Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind, reafirmou que o Google não tem planos de adicionar anúncios ao Gemini. A declaração foi feita durante o World Economic Forum em Davos e representa a segunda vez em dois meses que um executivo da empresa nega planos de monetização via publicidade no assistente de IA.
O executivo questionou publicamente como anúncios poderiam funcionar em um assistente pessoal sem comprometer a confiança do usuário. Hassabis disse estar focando na experiência central do produto antes de considerar qualquer forma de monetização via publicidade.
A posição do Google contrasta diretamente com a estratégia da OpenAI, que anunciou planos de testar anúncios no ChatGPT para usuários gratuitos nos Estados Unidos. Hassabis expressou surpresa com a decisão da concorrente de introduzir publicidade em estágio tão inicial do produto.
Executivo questiona modelo de anúncios em assistentes
Hassabis levantou questões fundamentais sobre a compatibilidade entre publicidade e assistentes de IA durante sua participação em Davos. O CEO argumentou que a natureza de um assistente pessoal difere radicalmente de um mecanismo de busca tradicional.
Em entrevista, o executivo afirmou: “Não temos planos de fazer isso no momento. Acho que estamos focando na experiência central”. A declaração sugere que o Google prioriza o desenvolvimento de funcionalidades sobre a monetização imediata.
A empresa já havia negado planos de anúncios em dezembro de 2025. Dan Taylor, VP of Global Ads do Google, respondeu diretamente a reportagens que indicavam planos de publicidade para 2026, chamando as informações de imprecisas.
Confiança do usuário como prioridade
O argumento central de Hassabis gira em torno da confiança. O executivo questionou como anúncios se encaixariam em um modelo onde o usuário precisa confiar nas recomendações do assistente.
“Há uma questão sobre como anúncios se encaixam nesse modelo, onde você quer ter confiança no seu assistente”, disse Hassabis. O CEO reconheceu que ninguém tem uma resposta completa para esse dilema ainda.
A preocupação reflete um desafio único da inteligência artificial conversacional. Quando um assistente recomenda algo, o usuário precisa acreditar que a sugestão é baseada em relevância e qualidade, não em pagamento publicitário.
O Google diferencia explicitamente a busca tradicional do assistente pessoal. Na busca, a intenção do usuário é clara e os anúncios aparecem como resultados patrocinados identificados. No assistente, a linha entre recomendação orgânica e influência paga seria muito mais difícil de distinguir.
ChatGPT segue caminho oposto
A OpenAI anunciou que testará anúncios no ChatGPT para usuários dos planos Free e Go nos Estados Unidos. A empresa garantiu que a publicidade não afetará a qualidade das respostas nem a privacidade dos usuários.
Hassabis expressou surpresa com a decisão da concorrente. O executivo sugeriu que a OpenAI pode sentir pressão para gerar receita mais rapidamente do que o Google, que possui outras fontes de monetização estabelecidas.
Assinantes pagos dos planos Pro, Business e Enterprise da OpenAI não verão anúncios. A estratégia cria uma distinção clara entre usuários gratuitos e pagantes no ecossistema ChatGPT.
Contexto de mercado e estratégia do Google
O Gemini representa a principal aposta do Google em inteligência artificial generativa. O produto compete diretamente com o ChatGPT da OpenAI e o Claude da Anthropic no mercado de assistentes de IA.
O Google possui múltiplas fontes de receita através de seu ecossistema de produtos. A empresa pode sustentar o Gemini sem publicidade enquanto desenvolve o produto, diferentemente de startups que dependem de captação externa.
A posição financeira do Google permite uma abordagem mais paciente com monetização. A empresa pode observar como usuários reagem aos anúncios da OpenAI antes de tomar decisões sobre seu próprio produto.
Implicações para profissionais de marketing
A decisão do Google de não incluir anúncios no Gemini tem implicações diretas para profissionais de marketing digital. Enquanto o ChatGPT oferecerá uma nova plataforma de publicidade, o Gemini permanece fora do alcance de campanhas pagas.
Marcas que desejam visibilidade em assistentes de IA terão, por enquanto, apenas a OpenAI como opção entre os principais players. A exclusividade pode gerar CPMs mais altos no ChatGPT devido à demanda concentrada.
A declaração de Hassabis sugere que o Google está monitorando a recepção dos usuários aos anúncios da concorrente. Se a experiência da OpenAI for negativa, a posição do Google de manter o Gemini livre de publicidade pode se tornar um diferencial competitivo.
Próximos passos
O Google indicou que pensa com cuidado sobre o tema de anúncios em assistentes. A empresa não descartou completamente a possibilidade futura, mas enfatizou que não há pressão para decisões precipitadas.
Hassabis afirmou que a equipe monitora como usuários respondem ao experimento da OpenAI. Os resultados dessa experiência podem influenciar a estratégia de monetização do Gemini no longo prazo.
Por enquanto, o Gemini permanece como a única grande plataforma de IA conversacional sem planos de publicidade entre os principais players do mercado.
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Escrito por Diego Ivo
Diego é CEO da Conversion, agência Líder em SEO e especializada em Search. Possui mais de uma década de experiência no mercado digital e é um dos principais experts no Brasil em SEO.