Estudo reúne dados do Gemini, AI Mode e API em mais de 150 países e mostra que menos de 10% das interações profissionais automatizam tarefas
O Google lançou a primeira edição do AI & Economy ATLAS, estudo baseado em aproximadamente 15 milhões de interações agregadas e desidentificadas no Gemini, no AI Mode e na API do Gemini.
O conjunto abrange mais de 150 países, 140 idiomas, 800 ocupações e 4.000 tarefas. A empresa afirma que os produtos incluídos são usados, em conjunto, por mais de 1 bilhão de pessoas por mês.
No conjunto, os resultados descrevem um uso amplo, mas seletivo, da inteligência artificial no trabalho. A colaboração e a assistência predominaram, enquanto menos de 10% das interações profissionais automatizaram as tarefas completamente.
ATLAS reúne dados de três produtos do Google
A sigla ATLAS corresponde, em tradução livre, a estudo de atividades, tarefas, cenário e adoção (Activity, Task, Landscape and Adoption Study). A primeira versão combina interações do aplicativo Gemini, do AI Mode na Busca e da API usada por desenvolvedores.
A comunicação oficial arredonda o universo para 15 milhões de interações. O recorte analítico contém cerca de 14,65 milhões, diferença decorrente da forma de apresentação e dos filtros aplicados aos dados.
Contudo, o estudo não inclui todos os produtos de IA do Google. O AI Overviews, o Workspace, o Translate, o Gemini para Google Cloud e outras experiências ficaram fora dessa primeira versão do levantamento.
Dados cobrem 150 países e 140 idiomas
A amostra inclui as interações realizadas em mais de 150 países e territórios, que representam 99% da população mundial segundo o relatório. Além disso, os pesquisadores organizaram as atividades registradas em 140 idiomas.
Nesse universo, o inglês respondeu por aproximadamente um terço das conversas globais. Os dados não indicaram um abandono sistemático dos idiomas nativos quando as pessoas executavam tarefas mais complexas com as ferramentas analisadas.
A adoção por habitante acompanhou, em termos gerais, a renda dos países. O Google também identificou exceções entre nações de renda média da América do Sul e do Oriente Médio, com taxas comparáveis às de economias mais ricas.
Uso profissional aparece em 68% das ocupações
O ATLAS identificou uso de IA em 68% das ocupações, conjunto que representa 90% do emprego total nos Estados Unidos. A presença alcançou setores administrativos, técnicos, industriais e de serviços.
Apesar da amplitude, o uso dentro de cada função foi limitado. Em uma ocupação típica, a IA apareceu em aproximadamente 21% das tarefas, indicando adoção parcial em vez de aplicação uniforme.
Particularmente, as atividades de criação, formulação de hipóteses, estratégia, recuperação de informações e aprendizagem tiveram uma presença proporcionalmente maior nas interações registradas pelo estudo do Google do que nas estimativas anteriores sobre o uso profissional.
Automação completa ocorre em menos de 10%
A maioria das interações profissionais foi classificada como colaboração ou assistência. Nesse contexto, as pessoas usaram os sistemas para gerar ideias, pesquisar informações, aprender procedimentos e apoiar decisões ao longo das tarefas.
Em contrapartida, menos de 10% das interações automatizaram uma tarefa inteira. O resultado diferencia claramente o uso de uma ferramenta ao longo do trabalho da transferência completa da execução para o sistema de IA.
As tarefas cognitivas não rotineiras, como o design criativo e o teste de hipóteses, representaram 65% das interações de trabalho com IA, ante 35% na distribuição geral das atividades econômicas usadas na comparação.
Ocupações manuais também usam recursos multimodais
Técnicos automotivos, mecânicos industriais e outros profissionais de atividades físicas apareceram no conjunto. Nesses casos, a IA foi usada para interpretar testes, investigar falhas elétricas e examinar desgaste em equipamentos.
Quando os profissionais dessas áreas utilizaram as ferramentas do Google, tiveram uma probabilidade duas vezes maior de recorrer a recursos multimodais, incluindo imagens e vídeos, em comparação com os demais grupos ocupacionais.
No entanto, o dado não mede a substituição de postos de trabalho. Ele descreve quais modalidades aparecem nas interações registradas e como o uso das ferramentas varia entre os diferentes grupos ocupacionais analisados.
Mais de 86% das interações ocorreram fora do trabalho
O relatório informa que mais de 86% das interações analisadas aconteceram fora de contextos profissionais. Entre as atividades estavam pesquisa de compras, uso de aparelhos, manutenção doméstica e acesso a serviços públicos.
Questões administrativas de alta fricção, como impostos, licenças e multas, apareceram com frequência superior ao tempo que essas tarefas ocupam no cotidiano. Saúde, finanças, educação e serviços profissionais também tiveram destaque.
Para contextualizar a tecnologia por trás dos produtos, o conteúdo sobre Gemini AI descreve a família de modelos do Google. O ATLAS, por sua vez, observa padrões agregados de utilização.
Privacidade depende de agregação e desidentificação
O Google afirma ter removido as informações pessoais, os vínculos com registros subjacentes e as possíveis referências sensíveis. Posteriormente, os textos foram resumidos e agregados em grupos que representam múltiplos usuários.
Para organizar os dados, o estudo utilizou o OCTO, uma ferramenta do Google DeepMind destinada a transformar grandes volumes de texto não estruturado em categorias consistentes de atividades e tarefas.
Estudo não representa todo o mercado de IA
A base registra apenas interações em produtos do próprio Google incluídos na pesquisa. Conversas no ChatGPT, Claude, Copilot e outras ferramentas não fazem parte da amostra, assim como diversos serviços do ecossistema Google.
Os resultados descrevem comportamento dentro dessa população de usuários, não a participação de mercado de cada plataforma. O número mensal superior a 1 bilhão corresponde ao alcance combinado dos produtos citados pela empresa e não equivale à quantidade de pessoas presentes no conjunto analisado.
A classificação automática de tarefas também introduz limites metodológicos. O OCTO resume textos e os distribui em categorias, processo necessário para trabalhar em escala e proteger a privacidade, mas que não substitui a observação detalhada de cada contexto individual.
Por essas razões, o relatório serve como um panorama de adoção e atividades. Ele não mede diretamente a produtividade, a qualidade das respostas, o retorno financeiro nem o efeito causal da inteligência artificial sobre os empregos.
O ATLAS é apresentado como projeto contínuo. A primeira versão estabelece uma base observacional: uso global e multilíngue, presença profissional ampla, aplicação seletiva nas ocupações e predominância de assistência sobre automação completa.