Google atualizou seu guia de IA e passou a classificar o llms.txt como aceitável, sem efeito em rankings, enquanto a Ahrefs mostra que 97% dos arquivos ficaram sem requisições
Google revisou recentemente o guia que orienta sites a aparecerem em recursos de inteligência artificial e mudou o tom sobre o llms.txt. A empresa passou a afirmar que manter o arquivo é aceitável, ainda que ele não influencie a posição de uma página nos resultados.
A atualização chega acompanhada de dados que ajudam a dimensionar o uso real do formato. A Ahrefs publicou nesta semana um estudo com 137.210 domínios e concluiu que 97% dos arquivos llms.txt válidos não receberam nenhuma requisição ao longo de maio de 2026.
O llms.txt é um arquivo de texto proposto para indicar a modelos de linguagem quais conteúdos de um site são relevantes. A ideia é oferecer uma versão simplificada das páginas, em formato markdown, que sistemas de IA poderiam ler com menos esforço do que ao processar o código completo de uma página.
Os dois movimentos, do Google e da Ahrefs, colocam lado a lado a posição oficial do mecanismo de busca e a medição de quanto o formato é de fato consultado. De um lado, a documentação que define o que importa para aparecer na busca; de outro, números sobre o comportamento real dos bots diante desses arquivos.
O que o Google passou a dizer sobre llms.txt
A orientação anterior desencorajava a criação desses arquivos. No texto revisado, o Google adota um tom mais neutro e reconhece que existem superfícies de IA além das suas, para as quais um site pode querer se preparar.
Segundo a documentação oficial, “é perfeitamente aceitável criar e manter arquivos LLMS.txt (ou outros arquivos similares) para outros serviços ou sistemas que usam esses arquivos. Fazer isso não vai prejudicar (nem ajudar) sua visibilidade ou rankings no Google Search, já que o Google Search os ignora”, conforme o Google Search Central.
O guia foi atualizado em 15 de junho de 2026. O documento delimita o alcance da afirmação ao Google Search, incluindo seus recursos de IA generativa, e separa esse cenário de outros sistemas que eventualmente leiam o arquivo.
Google Search ignora os arquivos
A empresa é direta ao tratar da relação entre o arquivo e a busca. De acordo com o Google, nenhum arquivo legível por máquina, marcação ou markdown é necessário para um site aparecer no Google Search, incluindo seus recursos de IA generativa.
John Mueller, Search Advocate do Google, reforçou esse ponto ao comentar o tema. “Não é feito para busca. Há mais em sites do que apenas SEO”, afirmou, ao distinguir o que serve para descoberta de páginas do que serve para a execução de tarefas.
Mueller acrescentou que sistemas de IA leem HTML normalmente, o que reduz a necessidade de um arquivo dedicado. Para ele, o formato funciona como recurso provisório, voltado sobretudo a economizar processamento em ferramentas que lidam com código.
Estudo da Ahrefs mede o uso real
Em paralelo à mudança de orientação, a Ahrefs trouxe números sobre a adoção do formato. A análise cobriu 137.210 domínios com tráfego em maio de 2026 e verificou cada raiz de domínio em busca de um arquivo llms.txt.
Entre os domínios examinados, 28% publicavam um arquivo válido, o equivalente a cerca de 38.360 sites. Desse conjunto, 97% não registraram nenhuma requisição ao arquivo durante o mês analisado, segundo a Ahrefs.
Apenas cerca de 1.100 domínios concentraram todo o tráfego medido para esses arquivos. A própria Ahrefs ressalva que sua base de clientes é mais técnica e voltada a SEO do que a média da web, o que tende a elevar a taxa de adoção observada nos dados.
O estudo também verificou se os bots procuravam ativamente pelo arquivo. Segundo a Ahrefs, nenhum bot de IA buscou um llms.txt em sites que não tinham o arquivo, indicador de que esses sistemas não saem em busca do formato por conta própria.
Quem realmente acessa os arquivos
A composição das requisições ajuda a entender quem consulta o llms.txt. Entre os arquivos que receberam algum acesso, 96% das requisições partiram de bots e apenas 4% de visitantes humanos, de acordo com o estudo.
Os bots de recuperação de IA, ligados a ferramentas como ChatGPT e Perplexity, responderam por 1,1% das requisições. Mesmo somados a assistentes e rastreadores de treinamento de IA, esses agentes representaram parcela reduzida do total medido.
Boa parte dos acessos veio de outras categorias. Ferramentas de auditoria de SEO concentraram 21,7% das requisições, seguidas por bots não identificados, com 14,9%, e por rastreadores gerais da web, como o Googlebot, responsáveis por 13,1% do volume medido.
Há ainda acessos de ferramentas que apenas inspecionam o formato. Ferramentas de perfil técnico responderam por 11,6% das requisições, enquanto soluções que estudam o próprio llms.txt e bots de verificação de disponibilidade somaram outras fatias menores do tráfego registrado.
Por que o arquivo ganhou tração
O llms.txt surgiu como tentativa de adaptar sites ao crescimento de assistentes de IA, em meio à discussão sobre como esses sistemas leem conteúdo na web. A proposta acompanhou o interesse por práticas de SEO voltadas a buscas com inteligência artificial.
A adoção avançou mesmo sem confirmação de que os principais sistemas consultem o arquivo. Os dados da Ahrefs mostram que a presença do formato em um site não corresponde, na maioria dos casos, a um acesso efetivo por parte de bots de IA.
O que muda na orientação oficial
Com a revisão, o Google passa a tratar o arquivo como uma escolha do responsável pelo site, sem recomendar nem desaconselhar de forma explícita. A empresa mantém que a presença ou ausência do llms.txt não altera a posição nos resultados.
A orientação reforça que o Google Search se apoia em conteúdo rastreável padrão e nos sistemas de ranqueamento já existentes para identificar e exibir páginas. Para superfícies de IA fora do ecossistema do Google, o texto deixa a decisão a cargo de cada site.