John Mueller, analista sênior de busca do Google, em resposta a discussão no Reddit sobre a relevância do termo GEO (Generative Engine Optimization), Mueller recomendou que empresas avaliem seus próprios dados antes de reorganizar estratégias.
A declaração ocorre enquanto o mercado brasileiro registra crescimento acelerado no uso de inteligências artificiais para buscas. O porta-voz do Google não endossou nem rejeitou a terminologia GEO, mas enquadrou a questão como problema de alocação de recursos.
Mueller enfatizou que empresas dependentes de tráfego de referência devem considerar o quadro completo, incluindo ferramentas de IA. Contudo, alertou para a necessidade de realismo ao analisar métricas de uso efetivo antes de redirecionar investimentos.
A posição do Google contrasta com dados de mercado que indicam transformação acelerada no comportamento de busca. Uma pesquisa da Conversion revela que 54% dos brasileiros utilizaram IA generativa em 2025. O ChatGPT já processa 20 milhões de buscas diárias, volume comparável ao Pinterest, segundo dados da Ahrefs.
O debate sobre GEO ganha relevância em momento crítico para empresas brasileiras. Enquanto o Google recomenda cautela baseada em dados atuais, especialistas alertam que postergar investimentos pode resultar em perda de posicionamento em mercado que ainda oferece vantagem competitiva para pioneiros. A questão central não é se investir, mas como equilibrar recursos entre buscas tradicionais e plataformas de IA.
O posicionamento do Google sobre GEO
Mueller abordou o tema durante discussão sobre a necessidade de práticas distintas para otimização em motores generativos. O analista do Google argumentou que a nomenclatura importa menos que a compreensão de como o valor do site funciona em cenário onde a IA está disponível. A declaração reflete a postura consistente do Google de minimizar diferenciações entre SEO tradicional e otimização para recursos de IA.
O porta-voz reforçou que empresas devem examinar métricas reais de uso antes de decisões estratégicas. Mueller questionou qual percentual da audiência efetivamente utiliza ferramentas de IA, comparando com outros canais como Facebook. A abordagem pragmática sugere que investimentos devem ser proporcionais ao uso efetivo, não a projeções e tendências de mercado.
Dados recentes da Ahrefs indicam que o ChatGPT representa 0,19% do tráfego médio de sites. O estudo analisou milhares de domínios e concluiu que assistentes de IA combinados ainda geram menos de 1% do tráfego para a maioria dos publishers. Esses números sustentam a recomendação de Mueller sobre análise criteriosa antes de reorganização estratégica.
Entretanto, a perspectiva do Google reflete a posição de empresa dominante em buscas tradicionais. O memorando interno vazado revelou que executivos do Google consideram inevitável que o Google Search perca tráfego para Gemini ou ChatGPT. O documento destaca urgência na monetização de novas plataformas, evidenciando que a própria empresa reconhece a transformação em curso.
Por que o termo GEO é importante
A defesa da terminologia GEO não representa apenas uma questão semântica, mas reconhecimento de práticas e métricas específicas que diferenciam a otimização para motores generativos. Enquanto o SEO tradicional foca em ranqueamento em listas de resultados, o GEO busca citação e menção em respostas sintetizadas por modelos de linguagem. Essa distinção fundamental exige abordagens metodológicas diferentes.
O estudo conduzido pelas universidades de Princeton e Georgia Tech em 2023 formalizou o conceito de Generative Engine Optimization. A pesquisa demonstrou melhorias de até 40% na visibilidade através de técnicas específicas como citação de fontes, adição de estatísticas e incorporação de citações de especialistas. Essas práticas diferem substancialmente das otimizações tradicionais de SEO.
A terminologia clara facilita desenvolvimento de competências especializadas e mensuração de resultados. Métricas como Share of Model, frequência de citações e Brand Attributes Score são específicas do GEO e não possuem equivalentes diretos no SEO tradicional. A distinção permite que empresas aloquem recursos adequadamente e desenvolvam expertise em cada disciplina.
O mercado brasileiro demonstra maturidade crescente na adoção dessas práticas. A Conversion lançou oficialmente seu serviço de GEO em setembro de 2025, atendendo a demanda de médias e grandes empresas. O movimento sinaliza que o mercado reconhece GEO como uma disciplina distinta que requer investimento e expertise específicos, não apenas extensão do SEO existente.
Métricas internas e autoatribuição como bússola estratégica
A recomendação de Mueller sobre análise de dados próprios encontra aplicação prática em metodologias de mensuração que capturam impacto real das estratégias de GEO. A autoatribuição emerge como métrica fundamental para compreender como os consumidores descobrem marcas em jornadas cada vez mais fragmentadas entre múltiplos canais e plataformas.
A autoatribuição consiste em perguntar diretamente aos clientes como conheceram a marca, geralmente através de campo específico em formulários de contato ou checkout. A metodologia captura informações que ferramentas de analytics tradicionais não conseguem rastrear, especialmente quando a descoberta ocorre em plataformas de IA que não geram cliques imediatos.
Dados da Conversion indicam que 35% dos usuários que visualizam AI Overview do Google não clicam em resultados orgânicos. Esses usuários formam opinião sobre marcas e produtos através das respostas da IA, mas a conversão pode ocorrer dias ou semanas depois através de busca direta pela marca. Modelos de atribuição baseados apenas em cliques falham em capturar essa dinâmica.
A implementação de autoatribuição permite identificar padrões que métricas tradicionais não revelam. Empresas frequentemente descobrem que percentual significativo de clientes menciona ter conhecido a marca através de “pesquisa no ChatGPT” ou “recomendação de IA”, mesmo quando o Google Analytics atribui a conversão a busca orgânica ou tráfego direto.
A metodologia complementa métricas específicas de GEO como frequência de citações e Share of Model. Enquanto ferramentas especializadas monitoram menções em respostas de IA, a autoatribuição valida se essas menções efetivamente influenciam decisões de compra. A combinação oferece visão completa do impacto das estratégias de GEO no funil de conversão.
Investimento equilibrado entre SEO e GEO
A questão central para empresas brasileiras não é escolher entre SEO e GEO, mas estabelecer uma alocação equilibrada que reconheça a importância de ambos os canais. As buscas orgânicas tradicionais continuam representando a maior parte do tráfego qualificado, enquanto plataformas de IA ganham relevância como canais de descoberta e formação de preferência.
Dados atuais justificam manutenção de investimentos sólidos em SEO tradicional. O Google ainda processa 373 vezes mais buscas que o ChatGPT, segundo análise da Ahrefs. Rankings elevados em buscadores convencionais correlacionam positivamente com citações em IAs, uma vez que muitos sistemas utilizam resultados de busca como fontes primárias para geração de respostas.
Simultaneamente, postergar investimentos em GEO representa risco crescente no mercado brasileiro. A pesquisa da Conversion mostra que 54% da população utilizou IA generativa em 2025, indicando adoção massiva que ultrapassa a fase de early adopters. A Semrush projeta que as buscas por IA ultrapassarão as tradicionais em 2028, estabelecendo uma janela de oportunidade para pioneiros.
A estratégia recomendada envolve manter prioridade em SEO tradicional enquanto adiciona GEO como complemento estratégico. Empresas devem continuar investindo em fundamentos técnicos, autoridade de domínio e criação de conteúdo de qualidade para buscadores convencionais. Paralelamente, devem desenvolver práticas específicas de GEO como otimização de chunks de conteúdo, branding semântico e estratégias de citação.
A alocação específica varia conforme perfil e maturidade da empresa. Organizações B2B com expertise demonstrável e negócios focados em conteúdo educacional tendem a obter retorno mais rápido com GEO. Empresas em estágios iniciais devem priorizar fundamentos de SEO antes de expandir para GEO, enquanto marcas estabelecidas podem alocar recursos significativos para ambas as frentes.
Maturidade do mercado brasileiro em IA
O mercado brasileiro demonstra adoção acelerada de inteligências artificiais generativas, contrariando percepção de atraso tecnológico em relação a mercados desenvolvidos. Os dados revelam que o país acompanha tendências globais com defasagem mínima, criando urgência para empresas que ainda não iniciaram estratégias de GEO.
A pesquisa da Conversion identificou que 54% dos brasileiros utilizaram ferramentas de IA generativa em 2025, com metade desses usuários interagindo diariamente com as plataformas. O volume representa penetração comparável a mercados como Estados Unidos e Reino Unido, onde a adoção também se acelerou significativamente nos últimos 18 meses.
O ChatGPT registra crescimento consistente de usuários brasileiros desde seu lançamento. Dados da Similarweb indicam que o Brasil figura entre os dez países com maior volume de acessos à plataforma. O Google respondeu lançando AI Mode em português em setembro de 2025, reconhecendo a relevância do mercado brasileiro para recursos de busca baseados em IA.
A maturidade do mercado brasileiro cria cenário favorável para investimentos em GEO. Diferentemente de tecnologias anteriores que demoraram anos para ganhar tração no país, as IAs generativas alcançaram adoção massiva em meses. Empresas que postergam estratégias de GEO não estão se preparando para um futuro distante, mas perdendo oportunidades no presente.
Riscos de não investir em GEO
A recomendação de Mueller sobre análise de dados próprios, embora prudente, pode induzir empresas a subestimar riscos de inação. Os números atuais de tráfego de IA parecem pequenos quando analisados isoladamente, mas as projeções e tendências indicam transformação acelerada que pode tornar a recuperação de posicionamento significativamente mais difícil e custosa.
A Gartner projeta queda de 25% no volume de buscas tradicionais do Google até 2026, enquanto a Semrush indica que as buscas por IA ultrapassarão as convencionais em 2028. Essas projeções sugerem que empresas têm uma janela de aproximadamente dois anos para estabelecer autoridade em plataformas de IA antes que a competição se intensifique dramaticamente.
O custo de entrada em GEO aumenta proporcionalmente à saturação do mercado. Empresas que iniciam estratégias agora competem com número relativamente pequeno de concorrentes que compreendem e implementam práticas de GEO. Postergar investimentos significa enfrentar mercado mais maduro e competitivo, onde estabelecer autoridade exigirá recursos significativamente maiores.
A invisibilidade em plataformas de IA representa risco crescente para marcas que dependem de descoberta orgânica. Consumidores que utilizam ChatGPT ou Perplexity para pesquisar soluções formam preferências baseadas nas marcas mencionadas pelas IAs. Empresas ausentes dessas respostas perdem oportunidades de awareness e consideração, mesmo que mantenham posições elevadas no Google tradicional.
O mercado brasileiro, com 54% da população utilizando IA generativa, já ultrapassou o ponto de inflexão onde o GEO pode ser considerado experimental ou opcional. A adoção massiva transforma GEO de aposta em futuro distante para necessidade estratégica no presente. Empresas que tratam GEO como tendência passageira arriscam marginalização em canais que rapidamente se tornam mainstream.
Perspectivas para 2026 e além
O ano de 2026 representa um momento de inflexão para as estratégias de busca digital. As projeções indicam aceleração na adoção de IAs generativas, enquanto buscadores tradicionais implementam recursos de IA que transformam a experiência de busca. As empresas enfrentam necessidade de adaptação estratégica sem precedentes desde o surgimento do Google.
O Google intensificará integração de recursos de IA em sua plataforma de busca. O AI Mode, lançado em português em setembro de 2025, tende a expandir a cobertura e a sofisticação. A empresa enfrenta a pressão competitiva do ChatGPT e necessidade de monetizar investimentos massivos em infraestrutura de IA, criando cenário de transformação acelerada.
As plataformas independentes de IA como ChatGPT, Claude e Perplexity consolidarão posições como canais legítimos de descoberta. A integração do Claude no Safari, anunciada pela Apple, sinaliza que os sistemas operacionais incorporarão IAs nativamente. Essa mudança estrutural amplia o alcance das plataformas e acelera adoção por usuários que atualmente não as utilizam ativamente.
A fragmentação da busca entre múltiplos canais exigirá abordagem de Search Orchestration. Empresas precisarão gerenciar presença não apenas no Google e em IAs generativas, mas também em redes sociais como TikTok e LinkedIn, marketplaces como Amazon e Mercado Livre, e buscas internas em seus próprios sites. A complexidade crescente favorece organizações que desenvolvem competências especializadas.
O debate entre SEO e GEO tende a evoluir para reconhecimento de que ambos são componentes de estratégia unificada de visibilidade digital. A questão deixará de ser “SEO ou GEO” para se tornar “como orquestrar presença em todos os canais onde consumidores buscam informações”. Empresas que antecipam essa transição constroem vantagem competitiva sustentável em mercado cada vez mais complexo e fragmentado.