OpenAI anunciou em 7 de maio expansão do piloto de anúncios do ChatGPT para Brasil, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul e México; planos pagos seguem sem ads.
OpenAI anunciou nesta semana que o piloto de anúncios do ChatGPT chegará ao Brasil, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul e México nas próximas semanas. A expansão internacional é a maior mudança no programa desde o lançamento do piloto original em fevereiro.
O piloto roda desde 9 de fevereiro nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Com a inclusão dos cinco novos mercados, o teste passa a cobrir nove países e amplia, na prática, a presença da OpenAI em receitas de publicidade conversacional.
Os anúncios aparecem apenas para usuários adultos logados nos planos Free e Go. Já os planos pagos — Plus, Pro, Business, Enterprise e Education — seguem sem publicidade. A data exata de início no Brasil não foi divulgada pela empresa.
O anúncio em 7 de maio
A confirmação da expansão veio em comunicado oficial assinado por Dave Dugan, Head of Global Ads Solutions da OpenAI. O executivo, que migrou recentemente da Meta para liderar a operação publicitária da empresa, justificou o movimento pelo interesse comercial em ambientes conversacionais.
“Estamos animados em iniciar a expansão do piloto de anúncios do ChatGPT para regiões adicionais após forte interesse de empresas que buscam alcançar usuários em um ambiente conversacional e baseado em intenção”, afirmou Dugan no comunicado da OpenAI.
O executivo reforçou que a expansão preserva os pilares do produto original. “À medida que expandimos com cuidado, estamos focados em aprender o que funciona melhor para usuários e anunciantes em cada região, mantendo os princípios que mais importam para nós: independência das respostas, privacidade e controle do usuário”, completou.
Mercados atuais e cronologia do piloto
A operação publicitária do ChatGPT seguiu três marcos públicos em três meses. Em 9 de fevereiro, o piloto começou nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, restrito a usuários adultos logados nos planos gratuitos.
Em 5 de maio, a OpenAI liberou um self-serve Ads Manager para anunciantes nos Estados Unidos, removendo a necessidade de contrato direto com a empresa para campanhas. Dois dias depois, veio a expansão para Brasil, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul e México.
A sequência mostra uma estratégia escalonada: primeiro abrir a plataforma comercialmente nos EUA, depois multiplicar geografias. Nas próximas semanas, anunciantes nos novos países terão acesso ao programa por canais ainda não totalmente detalhados pela empresa.
Planos com anúncios versus planos sem anúncios
A segmentação por planos é o pilar mais visível do programa. Anúncios aparecem para usuários logados, adultos e que utilizam os níveis gratuitos Free e Go. O ChatGPT opera, contudo, em outros cinco níveis pagos que permanecem livres de publicidade: Plus, Pro, Business, Enterprise e Education.
Essa decisão é consistente com a tese pública de monetização da OpenAI. A empresa sustenta que assinantes pagos não devem ver anúncios e que a publicidade serve, portanto, como alternativa para sustentar o acesso gratuito ao produto.
Os usuários menores de 18 anos também não veem anúncios, conforme política de proteção aplicada globalmente pela empresa, independentemente do plano contratado.
Como funciona a segmentação dos anúncios
A segmentação combina três sinais principais. Primeiro, o tópico da conversa em andamento define se o anúncio é elegível. Segundo, o histórico de conversas anteriores entra no perfil de afinidade do usuário. Por fim, as interações prévias com anúncios refinam a relevância das próximas exibições.
As categorias iniciais autorizadas pela OpenAI incluem varejo, e-commerce e turismo (shopping, retail e travel, em tradução livre). Os anúncios são identificados visualmente e separados das respostas orgânicas do ChatGPT, formato definido pela empresa para preservar a percepção de neutralidade nas respostas geradas pelo modelo.
Os anunciantes recebem apenas métricas anonimizadas: impressões e cliques. Não há acesso a conteúdos de conversas individuais ou transcrições dos usuários.
Restrições de conteúdo e privacidade
No entanto, os anúncios não aparecem em conversas sobre temas regulados ou sensíveis. A OpenAI cita explicitamente assuntos de saúde e política como categorias excluídas, junto a outros tópicos classificados internamente como sensíveis pela empresa.
Os dados pessoais dos usuários permanecem fora do alcance dos anunciantes. As marcas não recebem transcrições, perfis individuais ou conteúdo de conversas. O modelo de mensuração é baseado, portanto, em relatórios agregados de desempenho.
Essa política mantém alinhamento com a postura pública da OpenAI sobre privacidade no produto, reforçada por Dugan no próprio comunicado de expansão.
Self-serve Ads Manager segue restrito aos Estados Unidos
A ferramenta de autoatendimento para anunciantes, lançada em 5 de maio, permanece exclusiva para empresas nos Estados Unidos. Os anunciantes no Brasil, México, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul terão acesso ao programa por outros canais, ainda não detalhados pela empresa.
Inclusive, a plataforma de self-serve cobre anunciantes de todos os portes, com algumas categorias restritas explicitamente bloqueadas. Permite segmentação para usuários logados e deslogados, com capacidades mais avançadas no mercado americano em relação aos demais países.
Por fim, a OpenAI não divulgou cronograma para abrir o self-serve em outros mercados. A empresa indicou apenas que ajustará a ferramenta conforme o piloto avança nos novos países.