Google passa a sinalizar e isolar, nos relatórios padrão do Analytics, o tráfego de referência de Gemini, ChatGPT, Claude e Perplexity, sem necessidade de marcação manual.
Google ativou no Google Analytics a medição automática do tráfego enviado por assistentes de inteligência artificial. A plataforma passa a reconhecer e separar, dentro dos relatórios padrão, as visitas originadas em ferramentas como Gemini, ChatGPT, Claude e Perplexity.
Até agora, esse tráfego costumava se diluir em categorias genéricas, como referência ou acesso direto. Com o novo canal, chamado de AI Assistant, o Google Analytics atribui automaticamente o medium “ai-assistant” às sessões reconhecidas, sem exigir que o time configure marcação manual de campanhas.
A mudança chega em meio ao avanço do tráfego automatizado na web. Segundo a Cloudflare, bots já respondem por 57% das requisições de páginas. Para equipes de marketing, separar o que chega de humanos por meio da IA torna-se condição para avaliar o retorno desse canal.
O que muda no Google Analytics
O Google Analytics ganhou um agrupamento dedicado dentro do Default Channel Group. Quando a ferramenta identifica que uma visita veio de um assistente de IA reconhecido, ela classifica a sessão no canal AI Assistant, em vez de empurrá-la para grupos genéricos.
Na prática, a plataforma deixa de tratar essas visitas como tráfego de referência comum. O agrupamento aparece diretamente nos relatórios de aquisição, ao lado de canais tradicionais como Organic Search, Direct e Paid Social, sem que o analista precise montar segmentos próprios.
Essa organização responde a uma demanda concreta das áreas de dados. Sem um canal específico, mensurar o volume de visitas vindas de IA dependia de filtros manuais, expressões regulares e revisão constante, um processo trabalhoso e sujeito a falhas.
Quais assistentes de IA são reconhecidos
O Google citou Gemini, ChatGPT, Claude e Perplexity como exemplos de origens reconhecidas. A empresa, porém, não divulgou a lista completa de referrers identificados pelo sistema, o que deixa em aberto quais outras ferramentas entram no agrupamento.
A cobertura tende a evoluir conforme novos assistentes ganham relevância. Como o reconhecimento depende do referrer enviado por cada plataforma, a inclusão de uma origem está condicionada à forma como ela encaminha o usuário ao site de destino.
Como funciona a detecção automática
O mecanismo se apoia no referrer da sessão. Quando o Google Analytics detecta um endereço de origem correspondente a um assistente reconhecido, atribui o valor “ai-assistant” à dimensão de medium e agrupa a visita no canal correspondente.
Todo o processo ocorre sem marcação manual. O analista não precisa adicionar parâmetros UTM nem criar regras personalizadas, já que a classificação acontece de forma nativa no momento em que a sessão é registrada. Visitas vindas do ChatGPT, por exemplo, passam a ser contabilizadas automaticamente nesse grupo.
A abordagem reduz o esforço de configuração e padroniza a leitura entre contas. Com a regra aplicada pela própria plataforma, equipes diferentes passam a comparar dados sob o mesmo critério, sem depender de implementações individuais que variam de site para site.
Quais são as limitações da medição
A detecção não captura todo o tráfego de IA. Sessões que chegam sem informação de referrer continuam classificadas como Direct, o que significa que parte das visitas originadas em assistentes permanece fora do novo agrupamento.
Há ainda uma distinção importante em relação à busca. Visitas geradas pelos AI Overviews, os resumos com IA exibidos na própria página de resultados do Google, seguem contabilizadas como Organic Search, e não no canal AI Assistant.
O rollout também é faseado. Quando o canal não aparece em uma conta, a ausência costuma indicar o estágio da liberação, e não falta de tráfego de IA, já que a disponibilização ocorre de forma gradual entre os usuários da plataforma.
Disponibilidade e rollout
O recurso é liberado dentro do próprio Google Analytics, sem custo adicional para quem usa a ferramenta. A implementação alcança contas de forma progressiva, e a presença do canal depende do avanço dessa distribuição.
Para quem ainda não visualiza o agrupamento, a orientação prática é aguardar a chegada do rollout antes de recorrer a configurações alternativas. Filtros manuais e canais personalizados seguem válidos como complemento, sobretudo para capturar origens fora da lista reconhecida.
Tráfego de IA ganha peso na web
O lançamento acompanha a consolidação dos assistentes como porta de entrada para conteúdo. À medida que usuários passam a pesquisar e navegar a partir de ferramentas de IA, a parcela de visitas vinda desses ambientes deixa de ser marginal nos relatórios.
Esse movimento aparece também no comportamento das próprias plataformas. Ferramentas como o Gemini e os demais assistentes ampliam a oferta de respostas com links, o que transforma cada citação em uma fonte potencial de tráfego mensurável.
Com um canal próprio nos relatórios padrão, o Google Analytics oferece a marcas e analistas uma base mais clara para acompanhar essa origem. A medição direta substitui estimativas e aproxima a leitura do tráfego de IA do padrão já aplicado aos canais consolidados.