Mesmo com reabertura das lojas, e-commerce cresce quase 10% no Brasil e atinge 1,28 bilhão de acessos

Isabella Carvalho
Isabella Carvalho

Relatório passa a trazer canais de tráfego; em outubro o canal de Busca (Orgânica + Paga) teve a maior participação no tráfego dos sites de ecommerce, 57%, seguido do canal direto, 36%.

A Conversion divulgou, nesta terça-feira (10), a edição de novembro do Relatório Setores do E-commerce no Brasilreport gratuito desenvolvido nos últimos meses com insights atualizados sobre o comércio eletrônico no país. Esta edição do estudo traz uma novidade: dados analisados em uma divisão por canais de tráfego. 

Apenas no mês de outubro, o e-commerce brasileiro registrou 1,28 bilhão de acessos. Apesar da reabertura das lojas físicas em todo o país, o comércio online cresceu 9,7% no décimo mês do ano comparado ao mesmo período de 2019. Os números demonstram que, mesmo com a retomada gradual das atividades físicas, o hábito de comprar online deve permanecer. Nos últimos 12 meses, foram 14,8 bilhões de acessos.

Homem segurando caixa em depósito de e-commerce

Em relação a setembro, as buscas no e-commerce cresceram 5,6% — o que também foi impulsionado pelas buscas e comparativos de preços realizados em um período pré Black Friday, que acontece em novembro. O levantamento analisa 15 setores. Em outubro, 11 deles registraram um aumento comparado ao mês anterior, como Calçados (26,97%), Importados (13,55%), Varejo (5,97%) e Eletrônicos e Eletrodomésticos (5,72%). Por outro lado, setores como Comidas & Bebidas, Casa & Móveis e Moda se mantiveram estáveis em relação a setembro, com um crescimento de 1,27%, 1,64% e 4,41% respectivamente.

Aqueles que mais cresceram no e-commerce durante a pandemia

De acordo com o relatório da Conversion, as categorias Pet, Comidas & Bebidas, Casa & Móveis, Moda & Acessórios e Eletrônicos & Eletrodomésticos foram as que mais cresceram desde fevereiro deste ano. Pet lidera o mês de outubro com a maior taxa de crescimento: 80% comparado ao segundo mês do ano. 

Somente em outubro, foram mais de 12 milhões de acesso na categoria. E não é por acaso. O Brasil ocupa hoje o terceiro país no ranking mundial do segmento, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Em meio à pandemia, a demanda e busca online no setor aumentou ainda mais. De acordo com o Instituto Pet Brasil, o mercado deve registrar alta de 6% neste ano, o que representa cerca de R$ 37,5 bilhões de faturamento. 

Atrás da categoria Pet, a vice-liderança é ocupada pelo segmento de Comidas & Bebidas, que registrou um salto de 58% desde o início da pandemia. Em seguida aparecem Casa & Móveis, Moda & Acessórios e Eletrônicos & Eletrodomésticos. No geral, as categorias com os maiores crescimentos permaneceram as mesmas nos estudos anteriores, apenas com variações entre as posições.

Categorias de E-commerce que mais cresceram durante pandemia

Nomes já conhecidos também ocupam as primeiras posições no ranking de lojas com maiores taxas de crescimento no e-commerce. O Mercado Livre, em primeiro lugar, registrou quase 242 milhões de acessos no mês de outubro — um crescimento de 6% em relação ao mês anterior. Já a Americanas recebeu 102 milhões de acessos, também registrando um crescimento de 6%. Mas são os números da Amazon Brasil que chamam atenção: a empresa registrou 84 milhões de acesso e deu um salto de 83% em relação ao ano anterior.

Em paralelo, outro nome também registrou números chamativos. A Casas Bahia, que ocupa o quinto lugar da lista, recebeu 48 milhões de acessos no mês de outubro, mas teve um crescimento de seu e-commerce de 61% no YoY (Year over Year), uma das maiores registradas nos últimos meses. A empresa segue em um crescimento acelerado no e-commerce desde as análises do relatório de agosto.

Moda ganha destaque e turismo segue na retomada

Ocupando um dos primeiros lugares na lista de setores mais acessados na pandemia, o segmento de Moda e Acessórios também ganhou destaque no ranking dos sites com maior taxa de crescimento. Dos 15 e-commerces analisados, 5 são da categoria: LolJa, Reserva, Farm, Hering, C&A. Desde o início da pandemia, em fevereiro, essas lojas registraram saltos de 182%, 152%, 123%, 105% e 104% respectivamente. 

Parte desse crescimento se deve, principalmente, pela aproximação das marcas e consumidores no universo online, popularização das lojas que já nasceram no meio digital e daquelas que, em meio a pandemia, apostaram em estratégias e iniciativas para reinventar e reforçar seus negócios na internet. Nos últimos 12 meses, a categoria atingiu 1,01 bilhão de acessos — um crescimento de 20,63% em relação ao ano anterior.

Já o setor de turismo também tem registrado um crescimento constante nos últimos meses. No mês de agosto, de acordo com o relatório da Conversion, o segmento iniciou uma retomada, crescendo 25% em relação a julho, sendo o setor mais impactado pela pandemia, mas também o que mais cresceu mensalmente. Em outubro, a curva permanece otimista. A categoria registrou 71 milhões de acessos, crescendo 18,4% em relação ao mês anterior. Entre os principais sites da categoria, o 123 milhas teve o maior crescimento no YoY (Year over Year), de 46,35%, superando os acessos pré-pandemia. Foram 6 milhões de acessos em outubro comparado a 3 milhões em fevereiro deste ano.

Canais de buscas e dispositivo de acesso

A edição de novembro do relatório da Conversion ainda trouxe dados dos canais de tráfego dos dispositivos desktops, que contém 43,5% do tráfego total de buscas neste mês, e mobile, responsável por 56,5% das visitas totais. Foram analisados seis canais: Busca (Orgânica + Paga), Direto, Display, E-mail, Referência e Social. Cada canal é composto pelos acessos dos 216 sites analisados no relatório.

Dados de Mobile x Desktop em Outubro de 2020 (E-commerce)

“Nosso objetivo é entender, nos próximos meses, como cada segmento se comporta em cada canal — se houve crescimento, queda e onde estão sobressaindo as visitas e performance. Os canais ajudam os leitor do relatório a decidir qual pode ser o melhor investimento para ele naquele momento”, ressalta Letícia Castro, Business Intelligence na Conversion e uma das responsáveis pelo relatório. 

De acordo com o levantamento, em outubro o canal de Busca (Orgânica + Paga) teve a maior participação no tráfego dos sites de e-commerce, 57%, com 724 milhões de acessos. O canal Direto foi o mais beneficiada no pós pandemia (em uma comparação entre outubro e fevereiro), com crescimento de 35,83% nos acessos, totalizando 459 milhões.

Canais de Tráfego do E-commerce em Outubro

O relatório também traz os dados do Canal Social, que registrou 34 milhões de acessos, Canal Referência, com 33 milhões de acessos; Canal Display, com 17 milhões de acessos e Canal E-mail, com 7 milhões de acessos.

“O tráfego direto é o de pessoas interessadas naquela empresa. Portanto, tem a ver com a questão de construção de audiência. A busca orgânica cresceu bastante — nesse ano, cerca de 4,9%. Porém, a busca paga cresceu mais. Isso se deve ao fato de que a busca paga traz resultados num prazo mais curto, e isso evidencia quando as empresas estão investindo mais”, explica Diego Ivo, fundador da Conversion.

A chegada (e o impacto) da Black Friday no comércio online

Com a pandemia e a transformação acelerada do e-commerce, espera-se uma Black Friday, em novembro, ainda mais digital e expressiva. Nos últimos meses, muitas pessoas experimentaram a internet pela primeira vez e transformaram a compra online em um novo hábito, o que torna a intenção de compra no digital ainda maior.

Para o penúltimo mês do ano, portanto, a expectativa é que o e-commerce brasileiro dê um novo salto, registrando altas taxas de crescimento que devem se estender até o final de 2020. Segundo análises da Conversion, o volume em novembro deverá girar entre 1,48 e 1,79 bilhão de acessos, o que representa um crescimento de até 30% na maior data do comércio online.

Escrito por Isabella Carvalho

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