Estudo da SparkToro com Datos (empresa da Semrush) analisou buscas em 41 sites com atividade significativa de pesquisa e concluiu que o Google responde por 73,7% do total em desktop nos EUA, enquanto o ChatGPT representa apenas 3,2%.
A SparkToro publicou uma pesquisa em parceria com a Datos, empresa de dados da Semrush, que amplia a definição de busca para além dos mecanismos tradicionais. O estudo analisou 41 domínios com atividade significativa de pesquisa e revelou que o Google responde por 73,7% das buscas desktop nos Estados Unidos no quarto trimestre de 2025.
O percentual contrasta com estimativas habituais que atribuem ao Google mais de 90% do mercado de buscas. A diferença ocorre porque as métricas tradicionais consideram apenas buscadores como Google, Bing e Yahoo, enquanto o estudo da SparkToro inclui plataformas de e-commerce, redes sociais e ferramentas de inteligência artificial.
O ChatGPT, frequentemente citado como ameaça à dominância do Google em buscas, representa 3,2% do total quando se consideram todas as ferramentas de IA combinadas. O número coloca a plataforma da OpenAI atrás de diversos players raramente mencionados na discussão sobre o futuro das buscas.
Google mantém 73,7% das buscas desktop nos EUA
Os dados da pesquisa baseiam-se no painel de clickstream desktop da Datos, que monitora milhões de dispositivos nos Estados Unidos e em 27 países da União Europeia mais o Reino Unido. O período analisado compreende janeiro a dezembro de 2025, com detalhamento mensal e trimestral.
O Google registrou 73,7% de todas as buscas desktop nos EUA durante o quarto trimestre de 2025. Na Europa e no Reino Unido, a participação do Google é ainda maior, alcançando aproximadamente 80% do total. A diferença de cinco pontos percentuais reflete a menor presença de alternativas como Amazon e Reddit no mercado europeu.
Os buscadores tradicionais combinados — Google, Bing, Yahoo e DuckDuckGo — responderam por aproximadamente 80% do total de buscas. Os 20% restantes distribuem-se entre plataformas de e-commerce, redes sociais e ferramentas de IA, categorias que os rankings tradicionais de market share simplesmente ignoram.
E-commerce responde por 10% das buscas e supera ferramentas de IA
As plataformas de e-commerce registraram aproximadamente 10% de todas as buscas desktop analisadas. Amazon, eBay e Walmart figuram entre os 41 domínios com volume significativo de pesquisa. A Amazon, especificamente, apresenta mais de 10 buscas por usuário por mês, equiparando-se ao Google nessa métrica.
O dado revela que bilhões de buscas ocorrem em sites que não são classificados como mecanismos de pesquisa. Quando um consumidor procura um produto na Amazon ou pesquisa imóveis no Airbnb, essa atividade constitui uma busca com intenção comercial clara, embora as métricas tradicionais não a contabilizem.
Redes sociais, por sua vez, responderam por aproximadamente 5,5% do total. Reddit, Instagram e Pinterest aparecem entre os sites com volume relevante de pesquisa. O Reddit apresentou crescimento consistente ao longo de 2025, particularmente no mercado europeu.
ChatGPT alcança 3,2% e apenas metade dos visitantes faz buscas
As ferramentas de inteligência artificial combinadas — incluindo ChatGPT, Perplexity e outras — representaram 3,2% do total de buscas desktop. O percentual é significativamente inferior ao que a cobertura midiática sobre o tema sugere, segundo os autores do estudo.
Um dado adicional chama atenção: apenas aproximadamente metade dos visitantes do ChatGPT efetivamente realiza buscas ou prompts durante suas visitas. A outra metade acessa a plataforma sem utilizar a funcionalidade de pesquisa, o que reduz ainda mais o impacto real do ChatGPT como alternativa ao Google.
O estudo identificou que 14 sites alcançam mais de 20% dos painelistas americanos, demonstrando que a atividade de busca está dispersa por dezenas de plataformas. Além dos buscadores tradicionais, Wikipedia, LinkedIn, Craigslist e Booking.com figuram entre os domínios com volume relevante de pesquisa.
Conceito de Search Everywhere Optimization ganha dados concretos
Rand Fishkin, CEO da SparkToro e autor da pesquisa, defendeu uma redefinição do conceito de SEO. “Busca é um comportamento, não um canal”, afirmou Fishkin no artigo que acompanha o estudo. A declaração sustenta que otimização de buscas deveria abranger todas as plataformas onde usuários pesquisam, não apenas Google e Bing.
A pesquisa fornece dados concretos para o conceito de orquestração de buscas, que propõe estratégias multicanal de presença em diferentes plataformas de pesquisa. Quando social search, e-commerce e ferramentas de IA somam 20% das buscas, ignorar essas plataformas significa abrir mão de bilhões de consultas.
Fishkin concluiu o estudo com uma provocação direta ao mercado: “Acreditamos que já passou da hora de SEO significar Search Everywhere Optimization”. A frase sintetiza a tese central da pesquisa — se buscas acontecem em dezenas de sites, a otimização deveria acompanhar essa dispersão.
Estudo tem limitação importante: apenas desktop
A principal ressalva do estudo é que os dados cobrem exclusivamente buscas em desktop. Navegadores e aplicativos móveis foram excluídos da análise, o que significa que a participação real de cada plataforma pode diferir quando se incluem smartphones e tablets.
A exclusão do mobile é relevante porque o ChatGPT e redes sociais como Instagram e TikTok concentram parcela expressiva de seu tráfego em dispositivos móveis. A participação de 3,2% das ferramentas de IA poderia ser maior ou menor no mobile, dependendo dos padrões de uso em cada plataforma.
A Datos, responsável pelo painel de dados, é uma empresa adquirida pela Semrush. A parceria entre SparkToro e Datos já produziu relatórios trimestrais sobre o estado das buscas. Os autores reconhecem que não têm acesso ao comportamento de navegação de todos os usuários e que a seleção editorial dos 41 domínios excluiu sites adultos e domínios sem atividade de busca relevante.