VP e Head of Search do Google revela em entrevista que não sabe se os dois produtos vão se fundir, se separar ou dar origem a algo inteiramente novo
Liz Reid, VP e Head of Search do Google, admitiu em entrevista ao Access Podcast que não sabe se o Google Search e o Gemini vão convergir ou divergir no futuro. A executiva, que lidera a divisão de busca há mais de 22 anos na empresa, levantou a possibilidade de um terceiro produto moldado por agentes de IA.
A declaração ocorre em um momento em que as fronteiras entre busca tradicional e assistentes de IA se tornam cada vez mais fluidas. O Google mantém os dois produtos com equipes e estratégias distintas, porém compartilhando a mesma base tecnológica.
Reid reconheceu que dependendo do ângulo de análise, os produtos parecem estar se aproximando ou se distanciando simultaneamente. A incerteza sobre o futuro dos dois serviços sinaliza que a própria liderança do Google ainda debate internamente a melhor direção.
Convergência e divergência simultâneas entre Search e Gemini
Na entrevista conduzida por Alex Heath e Ellis Hamburger, Liz Reid descreveu as diferenças de posicionamento entre os dois produtos. Segundo a executiva, o Search é orientado à informação e à conexão com outras pessoas, enquanto o Gemini funciona como assistente focado em produtividade e criação.
“O Search é mais baseado em informação e acredita que frequentemente nesses casos de uso informacional você também quer se conectar e ouvir outras pessoas”, afirmou Reid. Por outro lado, o “foco do Gemini é ser um assistente, então ele tende a se inclinar mais para coisas como produtividade ou criação”.
Apesar dessas distinções, a executiva reconheceu que as fronteiras permanecem fluidas. Em algumas áreas os produtos convergem, enquanto em outras se afastam. A tecnologia subjacente é compartilhada, mas as filosofias de produto divergem.
Possibilidade de um terceiro produto moldado por agentes de IA
A declaração mais significativa da entrevista envolveu a possibilidade de que nem Search nem Gemini sejam o produto final. Reid afirmou: “Quem sabe, talvez os agentes signifiquem que o produto certo não é nenhum dos dois — é um terceiro produto completamente novo no qual eles se fundem”.
A executiva também disse acreditar que haverá um mundo no qual agentes de IA realizarão grande parte das interações na internet, não apenas pessoas. No entanto, ressalvou que não acredita em um cenário onde tudo será feito por agentes, pois as pessoas às vezes querem ouvir diretamente outras pessoas.
Essa visão reflete o investimento crescente do Google em agentes autônomos, capazes de executar tarefas complexas sem intervenção humana direta.
LLMs permitem indexação de áudio e vídeo em escala inédita
Reid revelou que os modelos de linguagem de grande escala permitem ao Google compreender conteúdo de áudio e vídeo em um nível antes impossível. Segundo a executiva, anteriormente o Google dependia de transcrições para indexar vídeos, mas agora consegue entender o conteúdo, o estilo e o contexto das produções audiovisuais.
Além disso, a tecnologia possibilita processar informações em um idioma e apresentá-las em outro, ampliando significativamente o acesso à informação global. A capacidade multimodal dos LLMs representa um avanço estrutural na forma como o Google indexa e organiza conteúdo na web.
Adoção de AI Overviews surpreendeu a liderança do Google
A VP de Search admitiu que a velocidade de adoção dos AI Overviews surpreendeu a própria equipe do Google. Segundo Reid, os usuários rapidamente passaram a utilizar o recurso e inclusive a buscar mais, contrariando previsões de que respostas diretas reduziriam o volume de buscas.
Reid destacou que os usuários do Search são sensíveis a diferenças de 100 milissegundos no tempo de resposta, e que os AI Overviews se mostraram rápidos e bons o suficiente para serem uma melhoria líquida na experiência de busca.
Personalização de resultados com base em assinaturas
A executiva também abordou planos de personalização dos resultados de busca com base em fontes pagas pelo usuário. Segundo Reid, se um usuário paga por determinado veículo de informação, o Google deveria priorizar esse conteúdo nos resultados, em vez de exibir seis fontes às quais o usuário não tem acesso.
Essa abordagem representa uma mudança na filosofia de ranqueamento, onde a relação do usuário com fontes específicas influenciaria diretamente a ordenação dos resultados. O recurso ainda não tem data de lançamento confirmada.
Posição do Google no cenário competitivo de IA
As declarações de Reid ocorrem em meio à crescente competição entre Google, OpenAI e Microsoft no mercado de busca com IA. Dados recentes mostram que o Google tem aumentado a autocitação do Google no AI Mode, concentrando 17,42% de todas as citações analisadas.
A integração do Gemini ao Google Trends e a expansão do Canvas no AI Mode demonstram que a convergência tecnológica entre Search e Gemini já acontece na prática, mesmo que a liderança da empresa ainda debata o formato final dessa integração.