Em podcast oficial Search Off the Record, executivos do Google reforçam que a AI Mode impulsiona consultas mais longas, conversacionais e complexas em escala global.
Google reconhece que a adoção massiva da AI Mode altera o comportamento dos usuários nas buscas. Em podcast oficial “Search Off the Record”, publicado pela equipe de Search Relations, Martin Splitt e Nikola Todorovic descrevem uma nova onda de tráfego marcada por consultas mais longas e conversacionais, com restrições adicionais embutidas nas perguntas.
Por trás disso, os números reforçam a tese. A AI Mode atinge 75 milhões de usuários ativos diários e processa cerca de 1 bilhão de consultas mensais, segundo Nick Fox, vice-presidente de busca no Google. O recurso quadruplicou a base desde a estreia inicial, em fase limitada.
Em paralelo, a mudança recoloca o papel do conteúdo. Para Nikola Todorovic, diretor de engenharia no Google Search, o produto de busca atual diferencia-se do que era há uma década. O time orienta que páginas precisam funcionar em dois níveis: recuperáveis para queries tradicionais e úteis para perguntas complexas alimentadas por IA.
O que aconteceu
Google publicou nova edição do podcast oficial “Search Off the Record” com foco em como a inteligência artificial transforma o produto de busca. No episódio “How AI Is Changing Google Search and SEO”, Martin Splitt, do time de Search Relations, conversa com Nikola Todorovic, diretor de engenharia de software no Google Search, sobre evolução de Overviews e AI Mode.
Em primeiro lugar, a conversa parte de uma constatação direta. A chegada da IA ao topo dos resultados muda o tipo de pergunta que o usuário traz. As consultas ficam mais longas, conversacionais e mais cheias de restrições, segundo o time do Google.
Por sua vez, Splitt reforça que a IA não é novidade dentro da busca. “Todo mundo fala em IA na busca como algo novo, mas ela está nos bastidores há tempos”, afirmou no episódio. O ponto, agora, é como esses recursos chegam ao usuário final, dentro de Overviews e AI Mode.
Comportamento de busca em transformação
Para Nikola Todorovic, a comparação histórica é direta. “Acho que a forma como elas estão sendo usadas é a revolução de que falam agora. Se você comparar a busca de hoje com a de dez anos atrás, é um produto muito diferente”, disse o executivo no podcast.
Em complemento, esse novo comportamento aparece em três frentes principais. Os usuários fazem perguntas mais detalhadas, pedem múltiplas variáveis na mesma consulta e levam dúvidas que antes nem tentariam digitar em uma caixa de busca tradicional.
Em entrevista paralela, Liz Reid, vice-presidente e head do Google Search, descreveu o momento como “expansionário” à Bloomberg. Em sua análise, a IA não substitui a busca: amplia o volume de consultas e permite construir perguntas mais ricas dentro do mesmo produto.
Números da adoção da AI Mode
Concretamente, a AI Mode soma 75 milhões de usuários ativos diários e cerca de 1 bilhão de consultas mensais, segundo Nick Fox, vice-presidente de busca no Google. A taxa de adoção coloca o recurso entre os lançamentos de maior tração na história do produto.
Além disso, o ritmo de crescimento também impressiona. A AI Mode quadruplicou a base de usuários desde a estreia inicial, em fase limitada de poucos mercados. A expansão posterior incluiu 53 idiomas e mais de 40 mercados, com presença ativa em mercados maduros e emergentes.
Como consequência, a escala muda a equação para times de SEO. Cada novo usuário tende a chegar à busca com perguntas que antes ficariam em outros canais ou simplesmente não seriam feitas, ampliando a janela de descoberta para conteúdo informacional.
Como o Google explica a nova onda de tráfego
A explicação do time de Search Relations parte exatamente do que o usuário percebe. “Vemos esse novo tráfego, e essa nova onda decorre de usuários percebendo: olha, há algo novo que posso fazer aqui”, detalhou Todorovic no episódio.
Em contraste, o argumento se opõe à leitura corrente de queda de cliques. Para o Google, o efeito imediato é o oposto: mais consultas chegam ao motor, e os caminhos para descobrir conteúdo se multiplicam ao longo das interações com Overviews e AI Mode.
A leitura interna, portanto, é de mercado em expansão. Cada interação iniciada com uma pergunta mais ambiciosa abre espaço para sub-consultas, refinamentos e novas perguntas dentro da mesma sessão de busca.
Sinais para conteúdo: dois níveis de utilidade
Em termos práticos, o recado que aparece no podcast envolve a forma como páginas precisam ser construídas. Conteúdos passam a operar em duas camadas: uma camada recuperável, com sinais clássicos para crawlers e ranking, e uma camada útil, capaz de responder dentro das experiências geradas por IA.
Ainda assim, as keywords seguem importantes, segundo o time, mas dentro de prompts maiores. As mesmas “fan-out queries” que o Google usa internamente para alimentar respostas geradas continuam pedindo páginas com profundidade temática e dados verificáveis. Estudos sobre como AI Overviews afetam o CTR reforçam o ponto na equação de tráfego.
Outra direção apontada é estrutural. Páginas precisam combinar contexto temático, autoridade e clareza para sustentar a citação dentro das respostas, sem perder o tradicional papel de profundidade. Estratégias como SEO Agêntico entram nessa nova camada de adequação ao conteúdo gerado por IA.
Disponibilidade e expansão da AI Mode
Atualmente, a AI Mode segue gratuita para todos os usuários nas regiões onde foi liberada. O acesso não exige assinatura paga, e o recurso aparece dentro do mesmo fluxo de busca, sem necessidade de aplicativo separado.
Paralelamente, a presença em 53 idiomas e mais de 40 mercados também avança. Por enquanto, AI Overviews continuam ativos por padrão na maioria dos resultados, com a possibilidade de o usuário transitar para uma sessão conversacional na AI Mode em poucos cliques.
Dessa forma, o modelo cria uma escada de uso. O usuário começa com Overview, evolui para diálogo na AI Mode e, em consultas mais complexas, mantém o histórico para refinamentos. A continuidade de sessão amplia espaço para novos pontos de contato com conteúdo.
O que o Google recomenda para SEO
Estrategicamente, o Google orienta que a confiabilidade do conteúdo passe a competir com a recuperabilidade. Páginas precisam responder diretamente a perguntas específicas dentro da experiência gerada por IA, em vez de depender exclusivamente de cliques no resultado tradicional.
A orientação também envolve cobertura temática mais robusta. Conteúdos com profundidade em torno de uma intenção principal e suas variações respondem melhor às experiências geradas, segundo o time de Search Relations no podcast.
Por fim, a recomendação fecha justamente com uma medição diferente. Em vez de monitorar apenas posição e cliques, o time sugere acompanhar como o conteúdo aparece em respostas geradas, com presença em citações e referências dentro das próprias experiências de Overviews e AI Mode.