Estudo da SE Ranking analisou 50.032 consultas comerciais nos Estados Unidos e encontrou anúncios em 29,45%, sem ganho aparente de citações
Anúncios de texto apareceram em 14.733 das 50.032 consultas comerciais avaliadas no AI Mode do Google, proporção de 29,45%. O levantamento foi conduzido pela SE Ranking com dados coletados nos Estados Unidos.
A pesquisa também comparou os anunciantes exibidos com as fontes usadas nas respostas. Em 88% das consultas que continham publicidade, o domínio do anunciante não apareceu entre as páginas citadas pelo AI Mode.
Os resultados indicam que presença paga, citação na resposta e posição orgânica funcionaram como camadas diferentes no recorte analisado. A metodologia excluiu carrosséis de produtos e concentrou-se em anúncios de texto.
Estudo analisou 50.032 consultas comerciais
A amostra reuniu 50.032 palavras-chave distribuídas por 20 nichos, com aproximadamente 2.500 termos em cada categoria. Todas tinham intenção comercial e foram selecionadas para permitir a exibição de anúncios de texto.
A coleta ocorreu em 30 de junho nos Estados Unidos. Como o AI Mode pode variar entre sessões, o levantamento representa uma fotografia do produto naquele momento, não uma medição contínua de todas as buscas.
Além disso, os pesquisadores retiraram os carrosséis de produtos do cálculo. Assim, a taxa de 29,45% descreve especificamente a presença de anúncios de texto nas condições definidas pelo estudo, sem incluir outros formatos comerciais.
Quase três em cada dez consultas exibiram anúncios
Das 50.032 palavras-chave, 14.733 retornaram pelo menos um anúncio de texto. Em 71,1% desses casos, a resposta apresentou dois itens publicitários; os 28,9% restantes exibiram apenas uma inserção paga na interface analisada.
A incidência variou conforme o valor comercial da consulta. Termos com custo por clique inferior a US$ 2 apresentaram anúncios em 24,33% dos casos, enquanto a proporção chegou a 53,56% entre palavras-chave de US$ 10 ou mais.
A diferença mostra uma associação entre valor publicitário e presença de anúncios dentro da amostra. O estudo não afirma que o custo por clique seja a única variável usada pelo sistema.
Anunciantes ficaram fora das fontes em 88% dos casos
Na sequência, a análise verificou se o domínio do anunciante também aparecia entre as fontes citadas na resposta gerada. Em 88% das consultas com publicidade, essa coincidência entre as duas áreas não ocorreu.
O resultado separa dois mecanismos: a compra de mídia determina a participação no espaço patrocinado, enquanto a seleção de fontes segue o processo usado pelo AI Mode para sustentar a resposta.
Portanto, o levantamento não encontrou evidência de que a presença paga elevasse, por si só, a probabilidade de citação. A conclusão fica restrita ao conjunto de consultas e à data da coleta.
A maioria dos anunciantes também não estava no resultado orgânico
Cerca de 85% dos anunciantes não apareciam nos resultados orgânicos para as mesmas palavras-chave em que seus anúncios foram exibidos. Esse dado reforça a falta de correspondência direta entre as três superfícies.
Nesse cenário, um domínio poderia comprar o anúncio sem ocupar uma posição orgânica ou ser citado. Da mesma forma, uma fonte poderia sustentar a resposta gerada sem participar do bloco publicitário exibido ao usuário.
Portanto, o comportamento documentado exige métricas separadas para cada presença: as impressões e conversões para a mídia paga, as posições e os cliques para a busca orgânica, além das citações nas respostas de IA.
Nichos apresentaram diferenças superiores a 69 pontos
A incidência de anúncios variou de mais de 72% a menos de 3% conforme o nicho. Categorias associadas à geração de leads registraram maior presença, enquanto áreas informacionais e sensíveis exibiram proporções menores.
Essa amplitude impede aplicar a média de 29,45% de forma uniforme a qualquer mercado. Na prática, uma categoria pode operar muito acima ou abaixo do total observado na amostra, conforme o valor comercial das consultas.
Por outro lado, os dados cobrem apenas as consultas realizadas nos Estados Unidos. O estudo não mediu o comportamento do AI Mode no Brasil nem comparou as configurações regionais de publicidade entre diferentes países.
Metodologia limita comparações com outras pesquisas
A seleção exclusiva de palavras-chave comerciais aumenta a probabilidade de publicidade em relação a uma amostra geral de buscas. Consultas informacionais, navegacionais e sem intenção de compra não fizeram parte do universo principal.
A coleta em uma única data também não mede frequência ao longo do tempo. Como uma mesma consulta pode exibir anúncios em uma sessão e não em outra, repetições diárias poderiam produzir proporções diferentes.
Outro limite é geográfico. Configurações de campanha, disponibilidade do produto e pressão competitiva variam entre países. Por isso, os percentuais dos Estados Unidos não devem ser transpostos diretamente para o mercado brasileiro.
Ainda assim, a amostra permite comparar anúncios, fontes e posições orgânicas sob as mesmas condições. Essa consistência sustenta a conclusão restrita de que as três formas de visibilidade tiveram pouca coincidência no conjunto analisado.
Consequentemente, as novas coletas serão necessárias para verificar se a proporção muda com a expansão dos formatos e com os ajustes do AI Mode em diferentes mercados, períodos e categorias de intenção comercial.
A principal constatação permanece quantitativa: anúncios de texto apareceram em 29,45% das consultas comerciais analisadas, mas 88% dos anunciantes ficaram fora das fontes citadas. Os dados não demonstram transferência automática de visibilidade paga para citação.