A 29ª Pesquisa Global de CEOs da PwC, divulgada em Davos, ouviu 4.454 executivos em 95 países e mostra que apenas 12% alcançaram benefícios simultâneos de receita e redução de custos
A maioria dos CEOs globais ainda não consegue traduzir investimentos em inteligência artificial em resultados financeiros concretos. Segundo a PwC, 56% dos executivos entrevistados não registraram ganhos de receita nem redução de custos com a tecnologia nos últimos 12 meses.
O estudo revela uma divisão clara entre líderes e retardatários na adoção de IA. Enquanto 30% reportam aumento de receita e 26% citam redução de custos, apenas 12% dos CEOs alcançaram ambos os benefícios simultaneamente. Esse grupo representa a vanguarda das empresas que conseguiram escalar a tecnologia além de projetos-piloto.
A confiança dos executivos em crescimento de receita atingiu o menor patamar em cinco anos. O índice caiu de 38% em 2025 para 30% em 2026, refletindo incertezas sobre retorno dos investimentos em tecnologia e transformação digital.
56% dos CEOs não registram retorno financeiro com IA
A pesquisa da PwC quantifica o desafio que empresas enfrentam para monetizar investimentos em inteligência artificial. Mais da metade dos executivos globais não conseguiu demonstrar impacto positivo da tecnologia em indicadores financeiros básicos.
Esse dado contrasta com o volume de investimentos direcionados a IA nos últimos anos. Empresas de todos os setores ampliaram orçamentos para projetos de automação, análise de dados e assistentes virtuais, mas a maioria permanece na fase de experimentação.
Mohamed Kande, Global Chairman da PwC, afirmou no comunicado oficial: “2026 se apresenta como um ano decisivo para IA. Um pequeno grupo de empresas já está transformando IA em retornos financeiros mensuráveis, enquanto muitas outras ainda lutam para ir além de pilotos”.
Apenas 12% alcançam benefícios de receita e custo simultaneamente
O grupo de vanguarda representa uma minoria das empresas pesquisadas. Esses 12% conseguiram não apenas aumentar receita com IA, mas também reduzir custos operacionais de forma simultânea.
A diferença entre líderes e demais empresas se manifesta em métricas concretas. Organizações que aplicam IA de forma ampla registraram 4 pontos percentuais a mais de margem de lucro em comparação com aquelas em estágios iniciais de adoção.
Além disso, o estudo indica que a abordagem importa tanto quanto o investimento. Empresas de vanguarda priorizaram aplicação de IA em produtos e serviços (44%), enquanto apenas 17% das demais seguiram essa estratégia.
Metodologia: 4.454 CEOs em 95 países
A 29ª Pesquisa Global de CEOs da PwC coletou respostas de 4.454 executivos em 95 países e territórios. O período de coleta ocorreu entre 30 de setembro e 10 de novembro de 2025.
A amostra inclui empresas de diversos portes e setores, com ponderação estatística para refletir a distribuição do PIB global. Os dados foram divulgados durante o Fórum Econômico Mundial em Davos.
Empresas de vanguarda registram 4 pontos percentuais a mais de margem
O diferencial de performance entre líderes e retardatários se traduz em resultados financeiros mensuráveis. Empresas com adoção ampla de IA apresentam margens de lucro consistentemente superiores às que ainda experimentam a tecnologia.
A aplicação em produtos e serviços diferencia o grupo de vanguarda. Enquanto 44% dessas empresas integraram IA ao portfólio comercial, apenas 17% das demais fizeram o mesmo. Ferramentas como ChatGPT e Gemini ilustram as tecnologias que organizações têm adotado para automação e atendimento.
CEOs com bases sólidas de IA têm três vezes mais chances de ver retornos, segundo a pesquisa. Esse dado sugere que infraestrutura e governança de dados precedem a captura de valor com a tecnologia.
Confiança em receita cai para 30%, menor nível em cinco anos
O otimismo dos CEOs quanto a crescimento de receita declinou de forma consistente desde 2022. Naquele ano, 56% dos executivos confiavam em expansão de faturamento; em 2025, o índice já havia recuado para 38%.
O patamar atual de 30% representa o menor nível de confiança em cinco anos. A queda coincide com incertezas sobre retorno de investimentos em transformação digital e pressões macroeconômicas persistentes.
Mohamed Kande complementou no comunicado: “Em períodos de mudança rápida, o instinto de desacelerar é compreensível, mas também arriscado. O valor em jogo na economia global está aumentando, e a janela para capturá-lo está se estreitando”.
Gap entre líderes e retardatários em IA se amplia
A pesquisa evidencia uma divisão crescente no mercado. Empresas que escalaram IA colhem resultados financeiros, enquanto a maioria permanece em estágios experimentais sem retorno mensurável.
Paralelamente, a velocidade de transformação preocupa 42% dos CEOs, que citam esse fator como principal desafio. O dado indica que executivos reconhecem a urgência, mas enfrentam barreiras para acelerar implementações.
O cenário configura um ponto de inflexão para investimentos corporativos em tecnologia. Organizações que não avançarem além de pilotos podem ampliar significativamente a distância em relação aos líderes setoriais nos próximos anos.