Plataforma de desenvolvimento do Google usa agentes autônomos para executar tarefas de programação de forma completa
O Google Antigravity é um ambiente de desenvolvimento integrado (IDE) com inteligência artificial lançado pelo Google em novembro de 2025. A ferramenta permite que desenvolvedores deleguem tarefas de programação a agentes autônomos, que planejam, executam e verificam código sem intervenção manual constante.
Diferente de assistentes de código tradicionais que apenas sugerem linhas, o Antigravity opera em três superfícies: editor, terminal e navegador. Essa arquitetura permite que os agentes criem código, executem comandos e validem resultados em tempo real. A ferramenta foi lançada junto com o Gemini 3, a nova geração de modelos de linguagem do Google.
O Antigravity é gratuito durante a fase de preview público e está disponível para Windows, macOS e Linux. Desenvolvedores que praticam vibe coding encontram na ferramenta uma opção competitiva às alternativas como Cursor e GitHub Copilot.
A plataforma ganhou notoriedade quando Linus Torvalds, criador do Linux, revelou ter usado o Antigravity para desenvolver parte de seu projeto pessoal AudioNoise em janeiro de 2026.
Como funciona o Google Antigravity
O Antigravity oferece duas interfaces principais para interação com os agentes de IA. A primeira é a Editor View, que apresenta uma experiência similar a editores tradicionais como VS Code, com completação de código, comandos inline e um agente no painel lateral.
A segunda interface é a Manager View, descrita pelo Google como um centro de controle para orquestrar múltiplos agentes trabalhando em paralelo. Nessa visão, o desenvolvedor pode delegar tarefas complexas e acompanhar o progresso de cada agente em diferentes workspaces simultaneamente.
Os agentes do Antigravity geram “Artifacts” como entregáveis verificáveis. Esses artefatos incluem listas de tarefas, planos de implementação, capturas de tela e gravações do navegador. O objetivo é criar um rastro auditável das ações realizadas, aumentando a confiança do desenvolvedor no código gerado.
Modelos de IA suportados
O Google Antigravity utiliza o Gemini 3 Pro como modelo padrão, com limites generosos de uso durante o preview gratuito. No entanto, a plataforma permite trocar de modelo em tempo de execução sem perder o contexto da conversa.
Os modelos disponíveis incluem o Claude Sonnet 4.5 da Anthropic e o GPT-OSS 120B, uma variante de código aberto dos modelos da OpenAI. Essa flexibilidade permite que desenvolvedores escolham o modelo mais adequado para cada tipo de tarefa.
A janela de contexto do Antigravity comporta até 1 milhão de tokens nativamente. Isso significa que a ferramenta consegue processar repositórios inteiros de código sem truncar informações, algo que editores concorrentes ainda não oferecem na mesma escala.
Integração com navegador
Uma das funcionalidades que diferencia o Antigravity é seu subagente de navegador, habilitado por uma extensão dedicada para Chrome. Com essa integração, o desenvolvedor pode solicitar que o agente verifique problemas visuais diretamente na interface.
Por exemplo, ao pedir “corrija a navbar mobile, ela está sobrepondo o logo”, o agente consegue visualizar o problema no navegador, gerar a correção no código, recarregar a página e confirmar que o ajuste funcionou. Esse ciclo completo de desenvolvimento acontece sem que o programador precise alternar entre ferramentas.
A integração com navegador também permite que o agente execute testes de interface, tire screenshots para documentação e grave sessões para análise posterior. Esses recursos são particularmente úteis para equipes que precisam manter registros de mudanças.
Benchmarks e desempenho
Nos testes de benchmark SWE-bench Verified, que medem a capacidade de resolver issues reais do GitHub em repositórios de produção, o Antigravity alcançou 76,2%. Esse resultado fica 1 ponto percentual atrás do Claude Sonnet 4.5, posicionando a ferramenta entre as mais capazes do mercado.
No Terminal-Bench 2.0, que avalia orquestração de ferramentas em múltiplas etapas, o Gemini 3 Pro obteve 54,2%, superando o GPT-5.1 que marcou 47,6%. Testes internos do Google indicam que o Antigravity completa features em Next.js com Supabase em 42 segundos, contra 68 segundos do Cursor.
A precisão em tarefas de refatoração também se destaca: 94% no Antigravity contra 78% no Cursor. Esses números sugerem que a ferramenta é particularmente eficaz em tarefas que exigem compreensão ampla do código existente.
Modos de desenvolvimento
O Antigravity oferece quatro modos de operação para atender diferentes níveis de conforto com autonomia de IA. O modo Agent-Driven concede autonomia completa ao agente, que executa todas as etapas sem solicitar aprovação.
O modo Agent-Assisted, recomendado pelo Google, inclui checkpoints de verificação onde o desenvolvedor pode revisar o progresso antes de continuar. Já o modo Review-Driven exige aprovação humana para cada etapa individual.
Por fim, o modo Custom Configuration permite definir níveis de autonomia específicos por tipo de tarefa. Um desenvolvedor pode, por exemplo, conceder autonomia total para formatação de código mas exigir revisão para alterações em lógica de negócio.
Controvérsia sobre fork do VS Code
O lançamento do Antigravity gerou debate na comunidade de desenvolvedores sobre sua relação com o Visual Studio Code. Embora o Google não tenha confirmado oficialmente, múltiplas análises técnicas indicam que o Antigravity é um fork do VS Code ou, possivelmente, do Windsurf, que por sua vez é um fork do VS Code.
A questão provocou reações mistas. Alguns desenvolvedores questionaram quantos forks do VS Code precisam ter instalados, expressando cansaço com a proliferação de editores baseados no mesmo código. Outros argumentaram que a integração de agentes autônomos justifica a criação de uma nova ferramenta.
O Google não abordou a controvérsia diretamente, focando a comunicação nas capacidades de agentes autônomos e na integração com o ecossistema Gemini.
Preços e disponibilidade
Durante o preview público, o Google Antigravity é gratuito para uso individual com limites generosos de requisições ao Gemini 3 Pro. A plataforma está disponível para download em antigravity.google/download e funciona em Windows, macOS e Linux.
Para 2026, o Google planeja introduzir planos pagos. A estrutura prevista inclui um plano Individual gratuito com limites reduzidos, um plano Pro por aproximadamente US$ 20 mensais com maior capacidade, e um plano Enterprise entre US$ 40 e US$ 60 por usuário com SSO, controle de dados e integração com Google Cloud IAM.
Desenvolvedores interessados em testar a ferramenta podem começar pelo Google Codelabs, que oferece um tutorial guiado de introdução ao Antigravity.
Perguntas frequentes
O Google Antigravity é gratuito?
Sim, durante a fase de preview público. O Google oferece limites generosos de uso do Gemini 3 Pro sem custo para usuários individuais. Planos pagos estão previstos para 2026.
Quais modelos de IA o Antigravity suporta?
O Antigravity suporta Gemini 3 Pro como padrão, além de Claude Sonnet 4.5 da Anthropic e GPT-OSS 120B. O desenvolvedor pode trocar de modelo durante a sessão sem perder contexto.
O Google Antigravity é um fork do VS Code?
Análises técnicas indicam que sim, embora o Google não tenha confirmado oficialmente. A interface é similar ao VS Code, mas com funcionalidades de agentes autônomos integradas nativamente.
Como o Antigravity se compara ao Cursor?
Nos benchmarks, o Antigravity demonstra vantagens em velocidade de conclusão de features (42s vs 68s) e precisão de refatoração (94% vs 78%). A principal diferença funcional é a Manager View para orquestração de múltiplos agentes.