Brand-Led Growth: a metodologia que transforma a marca no principal canal de aquisição

Brand-Led Growth é uma metodologia que une branding e growth para transformar a marca no principal motor de aquisição e vendas de uma empresa

No início dos anos 2000, uma crença poderosa tomou conta do mercado: a de que entrávamos em uma nova era onde absolutamente tudo poderia ser medido e atribuído. Os profissionais de marketing acreditavam estar deixando para trás a era dos Mad Men, baseada em intuição e criatividade, para entrar em uma fase científica do marketing. Com ferramentas como o Google Analytics, parecia possível rastrear cada clique, cada conversão e cada centavo investido.

Essa promessa levou empresas do mundo inteiro a um caminho aparentemente lógico: concentrar investimentos nos canais com maior ROAS (retorno sobre investimento em publicidade). Se um canal mostrava melhor performance, a decisão era simples: investir mais nele. O marketing se tornou uma equação matemática onde o objetivo era maximizar o retorno imediato, priorizando o fundo do funil e as conversões de curto prazo.

Porém, um problema começou a surgir. À medida que as empresas intensificavam seus investimentos em performance, os retornos começaram a diminuir. O custo de aquisição de clientes subiu, a dependência de mídia paga aumentou e muitas marcas se viram presas em uma armadilha: precisavam gastar cada vez mais para manter os mesmos resultados. A Booking.com, por exemplo, chegou a gastar 46% de sua receita em marketing sem conseguir reduzir esse percentual, pois qualquer corte resultava em queda imediata nas reservas.

O caso mais emblemático dessa crise foi o da Nike. Em 2017, a empresa lançou a estratégia Consumer Direct Offense, movendo seu foco de construção de marca para canais diretos ao consumidor e marketing de performance. O resultado, anos depois, foi perda de market share para a Adidas, enfraquecimento da lealdade dos consumidores e queda na percepção de inovação. Em 2023, a Nike precisou voltar atrás, reinvestindo em varejo tradicional e campanhas de marca para recuperar o terreno perdido.

O que é Brand-Led Growth

Brand-Led Growth é uma metodologia que une branding e growth para transformar a marca no principal canal de aquisição e vendas de uma empresa. O conceito nasceu da necessidade de superar a divisão artificial entre branding, tradicionalmente visto como algo intangível e imensurável, e growth, focado exclusivamente em métricas imediatas de vendas e aquisições.

A metodologia foca na criação de marcas que sejam interessantes, desejadas e facilmente acionáveis pelos consumidores. O objetivo é fazer com que as pessoas busquem ativamente pela marca quando quiserem um produto ou serviço, em vez de depender de interceptação de demanda genérica. Em essência, é uma mudança de paradigma dentro do marketing que estreita a relação entre reputação e performance, tratando branding como um investimento com retorno mensurável.

As abordagens tradicionais separam essas disciplinas, criando silos dentro das empresas. Departamentos de marca e performance raramente conversam e frequentemente competem por orçamento, como se fossem forças opostas. O Brand-Led Growth entende que a marca deve ser o principal canal de aquisição, e todo investimento em branding deve ser pensado com a mentalidade de growth, com métricas claras e foco em resultados de negócio.

Podemos pensar na evolução do marketing em três eras. No passado, o foco era o branding tradicional, com designers e comunicadores criando marcas com apelo emocional, mas sem conexão clara com resultados. No presente, vivemos a era do growth, dominada por engenheiros e analistas obcecados por aquisição baseada em dados. O futuro, que o Brand-Led Growth representa, é a era do arquiteto de marketing: um profissional que cria marcas orientadas a dados, unindo o melhor das duas abordagens.

A descoberta fundamental: 80% a 90% da conversão vem da marca

Um dos insights mais importantes que sustentam o Brand-Led Growth vem de uma análise consistente dos dados de conversão. De acordo com estudos realizados em centenas de empresas, entre 80% e 90% do tráfego que efetivamente converte em vendas vem de pesquisas por termos de marca. Isso significa que os cliques em palavras-chave genéricas, aquelas sem menção à marca, costumam ser responsáveis por apenas 10% a 20% de toda a receita gerada com tráfego orgânico.

Essa descoberta muda completamente a lógica de investimento em marketing. Se é o tráfego de marca que converte, a prioridade deveria ser fazer com que haja mais buscas pela marca. E isso só acontece quando construímos uma marca forte, desejada e que se torna a primeira opção na mente do consumidor. Não adianta investir milhões para rankear em palavras-chave genéricas se o consumidor, no momento da decisão, vai buscar pelo nome de um concorrente mais forte.

Existe uma diferença fundamental entre criar demanda e capturar demanda. Capturar demanda é disputar clientes que já estão procurando algum produto ou serviço da sua categoria, competindo com dezenas de concorrentes pelos mesmos termos genéricos. Essa é a estratégia da maioria das empresas focadas em performance. Criar demanda, por outro lado, é fazer com que as pessoas busquem especificamente pela sua marca quando quiserem um produto ou serviço, tornando a conversão praticamente garantida.

A demanda que já existe no mercado tem forte concorrência e custo crescente de aquisição. A demanda criada pela marca, ao contrário, tem um custo de captura baixo ou próximo de zero. Quando alguém busca pelo nome da sua empresa no Google, não existe leilão de palavras-chave nem competição direta. O clique orgânico é gratuito e a conversão é muito mais provável, pois o consumidor já decidiu que quer comprar de você.

Share of Search: a métrica que prevê market share

O conceito de Share of Search foi introduzido no mercado por Les Binet, um dos maiores especialistas em eficácia de marketing no mundo. Trata-se de uma métrica que leva em conta o total de buscas feitas por uma marca no Google em relação às buscas por todas as marcas da categoria. A fórmula é simples: Share of Search é igual às buscas por uma marca divididas pelas buscas por todas as marcas da categoria, multiplicado por cem.

A descoberta revolucionária de Binet foi demonstrar que existe uma correlação direta entre Share of Search e market share. Em outras palavras, quanto mais as pessoas buscam por sua marca, maior tende a ser sua participação no mercado nos meses seguintes. O Share of Search funciona como um indicador preditivo: ele antecipa movimentações de mercado antes que se reflitam em vendas, permitindo ajustes estratégicos proativos.

O Google Trends oferece dados gratuitos para calcular essa métrica, permitindo análises comparativas entre marcas do mesmo setor ao longo do tempo. Empresas que monitoram seu Share of Search conseguem identificar quando estão ganhando ou perdendo relevância em relação aos concorrentes, muitas vezes antes de perceber impacto nas vendas. Esse tempo de reação pode ser crucial para ajustar campanhas de branding e SEO antes que seja tarde demais.

O caso da Nike versus Adidas ilustra perfeitamente esse fenômeno. Quando a Nike reduziu investimentos em construção de marca, seu Share of Search caiu em relação à Adidas. Essa queda precedeu a perda de market share que a empresa registrou nos anos seguintes. Se os executivos tivessem monitorado essa métrica, poderiam ter identificado o problema muito mais cedo e ajustado a estratégia antes de perder participação de mercado.

O problema da atribuição: por que o Google Analytics não conta toda a história

Embora o Google Analytics seja uma ferramenta poderosa para rastrear comportamento no site, ele tem limitações significativas quando se trata de medir o impacto mais amplo da marca. A plataforma não captura a influência das redes sociais, onde conversas e compartilhamentos podem gerar consciência de marca substancial. Também ignora interações offline como boca a boca e eventos, que são cruciais para construir marcas fortes.

O problema fundamental é que os modelos de atribuição tradicionais, especialmente o last-click, atribuem toda a conversão ao último ponto de contato antes da compra. Se um cliente descobriu sua marca em um podcast, pesquisou sobre ela no YouTube, viu um post no Instagram e finalmente clicou em um anúncio do Google para comprar, o Google Ads receberá 100% do crédito pela conversão. Todos os outros pontos de contato que construíram a intenção de compra são ignorados.

Mesmo empresas com sistemas de tracking avançados frequentemente não conseguem identificar a origem real da intenção do cliente. Elas podem saber que um usuário veio de um canal orgânico e rastrear seu lifetime value, mas muitas vezes não distinguem se ele veio de uma busca com ou sem marca. Considerando que até 80% das conversões em performance marketing vêm de keywords com marca, essa lacuna é enorme.

Os elementos mais impactantes da construção de marca frequentemente estão além do alcance das ferramentas tradicionais de web analytics. O efeito de uma campanha de PR, de um conteúdo viral, de uma recomendação de um influenciador ou de uma experiência memorável com a marca simplesmente não aparece nos relatórios de atribuição. Isso leva muitas empresas a subestimar drasticamente o retorno dos investimentos em branding.

Self-attribution: perguntando diretamente ao cliente

Diante das limitações dos modelos de atribuição tradicionais, o Brand-Led Growth propõe uma abordagem complementar: a self-attribution, ou autoatribuição. Trata-se de um método onde perguntamos diretamente ao cliente como ele conheceu a marca, capturando informações que nenhum sistema automatizado consegue rastrear. Uma simples pergunta em formulários de contato ou pesquisas pós-compra pode revelar insights valiosos sobre a jornada real do consumidor.

A implementação é simples. Identifique os touchpoints onde você pode perguntar aos clientes como eles encontraram sua marca, seja em formulários de contato, durante o checkout ou em pesquisas pós-venda. Inclua uma pergunta aberta como “Como você nos conheceu?” e deixe o cliente responder com suas próprias palavras. Essas respostas podem ser categorizadas manualmente ou com auxílio de inteligência artificial para identificar os canais de aquisição mais efetivos.

Um desafio comum é quando o cliente responde genericamente “pesquisei no Google”. Nesse caso, você pode analisar as proporções de tráfego de busca paga e orgânica, excluindo palavras-chave de marca, para estimar a contribuição real de cada canal. O cruzamento dessas informações com os dados de self-attribution oferece uma visão muito mais completa e precisa do que os relatórios de atribuição last-click.

Na Conversion, adotamos a autoatribuição como métrica central, e os resultados têm sido reveladores. Descobrimos quais canais realmente geram leads qualificados, frequentemente diferentes daqueles que os relatórios de last-click indicavam. Isso permitiu ajustar investimentos de marketing para potencializar os canais que genuinamente movem o ponteiro do negócio, em vez de otimizar para métricas que não refletem a realidade.

O funil do Brand-Led Growth: criando e capturando demanda

A metodologia Brand-Led Growth divide o funil de marketing em quatro etapas distintas, cada uma com um papel específico na construção da marca e geração de vendas. Enquanto o topo e o meio do funil geram a demanda, o meio-fundo e fundo capturam essa demanda. É fundamental compreender que o mindset de growth está presente em todas as etapas: do topo até o fundo, o foco é a construção de uma marca forte para vender mais.

No topo do funil, o objetivo é reconhecimento. São os canais e comportamentos que contribuem para que as pessoas conheçam a marca. Aqui entram ações de PR, conteúdo educacional, presença em redes sociais e qualquer iniciativa que coloque a marca na frente de potenciais clientes que ainda não a conhecem. É o grande criador e impulsionador de demanda, onde plantamos as sementes que serão colhidas posteriormente.

No meio do funil, o foco é proximidade. Os comportamentos do usuário levam a interações com a marca, que por sua vez começa a apresentar produtos e serviços. É o momento de educar o potencial cliente sobre como sua solução resolve o problema dele, construindo relacionamento e confiança. O conteúdo aqui deve ser mais específico, mostrando casos de uso, comparativos e provas sociais que aproximam o consumidor da decisão de compra.

O meio-fundo é onde geramos desejo. O foco dos canais é fazer com que o consumidor tenha contato direto com o produto e com a Proposta Única de Valor da marca. Demonstrações, trials, consultorias gratuitas e qualquer formato que permita ao cliente experimentar o que você oferece entram nessa etapa. É aqui que a consideração vira intenção real de compra.

Finalmente, no fundo do funil, o objetivo é conversão. O consumidor já tem a intenção de conhecer e adquirir produtos ou serviços. Depois de criar a demanda e o desejo, esse é o momento de converter em vendas. Mas atenção: se todo o trabalho das etapas anteriores foi bem feito, a conversão no fundo será muito mais fácil e barata. O cliente já chega decidido, buscando pela sua marca.

Case Gran.com: de 19% para 40% de Share of Search

Um dos casos mais emblemáticos de aplicação do Brand-Led Growth é o da Gran.com, uma das maiores edtechs do Brasil. A empresa começou como uma plataforma de preparação para concursos públicos e hoje oferece cursos de graduação e pós-graduação. Quando a pandemia chegou, o mercado foi duramente impactado pela suspensão de concursos. Enquanto concorrentes entraram em pânico, a Gran viu uma oportunidade.

A estratégia foi contraintuitiva. Em vez de cortar investimentos em marca durante a crise, a Gran intensificou sua comunicação com uma mensagem clara: era o melhor momento da história para estudar. Com o tempo livre forçado pelo isolamento social, milhões de brasileiros tinham a oportunidade perfeita para se preparar para os concursos que inevitavelmente voltariam. Essa narrativa ressoou profundamente com o público-alvo.

A implementação do Brand-Led Growth focou em construir uma marca forte e buscável. A Gran investiu em conteúdo educacional gratuito de alta qualidade, presença consistente em redes sociais, parcerias estratégicas e uma comunicação que posicionava a empresa como aliada do concurseiro, não apenas como vendedora de cursos. Cada ação de marketing era pensada para aumentar o Share of Search e fortalecer a posição da marca na mente do consumidor.

Os resultados foram extraordinários. O Share of Search da Gran saltou de 19% para 40%, consolidando sua posição como líder de mercado. A empresa não apenas sobreviveu à pandemia como saiu muito mais forte, tornando-se uma das maiores edtechs do Brasil. E tudo isso foi construído sobre uma base sólida de marca, não de performance pura. Quando os concursos voltaram, a Gran estava posicionada como a primeira opção na mente dos candidatos.

Inovação como motor do Brand-Led Growth

Na jornada do Brand-Led Growth, inovação não é opcional. É um dos principais motores que mantêm a marca relevante e competitiva em um mercado em constante mudança. Inovar não se resume a lançar novos produtos; significa constantemente encontrar formas de entregar mais valor ao cliente, surpreender o mercado e manter a marca na conversa. Marcas que descansam sobre suas conquistas correm o risco de perder relevância rapidamente.

A inovação impulsiona o Brand-Led Growth porque gera interesse genuíno do consumidor e da mídia. Quando uma empresa lança algo novo e relevante, as pessoas falam sobre isso, jornalistas escrevem matérias, influenciadores comentam e as buscas pela marca aumentam naturalmente. Esse earned media é muito mais poderoso e duradouro do que qualquer campanha paga, porque vem acompanhado de credibilidade e contexto editorial.

O próprio caso da Nike ilustra esse ponto. Após perceber as limitações de sua estratégia focada em performance, a empresa reinvestiu em inovação de produto, particularmente em design e tecnologia de calçados. Novos materiais, novas tecnologias de amortecimento e colaborações criativas com designers voltaram a posicionar a Nike como uma marca inovadora, não apenas uma empresa que vendia tênis com desconto em canais digitais.

Marcas que não inovam se tornam commodities, competindo apenas por preço. E competição por preço é uma corrida para o fundo onde ninguém vence no longo prazo. O Brand-Led Growth exige que a empresa constantemente se pergunte: o que estamos fazendo de diferente? Como estamos surpreendendo nossos clientes? Qual é a história que estamos contando que nos diferencia de todos os outros?

O poder do storytelling na construção de marcas buscáveis

No coração do Brand-Led Growth está uma pergunta que todo profissional de marketing deve se fazer constantemente: o que nossa marca está dizendo e como isso nos diferencia dos concorrentes? Uma narrativa de marca forte, clara e consistentemente comunicada em todos os canais é essencial para criar uma marca memorável e buscável. Não basta ter um bom produto; é preciso contar uma história que conecte emocionalmente com o público.

O storytelling eficaz vai além de simplesmente diferenciar sua marca. Ele a torna única e inesquecível na mente dos consumidores. Quando você conta uma história que ressoa com os valores, aspirações e dores do seu público, você cria uma conexão que transcende a relação transacional. O cliente não compra apenas um produto; ele compra participação em uma narrativa maior, em uma comunidade de pessoas que compartilham seus valores.

Essa conexão emocional se traduz diretamente em buscas pela marca. Quando o consumidor se identifica com sua história, ele não vai pesquisar genericamente pelo produto. Ele vai buscar especificamente pelo nome da sua empresa. E quando ele encontrar sua marca, a conversão será muito mais provável porque já existe uma predisposição positiva construída pelo storytelling.

O segredo está em cada esforço de branding ter clareza sobre qual história está sendo contada e como ela distingue a marca no mercado. Não se trata de criar narrativas artificiais ou manipuladoras, mas de identificar a verdade essencial da sua marca, aquilo que genuinamente a diferencia, e comunicar isso de forma consistente e autêntica. Quando bem executado, o storytelling se torna o principal combustível do Brand-Led Growth.

Bothism: o fim da guerra entre marca e performance

Um dos maiores equívocos do marketing nas últimas décadas foi tratar branding e performance como forças opostas que competem por orçamento e atenção. O Brand-Led Growth propõe uma superação definitiva dessa falsa dicotomia através do que podemos chamar de “bothism”: a integração consciente e estratégica de ambas as abordagens em um modelo unificado de crescimento.

O marketing moderno é onde a arte encontra a ciência. Precisamos da ressonância emocional que vem da construção de marca, das histórias bem contadas, das experiências memoráveis e das conexões humanas genuínas. E precisamos igualmente da precisão orientada por dados do marketing de performance, da capacidade de medir, testar, otimizar e escalar o que funciona. Nenhum dos dois sozinho é suficiente.

Os melhores profissionais de marketing não são nem artistas puros nem cientistas puros. São arquitetos que projetam sistemas onde marca e performance se reforçam mutuamente. A marca forte reduz o custo de aquisição e aumenta a conversão no fundo do funil. A performance bem executada gera receita que pode ser reinvestida em construção de marca. É um ciclo virtuoso onde cada parte potencializa a outra.

O Brand-Led Growth não é sobre escolher entre investir em branding ou performance. É sobre integrar ambos em uma estratégia coerente onde cada real investido contribui tanto para resultados imediatos quanto para construção de marca no longo prazo. É sobre parar de tratar o marketing como departamentos separados que não conversam e começar a pensar em todo investimento como construção de um ativo de marca que gera retornos compostos ao longo do tempo.

As métricas do Brand-Led Growth

O Brand-Led Growth não se limita às métricas tradicionais do marketing como ROI e LTV. Embora essas métricas continuem importantes, a metodologia propõe um conjunto complementar de indicadores que capturam melhor o valor da marca e seu impacto no crescimento do negócio. A chave está em entender o comportamento do consumidor perguntando diretamente a ele, em vez de confiar cegamente em sistemas automatizados de atribuição.

O Share of Search é a métrica mais importante do Brand-Led Growth. Ela mede a participação da sua marca nas buscas totais do segmento, funcionando como um indicador preditivo de market share. Monitorar essa métrica ao longo do tempo permite identificar tendências de crescimento ou declínio da relevância da marca antes que se manifestem nas vendas. É um sistema de alerta precoce que permite ajustes estratégicos proativos.

A autoatribuição, como já discutimos, complementa os dados quantitativos com insights qualitativos sobre a jornada real do cliente. NPS e CSAT medem satisfação e propensão a recomendar, indicadores fundamentais de saúde da marca. Entrevistas aprofundadas com clientes revelam nuances que nenhuma métrica automatizada captura. Juntas, essas ferramentas fornecem uma visão muito mais completa e precisa do valor da marca.

O erro comum é tentar medir branding com métricas de performance de curto prazo. O ROI de branding deve ser medido pelo aumento no Share of Search, pelo crescimento nas buscas diretas pela marca, pela redução no custo de aquisição ao longo do tempo, pelo aumento da conversão em diferentes canais e pelo crescimento do market share. Estes são indicadores de que a marca está se tornando mais forte e mais buscada, o que eventualmente se traduz em mais vendas a um custo menor.

Como implementar o Brand-Led Growth na sua empresa

A implementação do Brand-Led Growth começa com uma mudança de mentalidade, não de ferramentas ou processos. O primeiro passo é entender e internalizar que branding e performance não são opostos, mas complementos que se reforçam mutuamente. Essa mudança de mindset precisa permear toda a organização, do CEO ao analista júnior, para que as decisões diárias reflitam essa nova compreensão.

O segundo passo é avaliar sua posição atual. Qual é o seu Share of Search comparado aos concorrentes? Quanto do seu tráfego e receita vem de buscas pela marca versus buscas genéricas? Se a maior parte das suas conversões já vem de tráfego de marca, você tem um ativo valioso para proteger e expandir. Se não, você identificou a principal alavanca de crescimento que precisa construir.

Em seguida, identifique em qual estágio do funil está sua maior fricção. Você tem problema de reconhecimento, onde ninguém conhece sua marca? De proximidade, onde as pessoas conhecem mas não confiam? De desejo, onde confiam mas não veem diferenciação suficiente? Ou de conversão, onde tudo está pronto mas algo no processo final atrapalha? O diagnóstico correto determina onde concentrar esforços.

Defina métricas claras para cada estágio do funil, todas conectadas à performance da marca. Estabeleça sua Proposta Única de Valor: o que sua marca vende além do produto? Por que alguém deveria escolher você em vez de qualquer concorrente? Essa clareza é fundamental para toda a comunicação subsequente. Finalmente, crie um plano integrado onde cada ação de marketing contribui simultaneamente para resultados imediatos e fortalecimento da marca.

Equilibrando investimentos entre topo e fundo de funil

Uma das perguntas mais frequentes sobre Brand-Led Growth é como distribuir investimentos entre as diferentes etapas do funil. A resposta depende fundamentalmente de dois fatores: a maturidade da sua marca e o principal desafio que você enfrenta no momento. Não existe uma fórmula universal; cada empresa precisa calibrar essa equação com base em sua situação específica.

Se sua marca ainda não é conhecida pelo mercado-alvo, a prioridade deve ser o topo do funil. Investir em conversão quando ninguém sabe que você existe é jogar dinheiro fora. Nesse estágio, concentre recursos em ações que gerem reconhecimento: PR, conteúdo educacional, presença em eventos, parcerias com influenciadores e qualquer iniciativa que coloque sua marca na frente de potenciais clientes pela primeira vez.

Por outro lado, se sua marca já é conhecida mas não consegue converter interesse em vendas, o problema pode estar no fundo do funil. Talvez seu processo de vendas tenha fricções desnecessárias, seu preço não esteja alinhado com a percepção de valor, ou sua proposta não esteja clara o suficiente. Nesse caso, otimizar o funil de conversão trará resultados mais rápidos do que investir em mais awareness.

O cenário ideal é construir um sistema onde investimentos em todas as etapas do funil se conectam e se reforçam. O conteúdo de topo de funil educa o mercado e gera leads que são nutridos no meio do funil até estarem prontos para converter. A receita gerada no fundo do funil é reinvestida em mais construção de marca no topo. É um flywheel de crescimento onde cada parte impulsiona as outras.

O futuro do marketing é Brand-Led Growth

O cenário de marketing está mudando rapidamente. A chegada das inteligências artificiais generativas está transformando como as pessoas buscam informação e tomam decisões de compra. Ferramentas como ChatGPT, Claude e Perplexity estão se tornando consultores de confiança que recomendam marcas e produtos. E essas IAs têm muito mais probabilidade de mencionar marcas fortes e reconhecidas do que empresas desconhecidas.

Nesse novo contexto, a construção de marca se torna ainda mais crítica. Pesquisas mostram que o principal fator para uma marca aparecer nas respostas de IAs generativas é o volume de buscas e menções que ela recebe. Ou seja, marcas fortes, com alto Share of Search e presença consistente na mídia e nas conversas online, serão as mais recomendadas pelos assistentes de IA que cada vez mais influenciam decisões de compra.

O conceito de Search Orchestration, ou Orquestração de Buscas, expande o Brand-Led Growth para todos os canais onde as pessoas buscam informação. Não é mais suficiente otimizar apenas para o Google. As marcas precisam orquestrar sua presença no Google, YouTube, TikTok, Instagram, marketplaces como Amazon e Mercado Livre, buscas internas de sites e, cada vez mais, nas IAs generativas. Cada canal é uma oportunidade de construir marca e capturar demanda.

O papel do marketing está evoluindo. Não se trata mais de simplesmente vender produtos, mas de educar o cliente para comprar. As empresas que entenderem essa mudança e adotarem o Brand-Led Growth como filosofia central estarão muito melhor posicionadas para prosperar na próxima década. Aquelas que continuarem tratando branding e performance como disciplinas separadas ficarão cada vez mais para trás, presas em uma corrida de eficiência que nunca vence.

Conclusão: construindo marcas que as pessoas buscam

Brand-Led Growth representa uma evolução necessária no pensamento de marketing. Não é uma negação do performance marketing, mas uma integração mais sofisticada que reconhece a marca como o ativo mais valioso de uma empresa e o principal motor de crescimento sustentável. Quando as pessoas buscam ativamente pela sua marca, todo o resto fica mais fácil: conversão, retenção, precificação premium e expansão para novos mercados.

A metodologia se sustenta em dados concretos: 80% a 90% da conversão vem de tráfego de marca; Share of Search prevê market share; empresas que equilibram branding e performance consistentemente superam aquelas que focam apenas em retorno de curto prazo. Os casos da Nike, Adidas, Airbnb e Gran.com demonstram tanto os riscos de negligenciar a marca quanto as recompensas de investir consistentemente em sua construção.

A implementação começa com uma mudança de mentalidade e evolui para um sistema integrado onde cada ação de marketing contribui simultaneamente para resultados imediatos e fortalecimento da marca. As métricas certas, como Share of Search e autoatribuição, permitem medir o que realmente importa. E a inovação constante mantém a marca relevante e na conversa, alimentando o ciclo virtuoso de crescimento.

O futuro pertence às marcas que as pessoas buscam. Em um mundo cada vez mais fragmentado, com atenção dispersa e opções infinitas, ser a primeira opção na mente do consumidor é a maior vantagem competitiva possível. O Brand-Led Growth não é apenas uma metodologia de marketing; é uma filosofia de negócios que coloca a construção de marca no centro de toda a estratégia de crescimento. Essa é a única forma sustentável de construir empresas que prosperam no longo prazo.

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Escrito por Diego Ivo

Diego é CEO da Conversion, agência Líder em SEO e especializada em Search. Possui mais de uma década de experiência no mercado digital e é um dos principais experts no Brasil em SEO.

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