Google e Meta passam a rotular anúncios feitos com IA em suas plataformas

Google e Meta anunciaram rótulos automáticos para anúncios criados ou editados com inteligência artificial em Search, YouTube, Discover, Facebook e Instagram

Google e Meta passaram a sinalizar anúncios produzidos com inteligência artificial generativa em suas plataformas. As duas empresas divulgaram os recursos recentemente, ampliando a rotulagem que antes se restringia a categorias específicas, como propaganda eleitoral.

Cada companhia adotou um mecanismo próprio. O Google criará um painel chamado “How this ad was made” dentro do My Ad Center, acessível pelos anúncios exibidos em suas plataformas. A Meta, por sua vez, inserirá os rótulos na seção “Sobre este anúncio”, disponível em publicações patrocinadas no Facebook e no Instagram.

Os anúncios chegam em um período de maior pressão por transparência sobre conteúdo sintético. Ambas as empresas recorrem a padrões técnicos de identificação, como o SynthID, do Google, e o C2PA, adotado pela Meta, para marcar material gerado ou editado por ferramentas de IA.

Como o Google identifica anúncios criados com IA

O Google adicionará uma seção dedicada ao My Ad Center, o painel que reúne controles de publicidade do usuário. O recurso poderá ser acessado pelo menu de três pontos ou pelo ícone de informações presente nos anúncios exibidos em Search, YouTube e Discover.

Nesse painel, o novo campo “How this ad was made” indicará se a peça foi criada ou editada com inteligência artificial. A mesma área já permitia bloquear anúncios, denunciá-los e consultar dados sobre o anunciante responsável pela veiculação.

A implementação ocorre em escala global nas três plataformas. Em alguns mercados, conforme informou o Google, o anúncio poderá exibir o rótulo diretamente na peça, e não apenas no painel, quando a legislação local exigir esse tipo de marcação.

Rótulo automático depende das ferramentas do próprio Google

A sinalização é automática quando o anunciante utiliza as ferramentas de IA generativa de publicidade do Google. Nesses casos, a plataforma adiciona a divulgação ao painel do My Ad Center sem que o anunciante precise acionar qualquer controle adicional.

Para peças produzidas com ferramentas externas, o Google criou um controle que permite ao anunciante indicar manualmente o uso de IA generativa. A empresa, contudo, não faz verificação própria para confirmar se a informação declarada corresponde ao processo real de criação.

Como camada técnica adicional, o Google incorpora o SynthID, sinal imperceptível embutido nos resultados de suas ferramentas de IA generativa. A companhia também mantém as políticas que proíbem anúncios enganosos, independentemente de terem sido produzidos com inteligência artificial.

Meta amplia a rotulagem no Facebook e no Instagram

A Meta passou a rotular automaticamente anúncios criados ou editados com ferramentas de IA generativa no Facebook e no Instagram. A marcação abrange tanto as ferramentas próprias da empresa quanto soluções de terceiros, como Photoshop e DALL-E.

Segundo a companhia, os rótulos aparecem na seção “Sobre este anúncio”, acessível pelo menu de três pontos das publicações patrocinadas. O objetivo declarado é ampliar a transparência sobre conteúdo produzido com inteligência artificial nas duas redes.

A rotulagem é acionada quando o anunciante recorre a recursos específicos de IA generativa. Entre os gatilhos citados pela Meta estão a Geração de Fundo, a Geração de Imagem e o recurso Adicionar Animação, usados para criar ou editar significativamente imagens e vídeos.

Detecção de conteúdo de terceiros usa o padrão C2PA

Para identificar material produzido fora de suas próprias ferramentas, a Meta emprega métodos de detecção padronizados pela indústria. A empresa cita o C2PA como o mecanismo utilizado para reconhecer quando um anúncio foi criado ou editado com ferramentas de IA generativa de terceiros.

O C2PA opera pela leitura de metadados associados ao arquivo. Quando a Meta detecta essa informação, o conteúdo recebe o rótulo correspondente de forma automática, sem depender exclusivamente da declaração feita pelo anunciante no momento da veiculação.

A empresa afirmou que pretende continuar ajustando o modelo de rotulagem. Segundo a Meta, a abordagem será desenvolvida em conjunto com especialistas, anunciantes, formuladores de políticas e parceiros do setor à medida que as ferramentas de IA evoluem.

Movimento das Big Techs converge para a transparência de IA

As duas iniciativas ampliam a marcação de conteúdo sintético além de nichos regulados. No caso do Google, a exigência anterior de divulgação, criada em 2023, alcançava apenas anúncios eleitorais com conteúdo sintético ou digitalmente alterado, escopo agora estendido à publicidade em geral.

Apesar da direção comum, as arquiteturas técnicas diferem. O Google combina divulgação automática nas próprias ferramentas, marcação manual para IA externa e o sinal SynthID. A Meta apoia-se em gatilhos de recursos internos e na leitura de metadados C2PA para conteúdo de terceiros.

A diferença mais relevante está na verificação. O Google declara que não checa as marcações manuais informadas por anunciantes que usam ferramentas externas. A Meta, por outro lado, aplica detecção automática baseada em metadados quando esses dados estão presentes no arquivo.

Padrões técnicos definem o alcance da rotulagem

Os dois sistemas dependem da presença de sinais rastreáveis no conteúdo. O SynthID atua sobre os resultados gerados pelas ferramentas do próprio Google, enquanto o C2PA registra metadados de procedência que podem ser lidos por diferentes plataformas que adotam o padrão.

Essa dependência define o alcance prático da marcação. Conteúdo sem sinal embutido ou sem metadados de procedência tende a não ser detectado automaticamente, o que transfere parte da responsabilidade da divulgação para a declaração voluntária do anunciante, sobretudo no fluxo descrito pelo Google.

Com os anúncios desta semana, Google e Meta passam a oferecer aos usuários informações sobre o uso de IA em suas peças publicitárias. As duas empresas indicaram que os recursos seguirão em evolução conforme novas ferramentas e exigências regulatórias surgirem.

Foto de Escrito por Diego Ivo

Escrito por Diego Ivo

Diego é CEO da Conversion, agência Líder em SEO e especializada em Search. Possui mais de uma década de experiência no mercado digital e é um dos principais experts no Brasil em SEO.

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