Alphabet reportou receita de US$ 63,07 bilhões em Google Search no quarto trimestre de 2025, um crescimento de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado consolida uma trajetória de aceleração ao longo de 2025: 10% no Q1, 12% no Q2, 15% no Q3 e 17% no Q4.
A receita consolidada da empresa atingiu US$ 113,8 bilhões no trimestre e US$ 402,8 bilhões no ano, ultrapassando a marca de US$ 400 bilhões pela primeira vez. O lucro líquido trimestral alcançou US$ 34,5 bilhões, alta de 30%.
Além dos resultados financeiros, a empresa detalhou a expansão de testes de anúncios no AI Mode e confirmou investimentos de até US$ 185 bilhões em infraestrutura de IA para 2026.
Resultados financeiros do Q4 2025
Google Search gerou US$ 63,07 bilhões em receita publicitária no trimestre, ante US$ 54,03 bilhões no Q4 2024. Philipp Schindler, diretor comercial da Alphabet, destacou “broad strength across all major verticals” como fator do crescimento.
A receita total de publicidade da Alphabet, que inclui YouTube e Google Network, atingiu US$ 82,28 bilhões no trimestre, alta de 13,5%. YouTube Ads contribuiu com US$ 11,38 bilhões, crescimento de 9%.
Google Cloud registrou receita de US$ 17,66 bilhões, avanço de 48%. A margem operacional do segmento saltou de 17,5% para 30,1%, com receita de IA generativa crescendo aproximadamente 400% no ano.
Receita anual recorde
A receita anual consolidada da Alphabet atingiu US$ 402,8 bilhões em 2025, crescimento de 15% sobre o ano anterior. O lucro líquido anual somou US$ 132,2 bilhões, avanço de 32%.
O resultado posiciona a Alphabet como uma das poucas empresas de tecnologia a ultrapassar US$ 400 bilhões em faturamento anual. O fluxo de caixa operacional atingiu US$ 52,4 bilhões no trimestre, alta de 34%.
Apesar dos resultados acima das expectativas de Wall Street, as ações caíram entre 3% e 5% após a divulgação. Investidores demonstraram preocupação com o volume agressivo de investimentos planejados para 2026.
Capex de US$ 175 a 185 bilhões para 2026
A CFO Anat Ashkenazi confirmou que o capex para 2026 deve ficar entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões. O valor representa aumento de aproximadamente 97% em relação aos US$ 91,4 bilhões investidos em 2025.
A alocação prevista destina cerca de 60% para servidores de IA, incluindo TPUs e GPUs NVIDIA, e 40% para data centers e equipamentos de rede. Pouco mais de metade da capacidade computacional de machine learning será direcionada ao Google Cloud.
Sundar Pichai, CEO da Alphabet, justificou o investimento citando demanda de clientes e oportunidades de crescimento. A depreciação aumentou quase US$ 6 bilhões em 2025, atingindo US$ 21,1 bilhões, com previsão de aceleração no primeiro trimestre de 2026.
AI Mode e métricas de engajamento

Pichai informou que as consultas diárias por usuário no AI Mode dobraram desde o lançamento do recurso. As buscas nesse formato são três vezes mais longas que consultas tradicionais, e uma parcela significativa gera perguntas de acompanhamento.
Aproximadamente uma em cada seis consultas no AI Mode utiliza entrada por voz ou imagem, em vez de texto. O Circle to Search está disponível em mais de 580 milhões de dispositivos Android.
O Gemini atingiu 750 milhões de usuários ativos mensais em sua versão para consumidores. AI Overviews, outro recurso de IA na busca, está disponível em mais de 100 países e foi atualizado para rodar sobre o Gemini 3.
Testes de anúncios no AI Mode
Google expandiu os testes de formatos publicitários dentro do AI Mode. O formato principal posiciona anúncios abaixo da resposta gerada pela inteligência artificial, mantendo a separação visual entre conteúdo orgânico e pago.
Em janeiro de 2026, a empresa lançou o piloto Direct Offers, que permite a varejistas exibir ofertas exclusivas para usuários com intenção de compra identificada pelo AI Mode. O formato se integra com Google Merchant Center, Performance Max e Shopping Ads.
Campanhas de Performance Max, AI Max for Search, Shopping e Dynamic Search Ads são automaticamente elegíveis para exibição no AI Mode. Schindler destacou que a compreensão de intenção do Gemini ampliou a capacidade de monetizar buscas longas e complexas.
Mudança no modelo de SEO e publicidade
A transição para AI Mode altera a dinâmica de targeting publicitário. O modelo tradicional baseado em keyword única dá lugar ao targeting contextual baseado na conversa completa do usuário com a IA.
Observadores do setor apontam incerteza sobre se o modelo de cobrança será mantido em pay-per-click ou migrará para CPM em ambientes conversacionais. A infraestrutura de ads do Google processa dados de anúncio em 60 milissegundos, mesmo quando a resposta do AI Mode leva mais de seis segundos para ser gerada.
A aceleração dos testes de anúncios no AI Mode indica que o Google busca monetizar o novo formato antes que ele substitua parcelas significativas do tráfego de busca tradicional. O balanço entre experiência do usuário e receita publicitária definirá o ritmo de adoção.