Agentic Commerce: o que é, como funciona e por que vai mudar o varejo

Agentic Commerce é um modelo de compra em que agentes de IA atuam em nome dos consumidores para pesquisar produtos, comparar preços, negociar e completar transações de forma autônoma

O varejo passa por uma transformação significativa. Dados da McKinsey indicam que esse novo modelo pode movimentar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões globalmente até 2030. No Brasil, a pesquisa da Conversion em parceria com a ESPM revela que 93% dos brasileiros já utilizaram ferramentas de inteligência artificial, o que cria um terreno fértil para a adoção dessa tecnologia.

Além disso, o tráfego proveniente de plataformas de IA como ChatGPT e Perplexity cresceu 527% nos Estados Unidos entre janeiro e maio de 2025. Esse crescimento demonstra uma mudança no comportamento do consumidor que busca experiências de compra mais eficientes. O Google, por sua vez, lançou o Universal Commerce Protocol durante a NRF 2026, sinalizando que as grandes empresas de tecnologia apostam nessa tendência.

Este artigo explora o conceito de agentic commerce, suas aplicações práticas, a infraestrutura necessária para sua implementação e o impacto esperado nas estratégias de marketing e vendas das empresas brasileiras. A leitura é indicada para profissionais de e-commerce, marketing e tecnologia que desejam se preparar para essa nova fase do comércio.

O que é agentic commerce?

Agentic commerce é um modelo de transações comerciais em que sistemas de inteligência artificial realizam compras de forma autônoma em nome dos usuários. Diferentemente dos assistentes virtuais tradicionais que apenas recomendam produtos, os agentes de IA nesse modelo podem pesquisar, comparar, negociar e finalizar compras sem intervenção humana.

A PwC define o conceito como sistemas que leem sinais dos consumidores — objetivos, preferências e restrições como sensibilidade a preços — para navegar, avaliar e recomendar produtos ou serviços em diversos canais. Esses agentes completam tarefas que antes exigiam múltiplas etapas manuais do consumidor.

Um exemplo prático ilustra o funcionamento. O usuário pode solicitar ao agente: “Encontre o voo mais barato de São Paulo para Lisboa, sem escalas, por menos de R$ 4.000”. O agente então pesquisa, compara opções em diversas plataformas, reserva a passagem e realiza o pagamento usando as credenciais armazenadas. Todo o processo ocorre dentro de uma interface conversacional.

Por isso, o agentic commerce representa uma evolução do conceito de conversão no comércio pela internet. A jornada de compra deixa de ser uma série de etapas separadas e passa a ser um fluxo contínuo conduzido por inteligência artificial.

Como funciona na prática?

O funcionamento do agentic commerce depende de três componentes principais: os agentes de IA, os protocolos de comunicação e a infraestrutura de pagamentos. Cada elemento desempenha uma função específica para que as transações ocorram de forma segura e eficiente.

Os agentes de IA utilizam modelos de linguagem avançados para interpretar as solicitações dos usuários. Segundo a Mastercard, esses sistemas podem lembrar preferências anteriores, histórico de compras e restrições do consumidor. Dessa forma, cada interação se torna mais personalizada ao longo do tempo.

Além disso, os agentes conseguem realizar tarefas proativas. Um exemplo citado pela indústria é a reposição automática de itens domésticos quando o estoque está baixo. O agente identifica a necessidade, pesquisa o melhor preço, verifica a disponibilidade e efetua a compra sem que o usuário precise solicitar.

Protocolos de comunicação

O Google lançou o Universal Commerce Protocol (UCP) em janeiro de 2026 como um padrão aberto para agentic commerce. O protocolo estabelece uma linguagem comum para que agentes e sistemas operem juntos entre plataformas de consumidores, varejistas e provedores de pagamento.

O UCP foi desenvolvido em colaboração com Shopify, Etsy, Wayfair, Target e Walmart. Empresas como Adyen, American Express, Best Buy, Mastercard, Stripe, Visa e Zalando também endossaram o protocolo. Essa ampla adesão indica que o mercado busca padronização para viabilizar o modelo em escala.

Paralelamente, a OpenAI desenvolveu o Agentic Commerce Protocol em parceria com a Stripe. A Anthropic, por sua vez, criou o Model Context Protocol (MCP) que padroniza como agentes de IA compartilham contexto entre ferramentas. Essa convergência de esforços demonstra o interesse das principais empresas de tecnologia no segmento.

Infraestrutura de pagamentos

A Visa e a Mastercard desenvolvem sistemas específicos para transações realizadas por agentes de IA. Segundo executivos entrevistados pela CNBC, a tecnologia deve se tornar operacional em 2026 e pode ser mais transformadora que a ascensão de plataformas como a Amazon.

O Agent Payments Protocol (AP2) do Google fornece uma estrutura para que agentes realizem compras verificáveis. A integração com o UCP permite que todo o fluxo — da descoberta do produto ao pagamento — ocorra dentro de uma experiência unificada.

A Stripe também lançou sua Agentic Commerce Suite, oferecendo ferramentas para que varejistas vendam diretamente para agentes de IA. Essa infraestrutura permite que os comerciantes participem desse novo canal de vendas sem desenvolver tecnologia proprietária.

Qual o impacto no varejo brasileiro?

O Brasil apresenta condições favoráveis para a adoção do agentic commerce. A pesquisa da Conversion com a ESPM mostra que 98% dos brasileiros conhecem ferramentas de inteligência artificial generativa e 93,8% já as utilizaram. O ChatGPT lidera como a marca mais associada à IA, mencionada por 64,3% dos entrevistados.

Dados do Relatório do Varejo 2025 da Adyen indicam que 52% dos brasileiros já usaram IA para compras no último ano. Uma pesquisa divulgada pela CNN Brasil aponta que 70% dos consumidores estão dispostos a usar inteligência artificial para compras no futuro. Esses números demonstram receptividade do mercado local.

Contudo, existem desafios específicos. A LGPD impõe requisitos de proteção de dados que precisam ser considerados na implementação de agentes autônomos. Além disso, a infraestrutura logística brasileira precisa evoluir para atender às expectativas de velocidade que os agentes de IA podem criar nos consumidores.

Oportunidades para o e-commerce

Para o SEO de e-commerce, o agentic commerce representa uma mudança na forma de otimização. Os agentes de IA não percorrem páginas como humanos: eles processam informações estruturadas. Por isso, dados de produto bem formatados e completos ganham importância ainda maior.

As empresas que investem em Generative Engine Optimization (GEO) podem se beneficiar dessa tendência. Estar bem posicionado nas respostas de IAs como ChatGPT e Perplexity significa aumentar as chances de ser recomendado pelos agentes durante o processo de compra.

A taxa de conversão também assume novas dimensões. Quando um agente de IA conduz a jornada de compra, as métricas tradicionais de funil podem não capturar a realidade do processo. Novas formas de mensuração precisarão ser desenvolvidas.

Quais empresas já utilizam agentic commerce?

O Magazine Luiza foi citado como exemplo brasileiro que avança na adoção de tecnologias relacionadas. Fred Trajano, CEO da companhia, destacou durante a NRF 2026 a importância de evoluir na tecnologia mantendo a identidade da marca. A empresa já utiliza assistentes de IA em diversos pontos de contato com o cliente.

No cenário internacional, a lista de empresas que testam ou implementam funcionalidades de agentic commerce inclui Lowe’s, Michaels, Poshmark e Reebok. Essas marcas utilizam o Business Agent do Google para criar agentes de IA que respondem às consultas dos consumidores na busca com a voz da própria marca.

A Shopify anunciou integração com o UCP que permitirá aos seus comerciantes vender diretamente no AI Mode do Google Search e no aplicativo Gemini. Marcas como Monos, Gymshark e Everlane serão as primeiras a utilizar essa funcionalidade. No Brasil, empresas que utilizam Shopify poderão acessar essa tecnologia quando disponível no mercado local.

Por outro lado, a Amazon também investe no segmento. A empresa desenvolve funcionalidades de compra autônoma integradas à Alexa e aos seus serviços de nuvem. A competição entre as grandes plataformas acelera o desenvolvimento e a disponibilização dessas tecnologias.

O que esperar para 2026 e além?

O Gartner prevê que 40% das aplicações empresariais integrarão agentes de IA específicos para tarefas até o final de 2026. Esse número era inferior a 5% no início de 2025. A projeção indica uma curva de adoção acelerada no mercado corporativo.

Até 2028, segundo a mesma consultoria, 15% das decisões de trabalho diárias serão tomadas autonomamente por agentes de IA. Para 2029, a criação de agentes deve se tornar uma competência profissional comum. Essas previsões apontam para uma transformação profunda nas relações de consumo e trabalho.

A Morgan Stanley estima que o agentic commerce pode representar de US$ 190 bilhões a US$ 385 bilhões do e-commerce americano até 2030, correspondendo a 10% a 20% do total. Joao Moura, CEO da CrewAI, prevê que até o final de 2026 todas as empresas Fortune 500 terão equipes dedicadas a gerenciar agentes de IA.

Como se preparar

Para empresas brasileiras, algumas ações podem ser tomadas desde já. Investir em dados estruturados de produto é fundamental, pois agentes de IA dependem de informações bem organizadas para fazer recomendações precisas. Revisar catálogos e enriquecer descrições deve ser prioridade.

Conhecer os mecanismos de busca de cada IA também é relevante. ChatGPT, Gemini, Perplexity e Claude utilizam fontes diferentes para suas respostas. Otimizar a presença nesses canais aumenta as chances de ser considerado pelos agentes de compra.

Por fim, acompanhar a evolução dos protocolos como UCP e MCP permite que as empresas se adaptem conforme a tecnologia amadurece. A participação em programas beta e pilotos oferecidos pelas plataformas pode gerar aprendizados valiosos para quando o agentic commerce se tornar predominante no mercado brasileiro.

FAQ: perguntas frequentes sobre agentic commerce

Respondemos às principais dúvidas que as pessoas podem ter sobre o tema.

O que diferencia agentic commerce de um chatbot comum?

Chatbots tradicionais fornecem informações e recomendações, mas o usuário precisa executar as ações de compra. No agentic commerce, o agente de IA completa todo o processo: pesquisa, compara, seleciona e efetua o pagamento de forma autônoma, usando as preferências e credenciais armazenadas do usuário.

O agentic commerce é seguro?

As grandes empresas de tecnologia desenvolvem protocolos específicos de segurança para transações realizadas por agentes. Visa e Mastercard, por exemplo, criam sistemas de verificação adaptados a esse modelo. Contudo, como qualquer tecnologia nova, a maturidade dos sistemas de segurança evoluirá com o tempo e a escala de uso.

Quando o agentic commerce estará disponível no Brasil?

Algumas funcionalidades básicas já estão acessíveis para consumidores brasileiros que utilizam ChatGPT ou outras IAs para pesquisa de produtos. Funcionalidades mais avançadas, como checkout integrado e agentes autônomos completos, devem chegar ao mercado brasileiro entre 2026 e 2027, seguindo a expansão das plataformas globais.

Como as empresas podem se preparar para o agentic commerce?

O primeiro passo é garantir que os dados de produtos estejam bem estruturados e completos. Investir em GEO (Generative Engine Optimization) ajuda a marca a aparecer nas respostas de IAs. Acompanhar os protocolos como Universal Commerce Protocol e participar de programas beta das plataformas também são ações recomendadas.

O agentic commerce vai substituir o e-commerce tradicional?

Não se trata de substituição, mas de extensão. O agentic commerce adiciona uma nova camada ao comércio, onde agentes de IA participam da jornada de compra. Sites de e-commerce continuarão existindo e serão fontes de informação para os agentes. A mudança está na forma como os consumidores interagem com esses canais.

Foto de Escrito por Diego Ivo

Escrito por Diego Ivo

Diego é CEO da Conversion, agência Líder em SEO e especializada em Search. Possui mais de uma década de experiência no mercado digital e é um dos principais experts no Brasil em SEO.

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