Empresa avaliada em US$ 500 bilhões realoca recursos de pesquisas experimentais para avanços no ChatGPT em meio à concorrência com Google e Anthropic
A OpenAI prioriza melhorias no ChatGPT sobre pesquisas de longo prazo, realocando recursos experimentais para avanços nos modelos de linguagem que alimentam o chatbot. A mudança estratégica ocorre em meio à concorrência acirrada com Google e Anthropic, segundo reportagem do Financial Times. A empresa, avaliada em US$ 500 bilhões (aproximadamente R$ 2,6 trilhões), processa mais de 6 bilhões de tokens por minuto através de 800 milhões de usuários semanais.
A realocação de investimentos levou à saída de executivos seniores nos últimos meses, incluindo Jerry Tworek, vice-presidente de pesquisa com 7 anos na empresa. Andrea Vallone, pesquisadora de política de modelos, e Tom Cunningham, economista, também deixaram a OpenAI.
Mark Chen, Chief Research Officer da OpenAI, rejeitou a caracterização de abandono de pesquisas fundamentais. O executivo afirmou que a pesquisa de longo prazo continua sendo central para a empresa e representa a maioria dos investimentos em computação. Paralelamente, Sarah Friar, CFO da OpenAI, definiu 2026 como ano de “adoção prática”, com prioridade para fechar a lacuna entre capacidades de inteligência artificial e uso diário por pessoas, empresas e países.
OpenAI realoca recursos de pesquisas experimentais para ChatGPT
A empresa passou a direcionar investimentos de pesquisas experimentais para melhorias nos modelos de linguagem que alimentam o ChatGPT. Múltiplos funcionários relataram ao Financial Times que pesquisadores sem vínculo com LLMs receberam negativas em solicitações de recursos computacionais ou obtiveram valores insuficientes para conclusão de projetos.
As equipes responsáveis por Sora, ferramenta de geração de vídeo, e DALL-E, sistema de geração de imagens, receberam recursos abaixo do necessário segundo relatos internos. Adicionalmente, diversos projetos não relacionados a modelos de linguagem foram encerrados durante reorganizações de times. A estratégia reflete resposta à pressão competitiva de rivais que avançaram tecnologicamente nos últimos meses.
Sam Altman, CEO da OpenAI, declarou “code red” internamente após o lançamento do Gemini Three pelo Google. O modelo do concorrente superou sistemas da OpenAI em diversos benchmarks independentes, segundo dados divulgados pela própria Google. Consequentemente, a liderança priorizou aceleração de melhorias no ChatGPT em detrimento de linhas de pesquisa exploratórias de longo prazo.
ChatGPT atinge 800 milhões de usuários com empresa avaliada em US$ 500 bilhões
O ChatGPT alcançou 800 milhões de usuários semanais, processando mais de 6 bilhões de tokens por minuto através da infraestrutura da OpenAI. A empresa atingiu avaliação de mercado de US$ 500 bilhões (aproximadamente R$ 2,6 trilhões), consolidando posição como referência em chatbots alimentados por inteligência artificial. O crescimento ocorre apesar da intensificação da concorrência de Google, Anthropic e Meta no segmento de assistentes conversacionais.
O Financial Times baseou a reportagem em entrevistas com 10 funcionários atuais e ex-funcionários da empresa. As fontes confirmaram mudança estratégica direcionando recursos para desenvolvimento acelerado do ChatGPT. Adicionalmente, os dados de usuários e processamento de tokens evidenciam escala operacional necessária para sustentar base massiva de adoção global da ferramenta.
Mark Chen defende compromisso com pesquisa de longo prazo
Mark Chen, Chief Research Officer da OpenAI, rejeitou caracterização de abandono de pesquisas fundamentais. O executivo afirmou em resposta ao Financial Times: “A pesquisa fundamental de longo prazo continua sendo central para a OpenAI e representa a maioria de nossos investimentos em computação, com centenas de projetos bottom-up explorando questões de longo horizonte além de qualquer produto individual”. A declaração busca reforçar compromisso da empresa com desenvolvimento científico de base.
No entanto, relatos de múltiplos funcionários contradizem parcialmente a posição oficial. Pesquisadores de áreas não relacionadas a modelos de linguagem reportaram dificuldades crescentes para obter recursos computacionais necessários a experimentos. Igualmente, projetos exploratórios sem aplicação imediata no ChatGPT enfrentaram cortes ou encerramento durante reorganizações recentes de equipes.
Chen compartilha liderança de pesquisa com Jakub Pachocki, Chief Scientist da empresa. Ambos têm histórico de contribuições técnicas em modelos como GPT-4, DALL-E e sistema de raciocínio o1. Entretanto, pressões competitivas do mercado forçam balanceamento entre investimentos em ciência fundamental e melhorias incrementais de produtos comerciais existentes.
Google Gemini Three e Anthropic Claude aumentam pressão sobre OpenAI
Google lançou Gemini Three que superou modelos da OpenAI em múltiplos benchmarks independentes, segundo dados divulgados pela própria empresa. O resultado motivou Sam Altman a declarar “code red” internamente em dezembro, sinalizando urgência em responder à ameaça competitiva. Consequentemente, recursos foram realocados para acelerar ciclos de melhoria do ChatGPT em detrimento de projetos exploratórios.
Anthropic, concorrente fundado por ex-executivos da OpenAI, avançou significativamente em geração de código através do Claude. O modelo demonstrou capacidades superiores em tarefas de programação comparado a versões anteriores do GPT-4, segundo testes de desenvolvedores. Adicionalmente, a empresa atraiu talentos-chave da OpenAI, incluindo Andrea Vallone e Jan Leike, que agora lideram iniciativas de segurança de modelos na rival.
Meta também intensificou investimentos em assistentes conversacionais através da família Llama de modelos open-source. A estratégia de código aberto ameaça commoditizar capacidades básicas de chatbots, pressionando margens de empresas proprietárias. Nesse contexto, OpenAI enfrenta competição em múltiplas frentes enquanto busca manter liderança tecnológica e comercial no segmento.
OpenAI define 2026 como ano de adoção prática de IA
Sarah Friar, CFO da OpenAI, anunciou que 2026 será o ano de “adoção prática” para a empresa. A executiva destacou prioridade de fechar a lacuna entre capacidades atuais de inteligência artificial e uso efetivo por pessoas, empresas e países no dia a dia. A estratégia complementa realocação de recursos para melhorias no ChatGPT em vez de pesquisas exploratórias de longo prazo.
A abordagem reflete pressão por resultados comerciais tangíveis após anos de investimentos massivos em pesquisa e desenvolvimento. Empresas clientes demandam ferramentas de IA que resolvam problemas concretos de negócio, não apenas demonstrações técnicas de capacidades teóricas. Portanto, foco em adoção prática alinha-se com necessidade de justificar avaliação de US$ 500 bilhões através de receitas recorrentes e casos de uso escaláveis.