Google AI Mode é a experiência de busca conversacional do Google baseada em modelos Gemini, que combina respostas geradas por IA com links da web e completou 1 ano nos EUA em maio.
O Google publicou em maio de 2026 o relatório de marco de 1 ano do AI Mode, sua experiência de busca generativa lançada nos EUA durante o Google I/O 2025. Os números traduzem uma escala difícil de comparar com qualquer outra mudança recente no Search: 1 bilhão de usuários ativos mensais globalmente e volume de queries que mais do que dobra a cada trimestre desde o lançamento.
Mais do que escala bruta, o relatório descreve uma mudança de comportamento. As buscas ficaram em média três vezes maiores do que as tradicionais, as follow-ups (perguntas de continuidade) conversacionais aumentaram em média mais de 40% por mês nos EUA, e uma em cada seis interações já é multimodal — feita com voz, imagem ou vídeo, não com texto.
Os dados foram coletados de maio de 2025 a abril de 2026 a partir de amostras do Google Trends e cobrem cinco grandes blocos de uso: Explore (explorar), Decide (decidir), Learn (aprender), Create (criar) e Do (fazer). Os tópicos abaixo destrincham cada bloco e contextualizam o que os números sinalizam para marcas, equipes de SEO e profissionais de marketing.
O contexto do relatório e por que ele importa
O relatório How AI Mode is changing the way people search in the U.S. é o primeiro consolidado quantitativo público do Google sobre o comportamento de usuários do AI Mode. Antes dele, as comunicações públicas tinham sido pontuais — notas de imprensa, painéis em conferências e episódios de podcast.
O documento marca o aniversário de uma das mudanças mais profundas do Search desde a indexação semântica. Para empresas que dependem de tráfego orgânico ou de visibilidade em buscas, os números são insumo central para repensar estratégias de Google AI Mode e adaptar conteúdo ao novo padrão de query.
A objeção previsível — “isso é nos EUA” — ignora o histórico do próprio Google. Featured Snippets, BERT, SGE e Discover chegaram ao Brasil com defasagem média de 6 a 12 meses em relação ao lançamento original, e cada um redesenhou a SERP antes que o mercado local tivesse playbook pronto. O AI Mode segue a mesma curva, com a diferença de que parte das otimizações exige reescrita estrutural de conteúdo — prazo que não cabe em correria de última hora.
1 bilhão de usuários: a escala da adoção em 12 meses
Em 12 meses de operação nos EUA — com expansão internacional gradual ao longo do período —, o AI Mode passou a 1 bilhão de usuários ativos mensais globais. Para comparação histórica, o Google Search levou anos para ultrapassar marcos equivalentes em sua trajetória inicial.
O volume de queries mais do que dobrou a cada trimestre desde o lançamento. Trata-se de adoção exponencial sustentada, não de pico inicial seguido de queda. O sinal é compatível com a tese de que o AI Mode não está apenas roubando queries do Search tradicional, mas criando demanda nova de consultas que antes não eram feitas.
A escala importa estrategicamente porque define o tamanho do mercado endereçável de visibilidade em IA. Marcas que ignoram o AI Mode passam a ter custo de oportunidade mensurável, principalmente em verticais com alta correlação com os tópicos identificados pelo relatório.
Queries no AI Mode são três vezes maiores que as buscas tradicionais
A query média no AI Mode tem três vezes mais palavras do que a query média no Search tradicional. O dado é estrutural: pessoas estão deixando de traduzir intenção em palavras-chave curtas para fazer perguntas completas, em linguagem natural.
As follow-up queries — quando o usuário continua a conversa em vez de iniciar uma busca nova — cresceram em média mais de 40% por mês nos EUA. Esse comportamento conversacional muda a forma como o Google interpreta intenção: cada turno de conversa carrega contexto acumulado do turno anterior.
Para SEO, a consequência prática é direta. Conteúdo otimizado apenas para keywords curtas perde relevância proporcional. Páginas que cobrem dúvidas completas, com seções aprofundadas e respostas explicativas, ganham vantagem em recuperação por modelos generativos.
1 em cada 6 buscas é multimodal; as buscas por imagem crescem 40% ao mês
Mais de uma em cada seis queries no AI Mode é não-textual. Voz, imagem, vídeo e até buscas ao vivo já são parte do repertório padrão. As buscas com input (entrada) de imagem são um dos tipos que mais crescem: ampliam mais de 40% ao mês desde o lançamento.
O dado tem implicação prática para marcas com produto visual: e-commerce de moda, decoração, automóveis, eletrônicos e qualquer categoria em que o consumidor consegue fotografar antes de descrever. Imagens de produto, alt-text (texto alternativo) estruturado e schema markup (marcação estruturada) voltado para reconhecimento visual ganham peso direto.
No Brasil, moda e beleza respondem por parcela desproporcional do e-commerce digital — verticais em que a busca por imagem já é nativa em apps como Shopee e Mercado Livre. Marcas dessas categorias que ainda tratam alt-text, schema Product e fotos de catálogo como tarefa secundária estão deixando vago um espaço que o consumidor brasileiro vai exigir antes do americano, justamente por já ter o hábito de fotografar produtos para comprar.
A consolidação do multimodal também antecipa um movimento maior. O Search caminha para uma interface em que texto é apenas um dos canais de entrada. Marcas precisam pensar a presença orgânica como ativo descritivo em múltiplas modalidades, não apenas em conteúdo escrito.
O vocabulário das buscas: palavras mais frequentes e como cada query começa
O relatório mede o comportamento de busca em quatro dimensões distintas, que vale separar antes de ler as tabelas: as palavras mais frequentes dentro das queries (vocabulário), as primeiras palavras com que cada busca começa (forma da pergunta), as categorias temáticas que organizam o uso geral do canal e os tópicos específicos dentro de cada bloco de intenção. Cada dimensão responde uma pergunta diferente.
As tabelas abaixo cobrem as duas primeiras dimensões. À esquerda, as palavras que mais aparecem em qualquer posição dentro das buscas — mostram o vocabulário dominante. À direita, as palavras com que as buscas mais começam — indicam a forma sintática da pergunta.
Tabela 1. As palavras mais usadas dentro das buscas (qualquer posição) e a palavra que mais aparece no início das buscas. Duas medidas diferentes lado a lado.
| Palavras mais frequentes nas queries | Palavras com que as queries mais começam |
|---|---|
| Information (informação) | What (o que) |
| Identify (identificar) | How (como) |
| Find (encontrar) | I (eu) |
| Explain (explicar) | Is (é) |
| Summarize (resumir) | Can (posso/pode) |
O domínio de “What” e “How” como primeiras palavras evidencia que o canal se tornou referência para perguntas de fundo, não apenas para localizar URLs. O verbo “Explain” entre as palavras mais frequentes reforça a posição do AI Mode como camada explicativa, não como diretório de links.
Para conteúdo editorial, o sinal é nítido. Páginas que respondem “como” e “por que” com profundidade conversacional ganham relevância. Catálogos secos, listas sem contexto e páginas otimizadas apenas para keyword exata perdem aderência ao formato dominante.
Os 10 grandes temas do AI Mode: em que áreas da vida o canal é usado
Diferente da lista anterior, que media palavras isoladas dentro das buscas, a próxima classificação agrupa as queries em áreas temáticas amplas — o “sobre o que” os usuários conversam, não o “como” eles formulam. O relatório define dez categorias principais, sem sobreposição.
Tabela 2. As 10 grandes áreas temáticas que concentram o volume de uso do AI Mode — classificação ampla, distinta de vocabulário ou primeiras palavras.
| Categoria | Exemplos de uso |
|---|---|
| Geração criativa e de conteúdo | Escrita, brainstorm, edição de imagem ou mídia |
| Mídia e entretenimento | Filmes, TV, jogos, música, ingressos |
| Educação e conhecimento | Informação factual e recursos de aprendizado |
| Moda e beleza | Recomendações, reviews e conselhos de estilo |
| Comida e bebidas | Restaurantes, bares e cafés |
| Saúde e bem-estar | Exercício, nutrição, informação médica |
| Tecnologia e código | Hardware, gadgets, programação |
| Viagem | Voos, hotéis, atrações locais |
| Produtividade e tarefas práticas | DIY, tutoriais, tradução |
| Desenvolvimento pessoal e profissional | Carreira e crescimento financeiro |
As três primeiras categorias indicam uso cotidiano centrado em geração de conteúdo, lazer e educação. Profissionais de marketing operando nesses verticais precisam priorizar visibilidade no AI Mode como canal estratégico, não como secundário.
As dez categorias acima descrevem a composição geral do canal. Os próximos cinco blocos — Explore, Decide, Learn, Create e Do — mudam o eixo de análise: em vez de tema, classificam por intenção do usuário. Cada bloco traz seus próprios tópicos dominantes, mais granulares do que as categorias.
Bloco Explore: os tópicos de descoberta e brainstorming
No bloco Explore (explorar), a função predominante é descoberta. As pessoas chegam ao AI Mode para brainstormar ideias, explorar conceitos abertos e seguir a conversa em busca de inspiração. Queries relacionadas a brainstorming cresceram 30% mais rápido do que a média do canal desde o lançamento.
Buscas iniciadas por “where to” (para onde), “where should I” (onde devo) e “ideas for” (ideias para) também crescem aceleradamente. Os usos mais frequentes incluem reparação de carro, compras gerais, streaming de filmes e séries, e compra de ingressos para eventos. A lista mostra que o AI Mode virou ponto de partida tanto para decisões de consumo quanto para questões cotidianas.
Quando o usuário inicia conversas com “how to get started” (como começar) ou “beginners guide” (guia para iniciantes), os temas mais frequentes são escrita, leitura, streaming, corrida, desenho, culinária, fotografia, guitarra, natação e dança. O AI Mode se posicionou como porta de entrada para novos aprendizados.
Bloco Decide: os produtos comparados e os atributos consultados
No bloco Decide (decidir), o AI Mode opera como camada de decisão. Queries iniciadas com “which” (qual) cresceram 40% mais rápido do que o total nos últimos seis meses, com destaque para “which of” (qual dentre) e “which one” (qual deles) — sinais de que o usuário usa o canal para comparar alternativas concretas.
Compras formam um dos blocos mais ativos. Os 10 tópicos de shopping com mais follow-ups são, em ordem: eletrônicos, livros/filmes/música, vestuário, saúde/beleza, automotivo, casa/jardim, mercado, melhoria de casa, brinquedos/jogos e esportes/outdoor.
Os atributos mais consultados ao buscar produto ou vestuário são preço, localização, cor, marca, disponibilidade, tamanho, material, estilo, tipo e qualidade. A leitura para varejo é direta: páginas de produto que não expõem todos esses atributos perdem tração em recuperação por IA.
Antes de replicar a hierarquia de atributos no PDP brasileiro, vale uma ressalva: a ordem reflete consumidor americano, com poder de compra e logística diferentes. No Brasil, frete, prazo de entrega e parcelamento costumam disputar com cor e tamanho no topo da decisão. O exercício útil não é copiar a lista, e sim auditar quais desses atributos a sua página de produto cobre de forma extraível por um modelo — independentemente da ordem.
Bloco Learn: AI Mode como tutor pessoal e gerador de quizzes
No bloco Learn (aprender), o AI Mode é usado como auxiliar de estudo e tutor pessoal. As palavras-chave mais frequentes em prompts para criação de quizzes e guias de estudo são, em ordem: matemática geral, espanhol, história, inglês, biologia, química, vocabulário, álgebra, geometria e enfermagem.
Pessoas também usam o AI Mode para preparação profissional. Os 10 certificados mais pesquisados em conversas de follow-up são — todos no contexto americano — Security+ (certificação em segurança da informação), faixa preta de artes marciais, Network+ (certificação em redes), bar exam (exame para advogados nos EUA, equivalente à OAB), real estate license (licença de corretor de imóveis), CPA (contabilidade), CDL (carteira para transporte de carga), scrum master (líder ágil de equipe), eletricista e Nclex (registro de enfermagem nos EUA).
Os temas mais frequentes para deep dives (mergulhos aprofundados) ou explicações em profundidade incluem conjugação verbal, física e espaço, JavaScript/desenvolvimento front-end, problemas de Wi-Fi/Bluetooth/impressora, encanamento básico, jogos de tabuleiro/RPG, eventos históricos, conserto de eletrodomésticos, fiação elétrica e gírias.
Bloco Do: planejamento subiu 80% e Canvas vira ferramenta agêntica
No bloco Do (fazer), o AI Mode remove fricção entre encontrar informação e executar tarefa. Queries relacionadas a planejamento cresceram 80% mais rápido do que a média do canal nos últimos seis meses — logística diária, agendas, listas de tarefas, rotinas de exercício e busca por restaurantes.
O Canvas, ferramenta interna do AI Mode para organizar planos ao longo do tempo, conecta-se diretamente com o movimento de SEO agêntico. Os tópicos mais frequentes de uso do Canvas para agendas e itinerários são planos de viagem para praia/resort, tour por museus, gincanas locais, trilhas em parques nacionais, day trips (bate-voltas), festas de inauguração, lua de mel, viagens com crianças, despedidas de solteiro e estratégias para parques temáticos.
Em fitness, os usos predominantes são rotina de abdômen, treino de pernas, planejamento de maratona, contagem de passos, percursos de corrida, push-pull-legs (split de treino empurrar-puxar-pernas), reabilitação para problemas de ciática ou joelho, calistenia, preparação para 5K/10K e alongamento. Em finanças, dividendos, planejamento de aposentadoria, planilhas de despesas, sistema de mesada, orçamento mensal, fundo de emergência e estratégia de quitação de dívida.
Bloco Create: image creation triplicou desde janeiro
No bloco Create (criar), o AI Mode integra ferramentas de geração de imagem e texto. Desde o início de 2026, as queries de criação de imagem mais do que triplicaram, com a integração de funcionalidades como Nano Banana ampliando o que o usuário consegue produzir diretamente na interface de busca.
Os 10 itens mais pedidos para criar são, em ordem: foto, quiz (teste), logo, história/poema, código/programa, mensagem, lista, documento, notas/resumo e desenho animado (cartoon). Para edição, os tipos predominantes são foto, documento, vídeo, mensagem, código, PDF, frase, áudio, notas/resumo e essay (redação dissertativa).
A consolidação do AI Mode como ferramenta criativa borra a fronteira entre busca e produção. Para marcas, isso significa que parte da jornada do consumidor — antes encerrada em um clique externo — agora termina dentro do próprio canal de busca, sem visita ao site da marca.
Destinos, lojas e critérios de escolha: o que o usuário pondera antes de comprar
A lista anterior mostrou em que verticais o usuário compara opções. Esta seção muda novamente a unidade de análise: não são produtos nem categorias, são os critérios que ele cita ao filtrar a escolha. Esses atributos são insumo direto para estruturação de páginas de produto, fichas de restaurante e roteiros de viagem.
Em planejamento de viagem com termos como “itinerary to” (roteiro para) ou “vacation for” (férias para), os 10 destinos mais pesquisados são Hawaii, Tóquio, Itália, Paris, Japão, Islândia, Espanha, Londres, Las Vegas e Louisiana.
Para operadoras de turismo brasileiras, o top 10 internacional confirma um movimento que o mercado já observa: demanda outbound concentrada em Japão, Itália e Espanha, com alta de buscas comparativas de roteiro. Já o sinal de “near me” (perto de mim) como follow-up dominante tem efeito imediato para varejo físico no Brasil — Google Business Profile, NAP consistente e páginas locais por unidade deixam de ser higiene e passam a ser ativo de recuperação no AI Mode.
Em buscas sobre lojas, os tópicos predominantes de follow-up são “near me”, peças de reposição, concessionárias de carro com financiamento, online (na internet), em estoque, jardinagem, pneu, joalheria, bebidas alcoólicas e mercado. A intenção local segue forte mesmo em interfaces conversacionais.
Para varejistas operando no Brasil, o sinal é estratégico. Investir em branded keywords consolidadas e em conteúdo que cubra atributos comerciais (preço, localização, disponibilidade) protege a presença orgânica em um canal que tende a sintetizar respostas sem clique de saída.
Em restaurantes, os atributos mais pesquisados em follow-ups são amigável para crianças/famílias, vista, bar, opções veganas/vegetarianas, área externa, sala privada, música ao vivo, dog friendly (aceita cães) e dança. Negócios físicos que estruturam essas informações nos próprios sites e em diretórios ganham vantagem em recuperação.
O que esses números sinalizam para SEO e marketing no Brasil
Os dados são dos EUA, mas o sinal é global. O AI Mode tem rollout internacional gradual, e o Brasil já recebe a experiência em ondas. As tendências mostradas no relatório tendem a se repetir no mercado brasileiro, com defasagem de meses, não de anos.
Marcas que aguardam estabilização do canal antes de adaptar conteúdo perdem janela competitiva. O estudo recente sobre buscas sem clique no AI Mode já mostrou que 77,6% das interações no canal não geram clique externo. O custo de não aparecer na resposta gerada é o de perder a venda na origem.
A leitura prática combina três frentes: estruturar conteúdo para responder perguntas completas (não só keywords), seguir o guia de otimização para a IA do Google com foco em E-E-A-T e fontes citáveis, e construir uma operação de marketing de conteúdo que produza ativos com profundidade conversacional, dados próprios e exemplos verificáveis.
Em vocabulário que já circula no mercado, o que o relatório descreve é a maturação simultânea de GEO (Generative Engine Optimization), AEO (Answer Engine Optimization) e SEO clássico convivendo no mesmo SERP. Três ações cabem na próxima semana, não no próximo trimestre: mapear quais queries da sua marca já disparam AI Overview no Search BR, reescrever os 20 PDPs ou artigos de maior receita para responder pergunta completa em vez de keyword, e instrumentar medição de menção em resposta gerada — não só de posição.
Como priorizar com orçamento brasileiro
A maioria das equipes de marketing no Brasil opera com headcount enxuto e ciclo de aprovação longo. A leitura pragmática do relatório é priorizar pelos 20% de páginas que carregam 80% da receita orgânica: reescrever esses ativos para profundidade conversacional rende mais do que refatorar o catálogo inteiro.
O segundo corte é multimodal, mas apenas onde já existe ativo visual — e-commerce, imóveis, turismo. Setores B2B podem adiar o multimodal sem custo competitivo nos próximos 12 meses, concentrando esforço em conteúdo textual com profundidade explicativa e em estrutura de página que facilite extração por modelos generativos.
Metodologia e limites dos dados oficiais
Os dados publicados pelo Google vêm de amostras aleatórias e não enviesadas do Google Trends, coletadas durante o período de operação do AI Mode (maio/2025 a abril/2026). O Google não divulga volume absoluto: o que se mede é proporção de queries em cada tópico relativa ao volume total no mesmo período.
Os crescimentos percentuais referem-se ao movimento dessa proporção ao longo do tempo, não a valores absolutos. Quando o relatório diz que queries relacionadas a brainstorming cresceram 30% mais rápido do que o total, a leitura é comparativa: a taxa de crescimento dessa categoria foi 30% superior à taxa de crescimento médio do canal no mesmo período.
As listas de top tópicos foram geradas com sinônimos e expansões semânticas — por exemplo, a lista de itens para “create” (criar) agrega queries com “generate” (gerar) e “make” (fazer). Os dados do AI Mode não estão disponíveis publicamente no trends.google.com, o que limita auditoria externa.
O que não se pode concluir desses dados: que “brainstorming cresceu 30%” significa 30% de volume novo, ou que as listas de top tópicos representam tamanho de oportunidade. São proporções relativas de uma amostra americana, sem peso por receita ou intenção comercial. Replicar a tabela de categorias como roadmap de conteúdo no Brasil é confundir indicador de tendência com tamanho de mercado.
Perguntas frequentes
As dúvidas a seguir resumem os principais pontos práticos que profissionais de marketing e SEO no Brasil costumam ter ao avaliar como adaptar estratégia a partir dos dados do relatório.
Como os dados do relatório foram coletados?
A partir de amostra aleatória e não enviesada do Google Trends, no período de maio de 2025 a abril de 2026. O Google não divulga volume absoluto: a métrica é proporcional ao total de queries no mesmo intervalo de tempo e localização.
O AI Mode vai substituir o Google tradicional?
O relatório indica complementaridade, não substituição. Pessoas começam jornadas no Search tradicional e migram para o AI Mode para aprofundar a conversa. As duas interfaces convivem, com divisão de uso por tipo de intenção e modalidade.
O que muda para quem trabalha com SEO?
Conteúdo curto, otimizado apenas para keyword exata, perde tração. Páginas que respondem perguntas completas, com profundidade conversacional, dados próprios e fontes citáveis ganham relevância na recuperação por modelos generativos. A operação de conteúdo passa a competir por inclusão em resposta, não apenas por posição em SERP.
O que é o Canvas no AI Mode?
O Canvas é uma ferramenta dentro do AI Mode que permite ao usuário organizar planos e projetos ao longo do tempo. Funciona como espaço persistente em que o assistente pode iterar — útil para viagens, treinos, planejamento financeiro e qualquer tarefa que se desenvolva em múltiplos turnos de conversa.
O relatório do Google estabelece o pano de fundo. A pergunta operacional — quais ativos da sua marca já são recuperados pelo AI Mode e quais estão invisíveis — só se responde com auditoria específica do seu domínio. Profissionais que partem dessa pergunta concreta, em vez do diagnóstico genérico do canal, capturam vantagem antes da generalização do rollout (lançamento gradual) no Brasil.