de clientes no marketing digital.
O que Chesky declarou sobre chatbots e conversão
Em suas palavras, Chesky afirmou que “o tráfego que vem de chatbots converte a uma taxa mais alta do que o tráfego que vem do Google”. O executivo descreveu os chatbots como canais de aquisição, não como concorrentes.
Segundo o CEO, plataformas de IA funcionam de forma “muito similar à busca” e representam “descobertas de topo de funil muito boas”. Essa visão posiciona chatbots como fonte complementar de demanda, não substituta.
A empresa não identificou quais chatbots geram mais tráfego, mas mencionou ChatGPT, Gemini e Claude como plataformas monitoradas.
Por que o tráfego de IA converte melhor
A hipótese mais aceita é que usuários que chegam ao Airbnb via chatbots estão em estágio mais avançado da jornada de compra. Chatbots de IA funcionam como assistentes de pesquisa que refinam preferências antes de direcionar o usuário ao site.
Diferentemente de uma busca genérica no Google, onde o usuário pode estar apenas explorando opções, uma conversa com um chatbot tende a filtrar destinos, datas e tipos de acomodação. O resultado é um visitante com intenção de compra mais definida.
Esse padrão de comportamento sugere que chatbots de IA atuam como qualificadores de leads antes mesmo do primeiro clique no site de destino.
Estratégia de IA do Airbnb
Além de monitorar o tráfego externo de chatbots, Airbnb desenvolve funcionalidades próprias de IA. A empresa testa uma busca conversacional com inteligência artificial disponível para uma pequena parcela de usuários.
Chesky indicou que a prioridade é “acertar a busca com IA primeiro” antes de integrar listagens patrocinadas. A abordagem sugere uma implementação gradual, com iterações rápidas em vez de lançamentos de grande escala.
No atendimento ao cliente, o chatbot de IA do Airbnb já resolve aproximadamente um terço dos tickets de suporte na América do Norte sem intervenção humana. A meta é superar significativamente os 30% dentro de um ano.
Implicações para marketing digital
Para profissionais de marketing, a declaração do Airbnb levanta questões estratégicas sobre a alocação de orçamento. Se o tráfego de chatbots de IA como o ChatGPT converte melhor que o do Google, a otimização para visibilidade em plataformas de IA ganha relevância.
Isso não significa abandonar SEO tradicional. Chesky descreveu chatbots como canais complementares de aquisição, reforçando a tese de que estratégias multicanal continuam necessárias.
Contudo, empresas que ignorarem a presença em chatbots de IA podem perder acesso a um segmento de tráfego com maior propensão à conversão.
Contexto de mercado
A declaração surge em um momento de transformação no cenário de busca e descoberta na internet. Dados recentes indicam que a participação de mercado do ChatGPT caiu de 69% para 45% no último ano, enquanto o Gemini do Google subiu de 14,7% para 25,2%.
A fragmentação do mercado de chatbots de IA cria múltiplos pontos de entrada para o consumidor. Para marcas, isso significa monitorar não apenas o Google, mas todo o ecossistema de assistentes de IA como fonte de tráfego qualificado.
Airbnb já se posiciona nesse cenário ao tratar chatbots como canal de aquisição mensurável, uma postura que outras empresas provavelmente seguirão nos próximos meses.