Meta adquire Manus por US$2 bilhões e acelera corrida por agentes autônomos de IA

A Meta concluiu a aquisição da Manus, startup especializada em agentes autônomos de inteligência artificial, em um negócio avaliado em mais de US$2 bilhões. 

O anúncio, divulgado no final de dezembro de 2025 pelo Wall Street Journal, representa uma das maiores aquisições no setor de IA e marca uma mudança estratégica na abordagem da empresa de Mark Zuckerberg.

Essa transação ocorre em um momento decisivo para o mercado de inteligência artificial. Enquanto 2025 foi marcado pela popularização de chatbots conversacionais, 2026 se configura como o ano dos agentes autônomos. Segundo projeções da Deloitte, esse mercado deve movimentar US$8,5 bilhões ainda este ano, com empresas migrando de ferramentas que apenas respondem perguntas para sistemas capazes de executar tarefas de forma independente.

Por sua vez, a aquisição da Manus revela que a Meta reconhece as limitações do desenvolvimento interno. Após o fracasso do Llama 4, lançado em abril de 2025 e criticado por desempenho abaixo das expectativas, a empresa opta por acelerar suas capacidades através de tecnologia comprovada no mercado. Essa decisão pode redefinir a posição da companhia na corrida global por inteligência artificial.

Da conversação à execução: o que diferencia a Manus

Nesse contexto, a Manus se distingue dos chatbots tradicionais por sua capacidade de executar fluxos de trabalho completos sem supervisão constante. Enquanto ferramentas como ChatGPT respondem perguntas e geram conteúdo, os agentes da Manus navegam pela web, preenchem formulários, analisam dados e coordenam múltiplas etapas para alcançar objetivos. Essa autonomia representa um salto qualitativo na aplicação prática de inteligência artificial.

Os números da startup demonstram crescimento no mercado. Desde o lançamento de seu primeiro agente geral de IA no início de 2025, a plataforma processou mais de 147 trilhões de tokens e criou mais de 80 milhões de computadores virtuais. Com receita anualizada de US$125 milhões apenas oito meses após o lançamento, a Manus comprovou não apenas capacidade técnica, mas também viabilidade no mercado.

Além disso, o modelo de negócio combina planos gratuitos e assinaturas premium, estratégia que atraiu desenvolvedores, analistas e pequenas e médias empresas. Esses usuários buscam automatizar fluxos de trabalho sem necessidade de contratar engenheiros especializados. Portanto, a Manus preenche um espaço entre ferramentas conversacionais simples e soluções empresariais.

A arquitetura técnica da plataforma integra raciocínio, memória e uso de ferramentas de forma coordenada. Diferentemente dos modelos de linguagem treinados apenas para prever a próxima palavra, os agentes da Manus planejam sequências de ações, ajustam estratégias conforme o contexto e aprendem com interações anteriores. Essa abordagem de múltiplas etapas permite resolver problemas que exigem coordenação entre diferentes sistemas e fontes de dados.

O pragmatismo da Meta após o Llama 4

Por outro lado, a aquisição da Manus ocorre em um contexto de reavaliação dentro da Meta. Como a Conversion reportou anteriormente, o lançamento do Llama 4 foi considerado uma decepção pelo mercado. O modelo apresentou desempenho inferior em testes de referência independentes e enfrentou críticas por supostas manipulações em testes de avaliação, levando Mark Zuckerberg a reestruturar pessoalmente a divisão de IA.

Essa experiência evidencia que recursos financeiros não garantem liderança tecnológica. Apesar dos investimentos bilionários em pesquisa e desenvolvimento, a Meta não conseguiu acompanhar o ritmo de inovação estabelecido por concorrentes como Google e OpenAI. Por isso, a empresa agora adota uma abordagem que combina desenvolvimento interno com aquisições.

Nesse sentido, a compra da Manus segue o padrão estabelecido pelo investimento de US$14,3 bilhões na Scale AI, anunciado anteriormente em 2025. Contudo, enquanto a Scale fornece infraestrutura de dados para treinamento de modelos, a Manus oferece capacidades de execução autônoma prontas para integração. Essa diferença é central para acelerar o lançamento de produtos que realmente executam tarefas, não apenas conversam sobre elas.

Ademais, a Meta planeja integrar os agentes da Manus ao Meta AI, seu assistente presente no Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger. Com mais de 1 bilhão de usuários mensais, segundo dados da própria empresa, essa base oferece escala para testar e refinar as capacidades autônomas. Além disso, a integração permite coletar dados de uso que podem aprimorar os modelos ao longo do tempo.

Tensões geopolíticas e a mudança para Singapura

Paralelamente, a origem da Manus adiciona complexidade geopolítica à transação. A startup foi desenvolvida inicialmente sob a Butterfly Effect, empresa chinesa de inteligência artificial, antes de se tornar independente. Em 2025, a Manus transferiu suas operações de Pequim para Singapura e demitiu a maior parte de sua força de trabalho chinesa, movimentos que antecederam a aquisição pela Meta.

Nesse contexto, a Meta estabeleceu como condição que “não haverá interesses de propriedade chinesa” na empresa adquirida. Essa exigência reflete as tensões entre Estados Unidos e China no campo tecnológico, especialmente em áreas consideradas de segurança nacional como inteligência artificial. O paralelo com o caso do TikTok é inevitável, embora a Manus tenha tomado medidas preventivas antes da aquisição.

As preocupações com segurança de dados provavelmente motivaram a relocação para Singapura. Em 2026, nenhuma grande empresa americana de tecnologia pode enfrentar escrutínio regulatório sobre possível influência chinesa. Portanto, a reestruturação da Manus foi essencial para viabilizar a transação com a Meta.

No entanto, a questão sobre os dados utilizados para treinar os agentes da Manus permanece em aberto. Embora a empresa agora opere de Singapura, os modelos foram desenvolvidos originalmente na China. Essa ambiguidade pode atrair atenção de reguladores americanos, especialmente considerando o ambiente político atual em relação à tecnologia chinesa.

Implicações para empresas brasileiras e o mercado de marketing digital

Já a integração dos agentes da Manus nas plataformas da Meta terá impacto sobre empresas brasileiras que dependem de Facebook, Instagram e WhatsApp para marketing e vendas. A automação de tarefas como análise de dados, criação de relatórios e otimização de campanhas pode aumentar a eficiência operacional. Contudo, também pode criar novas camadas de dependência em relação aos ecossistemas da Meta.

Esse movimento ocorre em um contexto desafiador para anunciantes brasileiros. Como a Conversion reportou, a Meta anunciou aumento de 12,15% nos custos de publicidade no Facebook e Instagram a partir de janeiro de 2026, devido ao repasse de tributos como PIS/COFINS e ISS. Além disso, a empresa começou a utilizar conversas dos usuários com o Meta AI para direcionar anúncios, levantando questões sobre privacidade e transparência.

Por consequência, a combinação de custos crescentes com novas funcionalidades baseadas em agentes autônomos pode criar um ciclo onde empresas precisam investir mais para manter a competitividade. Os agentes de IA prometem melhor segmentação e personalização, mas essas capacidades provavelmente terão preço premium. Portanto, pequenas e médias empresas podem enfrentar dificuldades para competir com organizações que possuem orçamentos maiores.

Diante desse cenário, a diversificação se torna urgente. Investimentos em marketing orgânico, especialmente SEO e GEO (Generative Engine Optimization), oferecem alternativas à dependência de plataformas pagas. Enquanto o SEO captura demanda existente em buscadores tradicionais, o GEO prepara empresas para o futuro das buscas, otimizando conteúdo para ser reconhecido por inteligências artificiais como ChatGPT e Gemini.

Além disso, dados da Conversion indicam que entre 80% e 90% do tráfego que gera conversões para médias e grandes empresas tem origem em buscas relacionadas à marca. Isso demonstra que investir em autoridade orgânica oferece retornos mais consistentes do que depender exclusivamente de publicidade paga. Com a chegada dos agentes autônomos, essa diversificação se torna não apenas recomendável, mas essencial para a sustentabilidade de longo prazo.

Consolidação do mercado e concentração de poder tecnológico

Enquanto isso, a aquisição da Manus pela Meta acelera a consolidação do mercado de inteligência artificial em torno de poucos concorrentes dominantes. Google, OpenAI e agora Meta (através de aquisições) controlam as plataformas de agentes autônomos disponíveis no mercado. Essa concentração levanta questões sobre diversidade de soluções e dependência de fornecedores.

O Google desenvolve ativamente recursos agênticos para o Gemini, enquanto a OpenAI introduziu ferramentas que permitem ao ChatGPT executar tarefas online e adaptar-se ao contexto. Com a Meta adquirindo a Manus, as três maiores empresas de tecnologia ocidentais agora competem no espaço de agentes autônomos. Essa corrida beneficia consumidores através de inovação acelerada, mas também cria barreiras de entrada para novos competidores.

Por outro lado, a possível adoção de modelos externos pela Meta, conforme reportado anteriormente pela Conversion, pode ampliar o domínio de Google e OpenAI. Se a Meta integrar o Gemini ou tecnologias da OpenAI ao Meta AI, essas empresas expandiriam seu alcance para bilhões de usuários adicionais. Portanto, a concentração de poder tecnológico se aprofundará, com implicações para inovação e concorrência de longo prazo.

Contudo, a especialização pode resultar em produtos mais refinados e eficientes. Empresas que focam exclusivamente em desenvolver agentes autônomos tendem a alcançar melhor desempenho do que aquelas que tentam dominar todas as camadas da estrutura tecnológica. A aquisição da Manus pela Meta reflete esse reconhecimento de que parcerias podem ser mais eficazes que desenvolvimento isolado.

Agentes autônomos e o futuro da Meta

Finalmente, a aquisição da Manus se alinha com a visão de longo prazo da Meta para inteligência artificial integrada ao mundo físico. A divisão Reality Labs, embora não gere receita significativa, representa a aposta da empresa em óculos inteligentes e assistentes de IA que interagem com o ambiente. Os agentes da Manus podem fornecer a camada cognitiva necessária para essas ambições de computação espacial.

Essa capacidade de executar tarefas de forma autônoma se torna valiosa quando combinada com hardware vestível. Óculos inteligentes equipados com agentes de IA poderiam não apenas responder perguntas, mas também realizar ações como agendar compromissos, fazer reservas ou controlar dispositivos domésticos. Essa integração entre software e hardware pode diferenciar a Meta de concorrentes focados apenas em aplicativos.

Por sua vez, a Meta afirma que continuará operando e vendendo o serviço Manus de forma independente, além de integrá-lo aos seus produtos. Essa abordagem dupla permite manter a base de usuários existente enquanto expande o alcance através das plataformas da Meta. Xiao Hong, CEO da Manus, declarou que “unir-se à Meta permite construir uma fundação mais forte sem mudar como a Manus funciona ou como as decisões são tomadas”.

No entanto, o histórico de aquisições de tecnologia sugere cautela quanto à manutenção da independência operacional. Empresas adquiridas frequentemente são integradas às estruturas da empresa-mãe, perdendo autonomia ao longo do tempo. Portanto, será necessário observar se a Manus mantém sua identidade e direção de produto nos próximos anos.

Enfim, o ano de 2026 se configura como o momento em que chatbots de IA se transformam em agentes autônomos. Com a Manus alimentando suas plataformas de IA, a Meta planeja ser a ferramenta de primeira escolha quando se trata de inteligência artificial interagindo com o mundo real. Essa ambição, contudo, precisará ser validada pelo mercado e pelos usuários que, em última análise, decidirão se os agentes autônomos cumprem as promessas de produtividade e eficiência.

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