Nick Fox, vice-presidente sênior do Google, declarou que recursos de IA na busca enviam bilhões de cliques semanais a sites, mas a empresa não divulgou os números detalhados
Google afirmou nesta semana que os recursos de busca baseados em inteligência artificial enviam “bilhões de cliques” a sites toda semana. A declaração partiu de Nick Fox, vice-presidente sênior da empresa, em publicação feita no LinkedIn.
O executivo respondeu ao debate sobre a queda de tráfego atribuída aos AI Overviews e ao AI Mode. Segundo Fox, além dos cliques semanais gerados pela IA, a busca tradicional continua a encaminhar “bilhões de cliques à web todos os dias”.
A afirmação chega em meio a reclamações de veículos e produtores de conteúdo, que relatam redução nas visitas orgânicas. O Google, contudo, não apresentou os dados detalhados que sustentam o número, o que reacende a discussão sobre transparência no setor.
O que Nick Fox afirmou
Em sua publicação, Fox declarou que a empresa envia bilhões de cliques a sites toda semana apenas por meio dos recursos de IA na busca. O executivo acrescentou que o Google “está apenas começando” a explorar essas funcionalidades.
Fox argumentou ainda que o uso da busca cresceu com a chegada da IA. “Quando as pessoas podem fazer qualquer pergunta que tenham em mente, elas usam a Busca do Google mais do que nunca”, afirmou, contrariando a tese de que os resumos automáticos afastam usuários dos sites.
De acordo com o executivo, os recursos de IA foram projetados justamente para conectar as pessoas aos sites. A empresa sustenta que a busca com IA amplia o número de perguntas feitas pelos usuários e, com isso, mantém o volume de encaminhamentos para páginas externas.
O contexto do debate sobre tráfego
A declaração responde a uma preocupação recorrente entre produtores de conteúdo. Desde a expansão dos AI Overviews e do AI Mode, muitos sites relatam queda nas visitas vindas da busca orgânica, já que as respostas geradas por IA aparecem antes dos links tradicionais.
Esse movimento alimenta o fenômeno das buscas sem clique, no qual o usuário obtém a informação diretamente na página de resultados. Para veículos que dependem de tráfego para gerar receita publicitária, a mudança representa risco direto ao modelo de negócio.
Nesse cenário, veículos de jornalismo e sites de conteúdo estão entre os mais afetados pela transição. A queixa central é que os resumos automáticos utilizam material dessas páginas para responder ao usuário, sem necessariamente encaminhar o visitante à fonte original da informação.
Os números que o Google não divulgou
Apesar da afirmação, o Google não apresentou dados que permitam verificar o volume citado. Não há base de comparação, metodologia ou recorte por período que sustente a cifra de bilhões de cliques semanais atribuída aos recursos de IA.
Publicações do setor apontaram a lacuna. Segundo o Search Engine Journal, a empresa fornece as impressões nos relatórios de desempenho da busca, mas exclui justamente os dados de cliques necessários para validar a declaração de forma independente.
O que dizem estudos independentes
Enquanto o Google divulga números agregados, análises externas medem o comportamento em páginas individuais. Levantamentos citados por veículos do setor indicam que os AI Overviews reduzem os cliques orgânicos em proporções que variam de 30% a 42%, conforme a metodologia adotada.
Nessa linha, uma análise da BrightEdge, citada pela imprensa especializada, registrou alta de 49% nas impressões associadas aos AI Overviews e, no mesmo intervalo, queda de 30% nos cliques. Outro levantamento, baseado em 300 mil palavras-chave, apontou redução de 34,5% nos cliques orgânicos quando o recurso aparece nos resultados.
Os mesmos estudos indicam que cerca de 60% das buscas terminam sem clique em qualquer site. Os dois cenários podem coexistir: o total absoluto de cliques permanece elevado, enquanto a taxa de visitas por busca diminui. A diferença está na base de cálculo, já que o Google trabalha com números agregados e os estudos medem páginas específicas.
Search Console sem dados de cliques
A ausência de transparência ganhou destaque porque o Google já disponibiliza relatórios de desempenho para conteúdo em IA no Search Console. Esses relatórios mostram impressões, além de recortes por página, país e dispositivo.
No entanto, as métricas de cliques ficam de fora desses relatórios. Sem elas, donos de sites não conseguem cruzar os números oficiais com o próprio tráfego, o que mantém a declaração de Fox sem comprovação verificável.
Ajustes recentes na busca
Fox destacou que o Google implementou mudanças para direcionar visitas aos sites. Entre elas estão o recurso de fontes preferidas, melhorias nos links de receitas e ajustes gerais na forma como os links aparecem nos resultados.
Essas alterações acompanham a consolidação de ferramentas de IA como a Gemini dentro do ecossistema de busca do Google. O movimento reflete a disputa por atenção com assistentes concorrentes, que também redirecionam parte das consultas antes feitas em buscadores.
Impacto para quem trabalha com SEO
A discussão afeta diretamente as estratégias de conteúdo na web. Com a IA intermediando parte crescente das buscas, entender o que é SEO passa a incluir a análise de como os resumos automáticos exibem e citam cada página.
O cenário também aproxima a busca tradicional da chamada orquestração de buscas, em que diferentes interfaces de IA distribuem consultas. Sem dados abertos do Google, porém, medir o efeito real desses recursos sobre o tráfego permanece uma tarefa difícil para o mercado.