Buscas sem clique no Google chegam a 68% e tráfego para a web aberta cai a 23%

Estudo da SparkToro com dados da Similarweb mostra que 68% das buscas no Google nos EUA terminam sem clique e que apenas 23% levam à web aberta, queda atribuída aos AI Overviews.

Buscas no Google que terminam sem clique já são maioria absoluta. Estudo da SparkToro, com base em dados da Similarweb, apontou que 68,01% das pesquisas feitas nos Estados Unidos entre janeiro e abril de 2026 não geraram nenhum clique para sites externos.

O mesmo levantamento mostra o encolhimento do tráfego para a web aberta. A cada 1.000 buscas, apenas cerca de 232 cliques, o equivalente a 23%, chegam a páginas independentes, fora das propriedades do próprio Google e de plataformas dominantes.

A análise, assinada por Rand Fishkin, cofundador da SparkToro, relaciona a queda ao avanço das respostas geradas dentro da busca. Os AI Overviews, resumos com inteligência artificial exibidos no topo dos resultados, aparecem como principal fator de redução dos cliques.

O que o estudo revela

O estudo mede o destino dos cliques após uma busca. Em vez de estimar comportamento, ele acompanha o caminho real dos usuários a partir de um painel de navegação, o que permite separar buscas que geram clique daquelas que terminam na própria página de resultados.

Os números consolidam uma tendência observada há anos. A parcela de pesquisas sem clique deixou de ser exceção e passou a definir o padrão de uso do Google, com efeito direto sobre o volume de visitas que chega a sites de terceiros.

68% das buscas terminam sem clique

O dado central do levantamento é a taxa de zero-click. Entre janeiro e abril de 2026, 68,01% das buscas nos Estados Unidos não resultaram em clique algum, segundo a SparkToro.

O patamar representa um salto frente ao período anterior. Em 2024, a taxa estava em 60,45%, o que indica alta de 7,5 pontos percentuais em dois anos, num movimento consistente de retenção do usuário dentro da busca.

Essa evolução altera a base de cálculo de qualquer estratégia de aquisição. Quanto maior a fatia de buscas sem clique, menor o número de oportunidades de tráfego disponíveis para o mesmo volume de pesquisas.

Queda no tráfego para a web aberta

A contrapartida do zero-click aparece no tráfego para a web aberta. Em 2026, cerca de 23% dos cliques alcançam páginas independentes, ante 37,4% registrados em 2024 pelo mesmo tipo de medição.

Em números absolutos, a diferença é expressiva. O volume caiu de 374 para 232 cliques a cada 1.000 buscas, uma redução que atinge diretamente publishers, e-commerces e qualquer site que dependa de visitas vindas do Google.

AI Overviews pressionam o clique

O estudo aponta os AI Overviews como motor da mudança. “Os AI Overviews, agora presentes em mais de 20% de todas as buscas, reduzem o CTR em quase 60% quando aparecem”, afirmou Rand Fishkin.

O mecanismo é direto. Ao entregar uma resposta pronta no topo da página, o recurso reduz a necessidade de o usuário visitar um site, o que diminui a taxa de cliques mesmo para resultados bem posicionados em SEO.

Esse efeito ajuda a explicar por que ganhos de posição nem sempre se traduzem em mais visitas. A presença de uma resposta gerada por IA compete pela atenção antes mesmo de o usuário considerar os links orgânicos.

Como o estudo foi conduzido

A metodologia se apoia em dados de navegação reais. As informações vêm do painel de desktop e mobile da Similarweb, referente a buscas nos Estados Unidos no primeiro quadrimestre de 2026.

Para refletir o uso atual, a amostra foi ponderada em dois terços mobile e um terço desktop. Esse desenho aproxima o resultado do comportamento predominante, em que a maior parte das buscas ocorre em dispositivos móveis.

Dois anos de avanço do zero-click

A série histórica reforça a direção do movimento. A passagem de 60,45% para 68,01% em dois anos mostra um avanço contínuo das buscas sem clique, e não uma oscilação pontual de período.

Diante desse cenário, cresce a relevância de uma estratégia de busca multicanal, que distribui a presença da marca por diferentes superfícies. A leitura dos próprios dados de tráfego, somada à medição do que chega de cada origem, torna-se ponto de partida para acompanhar o impacto do zero-click sobre cada negócio.

Foto de Escrito por Diego Ivo

Escrito por Diego Ivo

Diego é CEO da Conversion, agência Líder em SEO e especializada em Search. Possui mais de uma década de experiência no mercado digital e é um dos principais experts no Brasil em SEO.

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